Estado articulado por Marconi Perillo quer servir mais e melhor a sociedade

Tornar Goiás a oitava maior economia do País e transformar o Estado num prestador de serviços eficiente para todos os indivíduos. São algumas das principais metas do tucano-chefe

Marconi Perillo, governador de Goiás, menciona o grande sociólogo alemão Max Weber: “O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Marconi Perillo, governador de Goiás, menciona o grande sociólogo alemão Max Weber: “O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O discurso de posse do governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, parece não ter sido examinado com a devida atenção pela imprensa e, mesmo, por políticos, aliados ou não do tucano-chefe. Trata-se de um discurso de primeira linha, de matiz filosófico e sociológico, além de bem escrito e bem formulado, com lógica precisa e objetiva. Curiosamente, e isto não se notou, há, nas linhas e nas entrelinhas, uma crítica visceral ao populismo. O tucano-chefe postula que, na campanha, não fez promessas vãs; no poder, vai trabalhar com aquilo que é essencial para criar uma sociedade ainda mais moderna. Isto é raro. No Brasil, a tendência é os políticos adularem plateias corporativas e, contando com a suposta ignorância popular, apresentarem projetos miraculosos.

Sigamos o discurso passo a passo, mas de modo sintetizado, porque é longo e nosso espaço é curto. Marconi Perillo anota que a “direção mestra a seguir” é “avançar nas conquistas internas e continuar trabalhando para que Goiás alcance um protagonismo ainda maior no cenário nacional”. Porém, ao contrário do ex-presidente Lula da Silva, não avalia que tudo começou com o PSDB e com o próprio tucano, e por isso acrescenta que o sucesso de Goiás, nos últimos 16 anos, tem a ver com “a convergência entre governo, empresários e trabalhadores”. É uma visão democrática e histórica do processo.

Os dados sobre o crescimento e o desenvolvimento de Goiás são irretocáveis — e, vale acrescentar, não são, no geral, produzidos pelo governo de Goiás, e sim por instituições nacionais, quer dizer, independentes de quaisquer ingerências políticas. Em 1999, data em que Marconi Perillo assumiu o governo, então um jovem de apenas 35 anos, “o Produto Interno Bruto goiano era de apenas R$ 17,4 bilhões”. Em 2014, o PIB saltou para R$ 144,2 bilhões. O objetivo, não só de Marconi Perillo, mas de todos os goianos, é que Goiás passe do “9º para o 8º lugar no ranking das economias entre os 27 Estados brasileiros”.

Ao contrário do economista Delfim Neto, que dizia que primeiro era preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo com a sociedade, Marconi Perillo tem uma visão mais ampla do crescimento e do desenvolvimento. Aproxima-se do economista britânico John Maynard Keynes e, entre os brasileiros, do filósofo José Guilherme Merquior, que defendia, digamos, uma espécie de liberalismo social. O tucano-chefe percebe, com precisão, que, ao contrário do que pregam marxistas ortodoxos, o Estado não é um instrumento de classe, da classe dominante, e sim, sobretudo, um instrumento da sociedade. Ao mesmo tempo que incentiva o crescimento, com incentivos fiscais e criação de infraestrutura adequada e moderna para a iniciativa privada, o gestor goiano faz apostas cruciais no desenvolvimento.

Pode-se tachá-lo de um socialdemocrata autêntico e pragmático. “Junto a essa conquista [o crescimento do PIB, por sinal superior ao do País], sonhamos também com a evolução do PIB per capita estadual nas mesmas bases, isto é: fazer com que a distribuição de renda para os goianos tenha crescimento equivalente ao da economia”, afirma o político. O que está sublinhando é que o crescimento deve, obrigatoriamente, incluir o desenvolvimento. Os frutos do crescimento devem ser repartidos durante o processo de expansão da economia, e não depois. “O Estado deve distribuir igualitariamente os frutos do crescimento econômico e fazer disso a base para a convivência de todos os seus cidadãos. (…) A justiça social estará na matriz de todas as minhas decisões”, destaca o líder do PSDB.

O brilhante economista francês Thomas Piketty, autor do essencial “O Capital no Século XXI”, aprovaria o pensamento e as ações do governador. “Goiás é destaque nacional na geração de oportunidades, com mais de 1 milhão de empregos gerados desde 1999, dos quais 250 mil postos de trabalho criados apenas no nosso último mandato”, frisa o governador.

O programa Renda Cidadã, inspirador do Bolsa Família, “beneficiou 200 mil famílias goianas. A Bolsa Universitária [matriz do ProUni] permitiu o ingresso de 157 mil estudantes no ensino superior. A Bolsa Futuro qualificou 500 mil goianos para o mercado de trabalho [e para a vida]. O Cheque Moradia e o Cheque Mais Moradia realizaram o sonho da casa própria para 150 mil famílias”.

