Mesmo com o clima desértico, Goiás registrou um aumento de 163,1% no número de raios que caíram sobre o solo goiano em 2023. Em 10 meses, conforme levantamento da Equatorial, o estado contabilizou quase 10 milhões de descargas elétricas atmosféricas. Uma média de nove raios por segundo ou 550 a cada minuto. Em todo o ano passado o número de fenômenos naturais chegou a 3,8 milhões.

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A incidência das descargas, que podem ter uma intensidade mil vezes maior do que a de um chuveiro elétrico, varia de acordo com o tamanho do território do município. As cidades de Niquelândia, Cristalina, Rio Verde, Porangatu, Jataí e Formosa, por exemplo, estão entre as mais impactadas.

Entre as principais causas do aumento, de acordo com o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do estado (Cimehgo), André Amorim, está o calor atípico vivenciado por Goiás durante todo o ano. O especialista afirma que as altas temperaturas influenciam na formação de tempestades e, consequentemente, de raios.

“Os raios provenientes de nuvens que caem no solo são os mais comuns. Temos também os raios entre nuvens, que ficam transitando de uma nuvem para outra, realizando essa troca de energia. Tem ainda uma descarga atmosférica que se chama solo nuvem. Ela parte do solo para cima, podendo ocorrer até com o tempo aberto, mas a probabilidade é muito baixa”, afirmou. 

André afirma que é preciso tomar cuidado ao ficar exposto durante tempestades devido a alta possibilidade de ser atingido por um raio. O gerente afirma que as chances de um indivíduo ser atingido, principalmente em zonas rurais, é grande, diferente do que muitos pensam. 

“Se a pessoa estiver andando no pasto durante uma tempestade, as chances do raio colher ele ou atingi-lo são grandes, visto que entre o céu e a terra, ele é o objeto mais alto. Na cidade, as chances de ser atingido são mais baixas por conta dos prédios e postes com para-raios. Funciona como se fosse uma proteção”, disse.  

Raio cai em pescadores 

Um dos quase 10 milhões de raios caiu sobre o eletricista Emerson Milhomen, de 40 anos, e o amigo Flávio Esteve, durante uma pescaria no Lago Serra da Mesa, em Minaçu. O incidente ocorreu no início de outubro.

Emerson contou que ele e o amigo estavam pescando em uma canoa quando perceberam que o céu havia fechado. Momentos depois começou a chover e relampejar, fazendo com que eles procurassem abrigo em uma ilha.

“Tinham muitas rochas no local, ficamos próximo a uma rocha e largamos a canoa na margem. De repente, recebemos a descarga elétrica. Foi um choque diferente, perdemos os movimentos do braço e das pernas, não conseguimos nos locomover. Minhas roupas rasgaram e sofri queimaduras pelo corpo”, contou.

Ao levar o choque, conforme Emerson, a dupla manteve a consciência, mas ficou cerca de 20 minutos sem conseguir se mexer. Os dois, no entanto, conseguiram se arrastar até a canoa e, depois de recuperarem parte das ações do corpo, foram para a cidade.

“Quando o raio atingiu a gente, estávamos a três metros de distância um do outro. Todo mundo está sujeito a isso [ser atingido por um raio], mas a gente nunca imagina que isso pode acontecer com a gente”, concluiu. 

Emerson teve as roupas rasgadas e queimaduras provocadas pelo raio | Foto: Arquivo pessoal