Alta popularidade de Ronaldo Caiado deriva de sua decência pessoal e da eficiência como gestor

Pesquisas mostram que o governador de Goiás mantém sintonia fina com o pensamento dominante da sociedade: ficha limpa é fundamental

Vários institutos — Diagnóstico, Serpes, Grupom, Fortiori, EPP — estão fazendo pesquisas de intenção de voto a respeito das disputas eleitorais de 2020, notadamente sobre candidatos a prefeito. Algumas pesquisas solicitam que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), seja avaliado.

Os levantamentos mostram que a gestão de Ronaldo Caiado é bem avaliada pela maioria dos eleitores — e em todas as cidades pesquisadas. Trata-se de uma avaliação acima da média — considerando que o país passa por uma grande crise econômica e uma grave crise de saúde pública, por causa do novo coronavírus.

Entretanto, como se trata de pesquisa quantitativa— e, no geral, o foco é na disputa para prefeitos —, não ficam explícitas as razões da popularidade tanto do governo em si quanto de Ronaldo Caiado.

Quem assistiu algum debate na Assembleia Legislativa, ouvindo deputados das oposições — que estão mesmo no seu papel, o de fazer oposição, o de fiscalizar —, talvez tenha ficado com a impressão de que o governo do líder do partido Democratas é ineficiente. Se for um pouco mais atento, o ouvinte certamente terá concluído que se estava falando de um governo que “não” existe, exceto na cabeça dos parlamentares.

Em política, há o consenso de que, quando se faz a crítica equivocada, meramente politiqueira, no lugar de enfraquecer, tende-se a fortalecer aquele que foi criticado. A crítica que ataca mas não interpreta com fidelidade costuma se tornar alimento para o crescimento do adversário. Parece ser o caso.

A oposição, quando crítica, propositiva e ponderada, acaba também por governar. Quando se contenta em atacar, esquecendo que a função da crítica é iluminar e acrescentar, a oposição não contribui nem consigo mesma. Porque acaba deixando de compreender o que está acontecendo e, por isso, tende a perder a eleição seguinte. Ressalve-se, porém, que é um dever da oposição ser crítica e apontar caminhos diferentes. Sua função não é aplaudir (missão de aliados e, claro, dos áulicos).

Ronaldo Caiado, governador de Goiás: competência na gestão da máquina pública e decência pessoal fortalecem tanto o governo quanto o político| Foto: Divulgação

Há um consenso, tanto na direita quanto na esquerda (e no centrão), de que é preciso “matar” a Operação Lava Jato. Parte das elites políticas sugere que policiais, procuradores e juízes federais foram longe demais nas investigações, denúncias e condenações de políticos e empresários venais. Daí a “necessidade” de acabar com a operação, como tem dito o presidente Jair Bolsonaro, que, de seu fã e beneficiário, se tornou um de seus principais inimigos — sobretudo depois que um filho, o senador Flávio Bolsonaro, passou a ser investigado por outra operação, no Rio de Janeiro. Sem a “rachadinha” de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz, Bolsonaro não teria aderido aos que querem acabar com a Lava Jato? É provável.

Que não há sociedades e indivíduos perfeitos, e nunca houve, até crianças de 7 anos sabem. Mas uma sociedade mais ajustada, e com menos possibilidade de impunidade — e que investigue e julgue qualquer um, não apenas os pobres e pessoas oriundas das classes médias —, não é nenhuma quimera. A Lava Jato, assim a sociedade a percebe, criou uma ideia de que a Justiça vale para todos e que os poderosos não estão mais protegidos e podem e devem ser levados às barras da lei, se cometerem crimes. Se a sociedade não mudou, quem realmente mudou? Parte — talvez a maioria — dos políticos.

Se parte dos políticos “mudou”, desconfiados e preocupados com a extensão da Lava Jato, o governador Ronaldo Caiado continua o mesmo — daí sua sintonia com a sociedade, daí deriva sua popularidade.

O que significa o “mesmo”? Na verdade, o poder tanto revela quanto amadurece o político — às vezes para melhor, às vezes para pior (veja-se o que está acontecendo nos Estados do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e no Pará, para citar três governos denunciados por corrupção). No caso de Ronaldo Caiado, há três questões a considerar.

Primeiro, Ronaldo Caiado permanece decente — o que é crucial no aumento e na sedimentação de sua popularidade, depois de um ano e quase dez meses de governo. Sua decência estende-se ao governo. Na sua gestão, acusados de qualquer irregularidade têm o direito de se defender, mas têm de fazê-lo longe do governo. São afastados. A rigor, não há corrupção na sua gestão, não há problemas sistêmicos. Aqui e ali, pode haver alguma irregularidade, mas o governante é contundente na apuração dos fatos e não trabalha, em nenhuma esfera, para conter, por exemplo, o trabalho de promotores e procuradores de justiça. O procurador-geral de justiça de Goiás, o competente e igualmente decente Aylton Flávio Vechi, está aí para comprovar o que se está dizendo. Não há tentativas de cooptação de promotores. O governo é transparente — abre-se para a sociedade.