Isto, na linguagem dos economistas, é desenvolvimento. É a incorporação de pessoas que estão à margem da sociedade. Um liberal radical sugere que os indivíduos devem ficar à própria sorte, pois são responsáveis por seus atos e destinos. Parece uma defesa da liberdade individual, mas a vida, com sua maleabilidade e sua complexidade, às vezes não é interpretada a fundo por algumas ideias (e as ideias, quando se tornam “religiosas”, mesmo quando aparentemente “científicas”, são perigosas para a sociedade, para o indivíduo).

Nem os próprios capitalistas podem ser deixados à própria sorte. Assim como Fernando Henrique Cardoso, quando presidente da República, salvou o sistema bancário patropi, com o Proer, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aportou capital público para “salvar” empresas de grande porte, como a General Motors (GM). O Estado investe a “fundo perdido”, embora a expressão seja inexata, porque o lucro social é tão importante quanto o lucro financeiro. Um indivíduo que sai da linha de pobreza absoluta e passa a trabalhar e garantir seu sustento e o de sua família é uma vitória para o Estado e, sobretudo, para sua família e para a sociedade.

No momento, Marconi Perillo e sua equipe operam uma reforma no setor de saúde que ainda não foi inteiramente dimensionada. Sabe-se que, para setores corporativos, quanto pior a área de saúde, mais dividendos políticos-sindicais. A melhoria do setor leva, inevitavelmente, a derrotas políticas daqueles que pregam o caos. Para os indivíduos, notadamente para aqueles que não dispõem de planos de saúde, um sistema que funcione, que atenda e trate de maneira adequada, é fundamental. Pois, para a população, as Organizações Sociais conseguiram melhorar parte do sistema de saúde — a parte que cabe às prefeituras ainda precisa de reparos —, porém, o seu sucesso significa o insucesso dos setores corporativos radicais e puramente ideológicos, daí as críticas, em geral pouco nuançadas e perfunctórias.

Note-se que o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, o Crer, recebeu, há pouco, o Certificado de Acreditação Plena, o que comprova sua excelência. “De 13 hospitais públicos acreditados com certificado ONA [Organização Nacional de Acreditação], quatro são do governo estadual e receberam a acreditação em 2014”, conta Marconi Perillo. O Crer, por sinal, é apontado pelo Ministério da Saúde como referência para os Estados construírem centros de recuperação.

O objetivo do governo Marconi Perillo é criar um sistema de saúde que de fato funcione. “Neste governo consolidaremos a implantação da Rede Hugo, da Rede Credeq e da Rede AME (Ambulatórios Médicos de Especiali­dades).” O Credeq, quando plenamente instalado, se tornará, possivelmente, outra referência para o País. A recuperação de dependentes químicos é cara e famílias pobres raramente têm condições de bancá-la. Os Credeqs vão permitir a universalização do tratamento, com a possibilidade de integração dos dependentes à sociedade por meio dos programas sociais e de qualificação profissional.

Há, por fim, aqueles obras, também essenciais, que poucos veem e, como dizem os políticos, não rendem votos. Mas é positiva para a saúde dos indivíduos. Na área de saneamento, o governo de Marconi Perillo implantou “70 estações de tratamento de esgoto” e está construindo mais 12. Em 2015, “será inaugurado o Sistema Produtor Mauro Borges, que garantirá água tratada para a Grande Goiânia até 2050. São R$ 3 bilhões investidos no setor e outros R$ 4,5 bilhões já contratados — a maior intervenção no setor de saneamento em andamento no Brasil. Esses investimentos representam”, desde 1999, “a implantação de 16 mil quilômetros de novas redes de água e esgoto em todo o Estado. O crescimento da população atendida com água tratada no período foi de 55% e 175% atendidos com esgoto. Em extensão, o crescimento em rede de água foi de 76% e em rede de esgoto de 135%. O crescimento mais vertiginoso foi em relação ao número de estações de tratamentos de afluentes, de 584%”.

O que se disse acima é desenvolvimento, é o Estado a serviço da sociedade, dos cidadãos. Em busca do lucro imediato, com o menor custo possível, a iniciativa privada não tem como investir da mesma maneira que o Estado.

No campo da infraestrutura, por exemplo das rodovias, o governo Marconi Perillo investiu maciçamente. O governador frisa que, nos seus três mandatos, construiu “4.460 quilômetros de rodovias, o que representam 44% da malha pavimentada do Estado. Reconstruímos outros 4.400 quilômetros de estradas e, neste momento, estamos executando a reconstrução de mais 1.600 quilômetros”. Não é publicidade, ao contrário do que políticos das oposições dizem. São fatos, portanto, visíveis para os não estão cegos política e ideologicamente. Aliás, os perdedores contumazes para Marconi Perillo, do ponto de vista eleitoral, não percebem que, ao não examinarem o quadro real, aquele que é percebido pela sociedade, são vistos tão-somente como politiqueiros e flibusteiros.

