Ascensão de Caiado sugere ocaso de sua geração e nascimento de nova geração política

O futuro não pertence a Iris Rezende, Iris Araújo, Maguito Vilela e Lúcia Vânia. Ventos da mudança podem chegar com Alexandre Baldy, Anna Caiado, Lincoln Tejota, Roberto Naves e Vinicius Luz

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Apesar das pesquisas de intenção de voto sugerirem que Ronaldo Caiado pode ganhar no primeiro turno, a eleição para governador de Goiás não está definida. Porque as campanhas estão em andamento e há histórias de reviravoltas surpreendentes na bacia das almas. Mas é preciso admitir que as chances do candidato do partido Democratas são mesmo altas. É um dado da realidade, não uma questão de interpretação. Aos 69 anos, porém, o presidente do DEM está não no início, e sim no fim de sua carreira política. Pode-se dizer que seu “renascimento” político, em termos de eleição para um cargo majoritário, ocorre num momento em que as carreiras de importantes políticos — Iris Rezende (MDB), prefeito de Goiânia, Maguito Vilela (MDB), ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, a senadora Lúcia Vânia (PSB), a ex-deputada Iris Araújo (MDB) e o ex-deputado Vilmar Rocha (PSD) — caminham para o ocaso.

Não se está “aposentando” ninguém, até porque as pessoas estão vivendo mais e, com qualidade de vida adequada, permanecem lúcidas e com energia por mais tempo. O que se está dizendo é que o tempo está passando para todos, sobretudo para os políticos mais velhos. Iris Rezende terminará o mandato com 87 anos e dificilmente será candidato à reeleição. Ronaldo Caiado, se eleito este ano, terminaria o mandato com 73 anos. É provável que teria condições de disputar mais um mandato. Mas a idade, cada vez mais, seria um limitador. Maguito Vilela, que tem a mesma idade do líder do Democratas, dificilmente voltará a disputar mandato — ainda que alguns aliados apostem que, em 2020, possa disputar, pela terceira vez, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia. Quem lida com o emedebista no dia a dia sublinha que não será candidato e que apoiará a reeleição de Gustavo Mendanha. Lúcia Vânia, senadora de amplos méritos, dadas sua seriedade e sua competência, possivelmente disputa seu último mandato no dia 7 de outubro deste ano. Iris Araújo provavelmente também disputará seu último mandato.

Dos grandes players atuais, dado ter apenas 55 anos, o ex-governador Marconi Perillo é o que mais tem tempo para outras disputas políticas. Como foi eleito quatro vezes para o governo, é provável que não seja mais candidato ao Executivo estadual. Em termos políticos, é mais atento do que Iris Rezende, que, como não tem paciência para verificar pesquisas com a devida atenção — lendo os números de maneira enviesada, por aquilo que não diziam nem sugeriam —, perdeu três eleições para o governo do Estado, todas para Marconi Perillo. Este, sempre atento, sabe o que significa, em política, a expressão “fadiga de material”. Mesmo que se tenha uma imagem positiva, devido à capacidade administrativa e a um histórico de realizações qualitativas, configura-se, a partir de determinado momento, certo desgaste — que eleitoralmente pode ser intransponível. Às vezes perde-se uma eleição quando se está num bom momento, e não num mau momento, devido ao tempo em que se está no poder — o que confere aos adversários o papel de agente da mudança, mesmo quando, a rigor, não o são.

Porém, se passar oito anos no Senado, e os próximos dois governos não deixarem uma marca qualitativa, a volta de Marconi Perillo ao governo poderá não ser mera utopia. No caso do tucano, não se pode falar em aposentadoria política, a partir dos próximos anos. Se eleito senador, terminará o mandato, em 2026, com apenas 63 anos. Trata-se de um político, diria o cantor-compositor Adoniran Barbosa, “com muita lenha para queimar”.

A lista da renovação

Nos próximos anos, entre 2019 e 2026, vários jovens e alguns de meia idade deverão ocupar um espaço mais amplo na política de Goiás. Entre eles estarão, possivelmente, em ordem alfabética: Adriana Accorsi (PT), Adriano do Baldy (PP), Agenor Mariano (MDB), Alexandre Baldy (PP), Ana Paula Rezende (MDB), Andrey Azeredo (MDB), Anna Vitória Caiado (DEM), Antônio Gomide (PT), Bruno Peixoto (MDB), Cristóvão Tormin (PSD), Demóstenes Torres (PTB), Diego Sorgatto (PSDB), Eliane Pinheiro (PSDB), Elias Vaz (PSB), Ernesto Roller (MDB), Francisco Júnior (PSD), Giuseppe Vecci (PSDB), Glaustin da Fokus (PSC), Gustavo Mendanha (MDB), Gustavo Sebba (PSD), Henrique César (PSC), Humberto Aidar (MDB), Issy Quinan (PP), João Campos (PSDB), Jean Carlo (PSDB), Jorge Kajuru (PRP), José Antônio (PTB), José Eliton (PSDB), José Nelto (Podemos), José Vitti (PSDB), Kátia Maria (PT), Lincoln Tejota (Pros), Lívio Luciano (Podemos), Lucas Calil (PSD), Lucas Vergílio (SD), Luis Cesar Bueno (PT), Marcos Abrão (PPS), Paulinho Rezende (PSDB), Pedro Fernandes (PSDB), Roberto Naves (PTB), Romário Policarpo (PTC), Samuel Belchior (MDB), Thiago Peixoto (PSD), Valmir Pedro (PSDB), Vanderlan Cardoso (PP), Vinicius Luz (PSDB), Virmondes Cruvinel (PPS), Wagner Siqueira (MDB) e Waldir Soares (PSL). Trata-se de uma lista mínima, portanto há outros nomes e surgirão outros nos próximos anos. Pode-se gostar ou não dos listados, mas a renovação da política de Goiás passa por eles.