Portanto, o poder não mudou Ronaldo Caiado, ou melhor, radicalizou sua decência — o que a sociedade percebe e aprova. As pesquisas estão mostrando aquilo que a sociedade nota e aprova. O jornal está apenas ressaltando aquilo que as ruas já sabem. Trata-se de uma constatação, menos do que uma opinião.

Segundo, mesmo se decente, como é, se não estivesse bem em termos administrativos, possivelmente Ronaldo Caiado não estaria bem avaliado pela sociedade e, insista-se, em todo o Estado.

Ao assumir o governo, em janeiro de 2019, Ronaldo Caiado notou, de imediato, que a situação do Estado era explosiva. Havia um vulcão adormecido, derivado de jogadas fiscais, às portas da erupção.

O governador registrou o caos existente, mas não ficou chorando sobre o leite derramado. Pelo contrário, com sua equipe — da qual faz parte a notável economista Cristiane Schmidt —, decidiu, enquanto estudava a crise, ir agindo, ajustando a máquina, fazendo a lição de casa.

O governo fez um ajuste rigoroso e reduziu a renúncia fiscal. Não acabou com os incentivos fiscais; pelo contrário, fez ajustes para beneficiar não apenas empresários, mas também o governo e, daí, a sociedade. Gastos da gestão foram cortados e readaptados. O custo da máquina ficou menor, o governo não atrasou salários do funcionalismo e manteve, reordenado, o programa social.

A sociedade percebe que, ao contrário de outros Estados, em Goiás não há caos. Recentemente, um fotógrafo do Jornal Opção, Fernando Leite, acidentou-se, junto com mais dois colegas, e, estando no Mato Grosso, buscou socorro médico em Cuiabá. Ficou impressionado com a diferença da estrutura de saúde em Goiás — mais eficiente e aparelhada — e a de lá.

Veja-se o caso da pandemia do novo coronavírus. Médico por formação, Ronaldo Caiado operou rapidamente na construção de uma estrutura para atender os pacientes com Covid-19, e em todo o Estado (vale notar que Goiás é maior do que Cuba, Israel e Portugal juntos, ou seja, é um Estado gigante). Ciente de que a vida é o que importa, até por não ter estepe, no período mais agudo da pandemia, o governador incentivou o isolamento social. Mostrou tanto coragem — por enfrentar os críticos economicistas — quanto responsabilidade social. A sociedade aprovou o que fez. Porque o governador mostrou que gosta de gente, que respeita a vida. Ficou evidente que, ao defender a vida contra o poderoso economicismo, não é populista. Faz o que é certo.

Na sexta-feira, 9, o Jornal Opção publicou: “De acordo com Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na quinta-feira, 8, Goiás é o segundo com maior crescimento industrial no mês de agosto. O setor cresceu 2,8% na variação que compara os últimos 12 meses. Foram avaliadas 15 unidades federativas, das quais apenas duas apresentaram resultados positivos: Goiás e Rio de Janeiro (4,1%). A média nacional foi uma retração de -5,7% na evolução dos últimos 12 meses”. O dado mostra o sucesso das ações do governo e, claro, dos empreendedores.

Terceiro, há o político. O homem decente e o gestor competente eram esperados. Mas o poder revelou um político melhorado, realista e agregador. Na disputa pela Prefeitura de Goiás, recentemente, os goianienses viram os candidatos do PSD, o senador Vanderlan Cardoso, e do MDB, o ex-governador Maguito Vilela, numa disputa pública pelo apoio de Ronaldo Caiado.

O motivo é prosaico: muito bem avaliado em Goiânia, Ronaldo Caiado é mais do que um cabo eleitoral, é um general eleitoral influente. Ele transfere votos para aquele que vai apoiar — no caso, Vanderlan Cardoso.

Desde já, e com rara habilidade, Ronaldo Caiado está operando a ampliação de sua base político-eleitoral para continuar governando (a governabilidade) e, sobretudo, para a disputa de sua reeleição, em 2022. Ele tem conquistado novos apoios, de políticos consistentes, como Vanderlan Cardoso, um senador, Lissauer Vieira, do PSB, presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Roberto Naves, do Progressistas, prefeito de Anápolis; e, entre outros, o deputado estadual Diego Sorgatto, do Democratas, o favorito para prefeito de Luziânia, a maior cidade do Entorno de Brasília.

A tendência é que governos cheguem ao final menores, com aliados abandonando a aliança. No caso de Ronaldo Caiado, sua aliança de 2018 não sofreu fissuras. Pelo contrário, está mantida. Com o detalhe de que sua frente encorpou, ganhando musculatura, com o apoio de novos aliados. Políticos dizem que o governador é duro no estabelecimento de compromissos. Mas, quando os assume, cumpre-os. Não fica tergiversando, enganando os interlocutores.

Ronaldo Caiado conseguiu, portanto, em menos de dois anos de governo, se mostrar eficiente como gestor e como político — com forte conexão com a sociedade. Daí sua popularidade. Então, quer dizer que Caiado não mudou? Na verdade, mudou — para melhor, e preservando valores essenciais, como a decência pessoal. Enquanto outros gestores — como Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, Hélder Barbalho, do Pará, Carlos Moisés, de Santa Catarina, também mudaram, só que para pior.

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