Durante o governo de Jair Bolsonaro, o Cadastro Único (CadÚnico), sistema utilizado pelo governo federal para registrar os beneficiários de programas sociais, atingiu o maior número de usuários na extrema pobreza desde sua criação em 2001. Ao todo, são 49 milhões de brasileiros, ou 23% da população, que precisam da ajuda do governo por não ter renda suficiente para sobreviver ao mês, conforme apurado pelo UOL.

Em 2019, quando iniciou seu mandato, Bolsonaro encontrou um país com 39 milhões de brasileiros na condição de extrema pobreza, definida pela legislação brasileira como famílias que vivem com renda per capita de até R$ 105 por mês. Agora, em setembro e próximo ao fim de seu mandato, o número aumentou em 10 milhões de pessoas para 49 milhões.

É através do CadÚnico que o governo dá direito ao recebimento e participação às políticas sociais, como o Auxílio Brasil, Tarifa Social de Energia, BPC e outros. Seus dados são utilizados também pelas esferas federais, estaduais e municipais para elaborar novas políticas públicas de combate à pobreza.

O aumento no número de famílias na extrema pobreza dá respaldo à pesquisa da Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), que revelou que 33,1 milhões de brasileiros se encontram em situação de insegurança alimentar.

Os resultados da pesquisa foram contestados publicamente por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Em uma entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, o presidente afirmou que não vê pessoas “pedindo pão” nas portas das padarias do Brasil. Já Guedes se limitou a dizer que os dados eram uma “mentira”.