A seguir, se traçará breves comentários sobre alguns dos listados, o que não dizer que, do ponto de vista eleitoral, são melhores do que os outros. Tampouco significa que, dos mencionados, todos seguirão na política ou mesmo se tornarão políticos (no sentido de disputar mandato eletivo).

Anna Vitória Caiado

Anna Vitória Caiado | Foto:/ Reprodução

No caso de vitória de Ronaldo Caiado, e posteriormente com seu afastamento da política, a tendência é que uma pessoa da família o substitua. Anna Vitória Gomes Caiado é advogada, apontada como competente, e está aos poucos se envolvendo com as coisas da política. Se resolver disputar mandato eletivo, nos próximos anos, será uma mudança e até uma micro revolução dentro da família Caiado — que sempre bancou homens, como Totó Caiado, Brasil Caiado, Brasílio Caiado, Emival Caiado, Leonino Caiado e Ronaldo Caiado. Frise-se que, ao menos publicamente, a jovem nunca disse que se tornará política.

Ana Paula Rezende

Foto: Divulgação

Iris Rezende e sua mulher, Iris Araújo, são dois dos mais longevos políticos de Goiás. Iris Rezende tem uma história positiva, avaliado pela média, embora, como prefeito, esteja decepcionando os goianienses. Politicamente, podem apostar num dos aliados — Agenor Mariano, Andrey Azeredo, Lívio Luciano e Samuel Belchior (que havia anunciado que não disputará mais mandato, mas ninguém, nem ele, sabe como será o dia de amanhã) — como sucessor político. Mas a filha Ana Paula Rezende, que tomou gosto pela política, pode ser sua sucessora. Quando inquirida por emedebistas, afirma que não tem interesse e que sua presença na prefeitura visa apenas ajudar o pai, um homem que, apesar de sua vitalidade, fará 85 anos em 22 de dezembro. Ao mesmo tempo, discute política cada vez com mais paixão. A família Rezende, como a família Caiado, pode ter, não um sucessor, sim uma sucessora.

Alexandre Baldy

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Alexandre Baldy revelou-se competente na gestão do Ministério das Cidades, surpreendendo inclusive técnicos altamente qualificados e políticos profissionais. Antes, atuou como secretário da Indústria e Comércio do governo de Goiás, o que lhe conferiu experiência administrativa. Em seguida, eleito deputado federal, chegou ao Congresso e, no lugar de começar pelo baixo clero, ocupou espaço logo no alto clero, aproximando-se de suas principais lideranças, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Enquanto alguns deputados se comportam como despachantes dos municípios que representam, Baldy decidiu atuar como deputado de fato — mudando-se, inclusive com a família, para Brasília. Para a eleição de 2018, depois de assumir a presidência do PP, bancou a candidatura de dois políticos — Vanderlan Cardoso, para o Senado, e Adriano do Baldy, para a Câmara dos Deputados. Se os dois forem eleitos, a tendência é que fique em Brasília, e possivelmente ocupe um ministério, pois, além da comprovada competência técnica, terá força política. Só é forte na corte quem é forte na província — dizia, com propriedade, o político baiano Antônio Carlos Magalhães.

O que quer Baldy? Há quem aposte que pretende disputar a Prefeitura de Anápolis ou a Prefeitura de Goiânia em 2020. Pode até ser que isto ocorra. Mas é provável que, se se tornar ministro do próximo governo — seu partido, o PP, dialoga com vários setores da política, sem restrições —, seu projeto político fique adiado para 2022. O líder pepista disputaria mandato de governador, numa possível aliança com Daniel Vilela, que postularia uma vaga no Senado. Como o futuro nem a Deus pertence, o que se expõe é especulação.

Daniel Vilela

Daniel Vilela (MDB), candidato a governador e deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Qualquer que seja o resultado da disputa deste ano, Daniel Vilela, de apenas 34 anos, é um vencedor. Chegou à presidência do MDB depois de derrotar um candidato de Iris Rezende — o que, até pouco tempo, era impensável. Em seguida, revelou que disputaria o governo de Goiás e não teria nenhum outro projeto para 2018. Muitos não acreditaram e alguns emedebistas o trocaram por Ronaldo Caiado. Mesmo assim, manteve sua candidatura e costurou uma aliança com o PP de Baldy e o PRB de João Campos.

