Carnaval, para muita gente, é sinônimo de sexo e pegação. E essa expectativa com a data pode acabar criando nas pessoas um aumento no desejo sexual e uma propensão maior ao comportamento de risco, como o sexo sem preservativo, por exemplo. No entanto, dados do Portal da Transparência do Registro Civil não corroboram para essa falácia.

De acordo com os registros de nascimento que foram feitos em Goiás em 2022, março foi o mês em que mais crianças foram registradas no Estado. Isso quer dizer que, em média, elas foram concebidas no mês de junho, época em que se comemora o Dia dos Namorados e as festas juninas.

Fazendo as contas, as crianças que foram geradas no Carnaval, que no ano passado ocorreu entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março, teriam que ter sido registradas entre novembro e dezembro, meses que o ocupam, respectivamente, a 8ª e a 7ª colocação no ranking do número de registros de nascimento nos cartórios goianos. Ou seja, a data pode até estimular as pessoas a fazerem mais sexo, mas esses números dão indícios de que, se há mais atividade sexual no período, há também mais prevenção com métodos contraceptivos, por exemplo.

Para se ter uma ideia, o mês de abril é o sexto em que mais crianças foram registradas. Isso permite dizer, portanto, que o mês de julho, época da temporada de férias no Araguaia, é mais fértil que o Carnaval em Goiás. No entanto, para a gerente de Atenção Primária da SES-GO, Ticiane Peixoto Nakae, essa analogia não pode ser feita com relação às infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, que muitas vezes não são detectadas em um curto prazo.

Pensando nisso, o Governo tem feito campanhas para estimular o sexo seguro no Carnaval como forma de prevenção de ISTs.

Só neste ano em Goiás, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) já distribuiu aos municípios 855.648 preservativos masculinos, 22.900 preservativos feminino e 18.700 géis lubrificantes, além de 181.440 testes rápidos de HIV/sífilis e Hepatites B e C.

No último fim de semana, durante o pré-carnaval de Goiânia, foram distribuídos 8 mil preservativos na festa de rua. “É uma festa com grande consumo de bebidas, o que propicia o comportamento de risco, como o sexo sem preservativo. Por isso, a gente leva o preservativo até o evento, facilitando o acesso com a esperança de que a pessoa se proteja”, explicou a gerente.

Todas as unidades de atenção primária à saúde estão preparadas para acolhimento e realização de testes rápidos de ISTs e distribuição de preservativos – e não apenas no período do Carnaval, mas durante todo o ano. Em todo o Estado, existem 19 unidades de Centro de Testagem Anônima (CTA) e 16 de Serviço de Atendimento Especializado (SAE) em IST/aids.

Mesmo assim, durante todo o mês de fevereiro, estão sendo oferecidas testagens e distribuição de preservativos em pontos estratégicos de Goiânia: terminais de ônibus do Dergo, Praças A e da Bíblia, Padre Pelágio e Novo Mundo, além do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer).

A SES também repassa orientações aos municípios quanto a realizações de ações fora das unidades, com foco na distribuição de material informativo, preservativos e orientações à prática de sexo seguro.