Ao contrário de Iris Rezende, o tucano Marconi Perillo não é exatamente um obreiro. Daí que seu sucesso não advém da obra em si, mas da ideia que indica que a obra gera alguma coisa essencial, por exemplo, a modernização do Estado. Há uma filosofia social, modernizadora, encampando suas ações. Seu objetivo é pôr o Estado a serviço da sociedade, portanto, dos cidadãos. “O meu propósito inabalável” é “fazer do nosso Estado o me­lhor prestador de serviços públicos do País. A educação, a segurança e a saúde seguirão passando por fortes e decididas mudanças, para alcançarem os níveis de qualidade e eficiência que a nossa população merece”, afirma.

Políticos, empresários e setores corporativos devem prestar atenção num fato: o governador Marconi Perillo, em busca de inserir Goiás e a si próprio no cenário nacional, de maneira mais sólida, está cada vez mais determinado a pôr o Estado a serviço da sociedade. Pode desagradar alguns, até muitos, mas certamente vai beneficiar a maioria dos goianos. Aquele que interpretar o tucano-chefe com as luzes do passado — “ah, depois tudo volta à normalidade, à rotina, com as acomodações de sempre” — poderá dar, para usar uma expressão démodé, com os burros n’água. Marconi Perillo radicalizou o Tempo Novo e muitos, inclusive aliados, não estão percebendo a mudança de rota.

O Tempo Novo não envelheceu, modernizou-se — e radicalmente. O que, parece, assusta até aliados do governador Marconi Perillo, que não percebem, ou não querem perceber, que seus projetos de mudança são mesmo pra valer, e doa a quem doer. A modernização de fato não é feita para agradar “a” ou “b”, mas sim o todo — a sociedade, os cidadãos.

Duas notas finais

Carlos Drummond de Andrade, Cícero, Cora Coralina, Dom Helder Câmara, Fernando Pessoa, Max Weber, Nelson Mandela, Norberto Bobbio e Steve Jobs: criadores, de várias áreas, citados pelo governador Marconi Perillo. Todos, com suas diferenças marcantes, são humanistas

Carlos Drummond de Andrade, Cícero, Cora Coralina, Dom Helder Câmara, Fernando Pessoa, Max Weber, Nelson Mandela, Norberto Bobbio e Steve Jobs: criadores, de várias áreas, citados pelo governador Marconi Perillo. Todos, com suas diferenças marcantes, são humanistas

Primeiro, Marconi Perillo cita personalidades humanistas — dos campos da arte, da filosofia, da política e da tecnologia —, o que explicita seu ideário. São listados, e não aleatoriamente: Carlos Drummond de Andrade, Cícero, Cora Coralina, Dom Helder Câmara, Fernando Pessoa, Max Weber, Nelson Mandela, Norberto Bobbio e Steve Jobs.

Segundo, o único político goiano citado é José Eliton, presidente do PP. Por que é o vice-governador? Talvez. Porém, o mais provável é que seja um recado do presente para o futuro. Dificilmente José Eliton deixará de ser governador, a partir de abril de 2018, e, daí, se tornará credenciado para a reeleição. Aliás, o fado, o destino, está em suas mãos. É o que Marconi Perillo está sugerindo, aparentemente.

Poema de Cora Coralina citado por Marconi Perillo

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça
Digo o que penso, com esperança
Penso no que faço, com fé
Faço o que devo fazer, com amor
Eu me esforço para ser cada dia melhor
Pois bondade também se aprende
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar;
Porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.

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João Paulo Silveira

Interessante o esforço de se projetar – e portanto se inventar – enquanto homem letrado e moderno. Quem não conhece as camadas do poder goiano talvez acredite na patota.

Marcelo Andradina

Um discurso de estadista, realmente. Muito bem formulado e escrito. Talvez o melhor discurso de posse de governador já registrado em Goiás.

Caio Maior

“a implantação de 16 mil quilômetros de novas redes de água e esgoto em todo o Estado. O crescimento da população atendida com água tratada no período foi de 55% e 175% atendidos com esgoto. Em extensão, o crescimento em rede de água foi de 76% e em rede de esgoto de 135%. O crescimento mais vertiginoso foi em relação ao número de estações de tratamentos de afluentes, de 584%”. O texto transcrito suscita algumas indagações. Quantos – e quais – foram os municípios beneficiados com as novas redes de água e esgoto? A quantas pessoas corresponde o percentual de… Leia mais