Arquiteta que ajudou a pensar Goiânia ganha exposição sobre vida e obra na capital
04 setembro 2026 às 11h35

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A vida da arquiteta Jacira Rosa Pires recebeu uma homenagem e ganhou uma exposição no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) e no Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis, na Casa Rosada de Goiânia.
Com curadoria do escritor Nilson Jaime, a exposição, intitulada “Vida e Obra”, reúne livros e objetos que contam um pouco da trajetória de Jacira e muito sobre a própria história de Goiânia, como ela mesma revelou à reportagem do Jornal Opção.
“Ele vai encontrar muito sobre a história de Goiânia. A cidade já nasceu com uma ideia nova de planejamento urbano, com vias largas e arborizadas e edifícios independentes nos lotes”, destacou a arquiteta.
Entre os itens apresentados está o livro Goiânia, cidade pré-moderna do Cerrado, uma das obras que Jacira considera importantes para compreender a formação da capital. Segundo ela, Goiânia foi criada em um momento de transformação do planejamento urbano, ainda antes do período considerado moderno no Brasil, marcado posteriormente pela construção de Brasília.

Para Jacira, as características adotadas no projeto da capital goiana, como as vias largas e arborizadas e os edifícios independentes nos lotes, representaram uma novidade para Goiás e contribuíram para o crescimento da cidade.
A relação de Jacira com a capital, no entanto, não ficou apenas nos livros. Ao longo da carreira, ela esteve diretamente envolvida com o planejamento da cidade. Passou pela Companhia de Habitação (Cohab) e retornou diversas vezes ao Instituto de Planejamento Municipal (Iplan), onde, segundo ela, consolidou boa parte de sua formação profissional. “Minha vida foi pautada pelo planejamento de Goiânia. Sempre trabalhei nele”, contou.
Por isso, receber uma exposição sobre a própria trajetória teve um significado diferente para a arquiteta. Jacira conta que ficou emocionada quando soube da homenagem. Ela imaginava que sua vez ainda demoraria a chegar e, naquele momento, tinha dois livros em andamento que gostaria de concluir antes da exposição.
Mesmo sem conseguir terminar os projetos como gostaria, decidiu seguir com o material que tinha. “É muito gratificante ter essa homenagem, porque você recorda toda a sua trajetória de vida, sua trajetória de trabalho, sua trajetória de planejamento”, afirmou.
O futuro que Jacira imagina para Goiânia
Entre os trabalhos que mais chamam sua atenção está o projeto “Goiânia-Cidade Vida Verde”, desenvolvido em 2008 e retomado atualmente. A proposta voltou a avançar pelas mãos do vereador Anselmo, que, segundo Jacira, assumiu a responsabilidade de encaminhar oficialmente o projeto.
Para ela, a iniciativa chega em um momento importante. Goiânia cresceu e continua crescendo, mas o ritmo acelerado desse processo também trouxe problemas que hoje fazem parte da rotina de quem vive na capital. “O aceleramento tem provocado muitos desconfortos no trânsito”, afirmou.
A preocupação da arquiteta, porém, vai além dos congestionamentos. O projeto também busca chamar atenção para as áreas verdes e para a relação da cidade com os espaços naturais.
É justamente nesse ponto que Jacira enxerga o que chama de “futuro de Goiânia”: uma cidade que continue crescendo, mas sem abrir mão da qualidade de vida de quem vive nela. “Esse plano pretende retomar esse cuidado que a gente tem que ter com as áreas verdes, com os ambientes, com a qualidade de vida do morador”, explicou.
Para ela, preservar não significa impedir que a capital avance. Goiânia vai continuar crescendo, mas esse crescimento precisa levar em conta aquilo que já existe no território.
Um recado para quem vai construir a próxima Goiânia
A preocupação com a natureza também aparece no conselho que Jacira deixa para os novos arquitetos. Depois de acompanhar diferentes momentos da história da capital, ela acredita que as próximas gerações terão um papel importante na maneira como Goiânia vai se desenvolver.
O pedido é simples: que o crescimento não venha acompanhado do abandono dos espaços naturais. “Tenham cuidado com a natureza dentro da cidade”, disse.
Jacira cita como exemplo os córregos que, segundo ela, acabam sufocados dentro do espaço urbano e as áreas verdes que são ocupadas. Para a arquiteta, é possível aceitar a evolução da cidade sem deixar de respeitar esses espaços. “Eles têm que avançar e aceitar que a cidade cresce. Mas, nessa extensão de crescimento, é preciso respeitar a natureza existente naquele espaço.”
A exposição “Vida e Obra” acaba, assim, indo além da trajetória de uma arquiteta. Ao reunir livros, documentos e objetos de Jacira, também recupera parte da história de uma Goiânia que nasceu com uma proposta urbanística própria e coloca em discussão qual cidade será deixada para as próximas gerações.

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