Limite e superação. Palavras fortes que definem a história de vida da fisioterapeuta Roberta Marques Rodrigues, de 29 anos. A profissional, que hoje ajuda pacientes da capital a se recuperarem de sequelas da Covid-19, também precisou do auxílio de profissionais da área de atuação aos 14 anos. Isso porque, no ano de 2007, ela desenvolveu uma doença considerada rara e sem diagnóstico preciso.

Segundo Roberta, desde a descoberta da foram seis crises entre os anos de 2007 e 2018 que a levaram a intubações e meses de internação. Em alguns momentos, Roberta precisou estudar no hospital para não deixar escapar o sonho de trabalhar na área da saúde. Ela diz que fez grande parte do terceiro ano do ensino médio na unidade e teve que trancar a faculdade por conta das complicações da doença.

“Meu corpo começou a paralisar. Começou nas pernas e eu não conseguia mais andar. Foi subindo para o tronco e braços, logo tinha paralisado o meu diafragma e eu já não conseguia mais respirar sozinha. Fui para a UTI e lá fiquei respirando por aparelhos. Foram meses hospitalizada. Passei da UTI para o quarto e depois fui para o hospital fazer reabilitação. Foi um processo difícil e complicado até voltar a andar. Ainda hoje não sabem qual doença causou essa reação no meu corpo”.

Sonho

A fisioterapeuta conta que sempre teve o desejo de trabalhar na área da saúde, mas que o sentimento aflorou durante o período em que esteve internada na UTI. Ao ver o sofrimento das pessoas que a cercavam na unidade de saúde, Roberta teve certeza de que o seu lugar era entre aquelas pessoas, mas não como paciente, e sim como uma profissional para ajudá-los.

“Eu sempre gostei de cuidar. Mas, depois de todo o sofrimento na UTI, tive a certeza que essa era a minha missão. Tudo ficou claro e eu não tive nenhuma dúvida que era esse o propósito de Deus na minha vida: cuidar de pessoas. O carinho e o cuidado humanizado fazem parte dos meus protocolos. E juro, não tem recompensa maior do que o carinho deles comigo”, conta.

Pacientes

O comerciante Paulo Sergio Galvão, de 55 anos, foi um dos pacientes da fisioterapeuta. O homem diz que contraiu Covid-19 em 2021 e chegou a ficar com 95% do pulmão comprometido. Para ele, a ajuda de Roberta foi de extrema importância para a recuperação fora e dentro do hospital.

“Quando dei entrada no hospital, fui piorando drasticamente. Precisei ser transferido de unidade com recomendação de intubação, mas não foi preciso porque tive acompanhamento de fisioterapeutas durante os 30 dias que fiquei na UTI. A Roberta integrou o grupo de profissionais e me ajudou muito na recuperação. Ela é muito zelosa, uma ótima profissional. Depois que saí do hospital foram mais 45 dias de tratamento com ela em casa”.

Paulo diz que o cuidado e o carinho da fisioterapeuta fizeram nascer uma forte relação de amizade. A profissional, inclusive, começou a fazer parte da família, de acordo com o comerciante. 

“Por toda sua história de superação, acho que ela se empenha muito no que faz, principalmente por já ter vivido o que seus pacientes passam. Ela sabe das necessidades que o paciente tem. Hoje ela é de casa, se tornou uma grande amiga da minha filha, da sobrinha e da minha mãe”, concluiu.