Goiás registrou, entre janeiro e abril deste ano, 32.781 acidentes de trânsito. O número equivale a 11 ocorrências por hora, totalizando 273 registros por dia e 8.195 ao mês. No mesmo período do ano passado foram registradas 32.502 ocorrências, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Ou seja, um aumento de 0,8%.

Conforme a SSP, em 120 dias, 446 pessoas perderam a vida no trânsito goiano. A capital, inclusive, foi responsável por 35,5% dos acidentes registrados em 2023. Foram 11.638 registros, um aumento de  2,2% se comparado ao mesmo período do ano passado (11.384 ocorrências). 

No último sábado, 24, por exemplo, o jogador de pôquer Marco Aurélio Rocha da Silva, morreu após bater o carro contra uma placa de trânsito, na BR-060, em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. O carro chegou a partir no meio com o impacto. Ele voltava para casa, em Guapó, após ganhar mais de R$ 28 mil em um campeonato de cartas.

“Ainda não sabemos o que pode ter acontecido. Ele me ligou antes de vir embora, falou que havia acabado de sair e que estava muito feliz por ter ganhado o campeonato de pôquer. Era o sonho dele”, contou a viúva de Marco,  Thayná Lacerda, que está grávida.

A mulher explicou que ligou para Marco porque ele estava demorando a chegar, mas que quem atendeu o telefone foi um dos bombeiros que participaram da ocorrência. Neste momento, o oficial contou a Thayná que o jogador havia sofrido um acidente e que a família deveria ir “preparada” ao local porque o marido dela havia morrido.

“No laudo não foi constatada embriaguez. Algumas pessoas falaram que ele tentou desviar de um cachorro e perdeu o controle, outras falaram que ele dormiu no volante e acordou assustado. Meu marido não tinha o hábito de correr. Meu esposo morreu sendo um campeão”, afirmou.

Imprudência 

Entre as principais causas do aumento no número de acidentes de trânsito está a imprudência, de acordo com o delegado da Delegacia de Crimes de Trânsito (Dict), Hellyton Carvalho. Outro fator determinante é o número de veículos em Goiás, que também influencia a quantidade de ocorrências. O estado, por exemplo, possui uma frota de mais de 4,5 milhões de veículos. 

O número representa 63,2% da população goiana, de 7,2 milhões de habitantes, de acordo com o Censo de 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

“Dentre as principais causas está o estado de conservação das nossas vias, além das fatalidades que costumam ocorrer inevitavelmente. Porém, a grande maioria dos acidentes ocorrem devido ao desrespeito das leis de trânsito, como com as sinalizações”, explicou.    

Entre as principais vítimas do trânsito estão os motociclistas, conforme o delegado. Apenas no ano passado, a Dict registrou 200 mortes, em Goiânia. Deste total, 115 (57,9%) eram motociclistas. Hellyton afirma que grande parte dos óbitos foram provocados pelos próprios condutores.

“A educação é a principal forma de combater e prevenir acidentes. A grande maioria dos crimes de trânsito que chegam para a gente envolvem homicídio culposo ao volante e lesão corporal culposa ao volante, além da embriaguez ao volante”, concluiu.