Com a alteração do Imposto de Renda, que isentou a faixa salarial que ganha até R$ 2.640,00, a economia brasileira deve faturar com isso. É que os R$ 6,7 bilhões que o governo federal deixará de arrecadar dos contribuintes por ano será injetado diretamente no comércio.

Os cálculos positivos para a economia foi feita pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco). A entidade projeta que haja uma queda de 1,3 milhão de contribuintes. A nova regra passou a valer pela Medida Provisória (MP), de nº 1.171. Ela altera a base de cálculo, aumentando a faixa de isenção da tabela progressiva a partir deste mês. A proposta deve ser apreciada pelo Congresso Nacional.

O presidente da Unafisco, Mauro Silva, enfatiza que essa isenção maior na tabela do IR dará perda de receita para a União, mas, por outro lado, a população será beneficiada. Isso porque o dinheiro estará à disposição para uso do consumidor. Ele estima que os valores serão aplicados diretamente na economia, impactando diretamente no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpra a promessa de campanha da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, o impacto positivo na economia pode ser ainda maior. Cabe destacar, que a tabela desse tributo, com desconto diretamente na fonte de ganhos dos contribuintes, não tem reajuste integral desde 1996. A Unafisco pontua que a defasagem chega a 148%. Assim, o reajuste integral do imposto é uma das principais reivindicações e reclamações do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

O coordenador da Comissão do Imposto de Renda 2023 do CFC, Adriano Marrocos, lamenta que não haja nenhuma iniciativa política para alterar a sistemática de cálculo. Segundo ele, agora, apenas foram retirados aqueles que recebem até R$ 2.112 da primeira faixa.

Isenção de R$ 5 mil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista a uma rádio, disse não saber se atualmente é possível a isenção do IF para a faixa de R$ 5 mil. Ele reforçou que o governo seguirá avançando nesse assunto. “Temos tempo, porque os próximos dois anos estão programados. Chegar a esse patamar é desafiador, mas é uma determinação presidencial.”

Haddad considerou que a isenção de até R$ 4 mil poderá ser alcançada em 2025. A reforma do IR deve ser encaminhada para o Congresso Nacional apenas no segundo semestre deste ano.


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