Se não for eleito governador, o que fará Daniel Vilela a partir de 2019? Política, certamente. Poderá disputar a Prefeitura de Goiânia ou apoiar um aliado do MDB ou de outro partido — por exemplo, Baldy — com objetivo de fortalecer uma aliança para disputar o governo de Goiás em 2022. Dada sua idade, o futuro lhe pertence. Pode esperar, desde que não fique parado e mantenha a articulação política, mesmo sem mandato.

José Eliton

Foto: Divulgação

O governador José Eliton surpreende positivamente como governador. Há quem recomende que faça “loucuras” para ser reeleito. Mas a todos diz a mesma coisa: a responsabilidade é essencial para um governador. Por incrível que pareça, sua campanha é relativamente franciscana, está sempre faltando dinheiro. Porque ele se recusa a saquear o Estado para que um projeto pessoal ou de grupo se torne vitorioso. Trata-se, portanto, de um gestor competente e equilibrado. Politicamente, mesmo em condições adversas — seu principal adversário nem é Ronaldo Caiado, e sim os 20 anos de poder do PSDB em Goiás, o que gera o desejo de mudança, ainda que não se saiba se ocorrerá mudança de fato —, José Eliton articula com habilidade, de maneira republicana, o que nem sempre agrada. Se for reeleito, continua na política, por certo. E se não for? Talvez continue, porque sua história política, embora curta, é positiva. Em condições normais, sem o desgaste tucano, seria visto, possivelmente, como o gestor ideal para Goiás.

Marconi Perillo e Vinicius Luz

Foto: Fumberto Silva

Como Marconi Perillo ainda é relativamente jovem, não se sabe como se dará a renovação do PSDB. Se eleito senador, é provável que o tucano-chefe fique oito anos em Brasília? É. Sobretudo porque seria um tempo suficiente para os goianos avaliarem outros governos e compará-los com os do líder do PSDB. Há possibilidade de uma volta em 2022? Talvez sim, porque não há em Goiás um político tão político quanto Marconi Perillo.

O mais provável é que, nos próximos oito anos, Marconi Perillo se concentre na política nacional. Dependendo do governo, e não apenas um do tucano Geraldo Alckmin, poderá se tornar ministro. Se abrir espaço, o que possivelmente fará, porque é hábil e atento às nuances da política, é possível que a renovação do partido se dê a partir do interior. Se reeleitos em 2020, os prefeitos de Jataí, Vinicius Luz, e de Uruaçu, Valmir Pedro, poderão se cacifar para o pleito de 2022. Exagero? Talvez não. Há também a possibilidade de aliança, dependendo do resultado da eleição de 2018, com Alexandre Baldy e outros políticos, inclusive do MDB, num amplo projeto político. Há também os deputados Jean Carlo e Gustavo Sebba, que são jovens e articulados.

Lincoln Tejota

Foto: Fernando Leite

Apesar de menosprezado por alguns políticos, sobretudo por ter trocado a base governista para se tornar vice de Ronaldo Caiado, o jovem Lincoln Tejota não deve ser subestimado. É provável que seja bancado por Ronaldo Caiado para disputar a Prefeitura de Goiânia. Os dois estão cada vez mais próximos e, ao contrário do que se costuma pensar, o senador procura ouvi-lo com frequência e o respeita.

Roberto Naves

Prefeito de Anápolis, Roberto Naves| Foto: Fernando Leite

A aposta do PTB para o Executivo é o prefeito de Anápolis, Roberto Naves. O partido havia se especializado em bancar nomes, como Jovair Arantes e Henrique Arantes, para o Legislativo. Com Roberto Naves chegou ao poder na segunda mais importante cidade de Goiás e, portanto, se tornou uma referência política.

Roberto Naves, que faz uma gestão modernizadora em Anápolis — o que começa a ser percebido pela população —, não é meramente técnico nem é meramente político. É uma mistura de ambos. É um “tecnopolítico”. É um gestor eficiente, dada sua experiência na iniciativa privada, e articula politicamente com habilidade. Se reeleito, pode ser uma aposta do PTB para o governo em 2022.

Kátia Maria e Antônio Gomide

Fotos: Divulgação

Canta-se a morte do PT, mas o fato é que o partido e seus líderes não estão mortos politicamente. Uma das provas é a ascensão de Fernando Haddad para presidente da República. Trata-se de um poste, ainda que articulado. Mas não é um poste qualquer. É o poste de Lula da Silva, o preso mais popular do país. Em Goiás, o partido tem políticos de qualidade, como Rubens Otoni, Antônio Gomide, Luis Cesar Bueno, Adriana Accorsi e Kátia Maria (uma das boas surpresas do pleito deste ano). Gomide pode disputar a Prefeitura de Anápolis em 2020 e talvez o governo em 2022.

Francisco Júnior

Deputado Francisco Jr. (PSD) | Foto: Y. Maeda

No PSD, o futuro não é Vilmar Rocha — conselheiro de primeira linha —, e sim o deputado Francisco Júnior. Se eleito deputado federal, ele certamente disputará a Prefeitura de Goiânia, com chance de vitória, porque seria, em 2020, um dos símbolos da mudança. Thiago Peixoto, do mesmo partido, parece ter abdicado da política.

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