Não é difícil encontrar mamíferos, répteis e até aves mortas por atropelamento em rodovias. Em Goiás, por exemplo, foram registrados 108 acidentes com animais nas pistas federais entre 2021 e 2023. O ato de atropelar um animal e não prestar socorro é considerado crime de maus-tratos, com pena de até cinco anos de prisão.

O ano com a maior incidência foi 2021, responsável por contabilizar 53 acidentes deste tipo, conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Destes, nove foram considerados graves. Ao todo, 61 pessoas ficaram feridas e uma morreu.  

Em 2022, o número de acidentes caiu 7,5%, passando de 53 para 49. Os registros de feridos também sofreram queda de 9,8% (55 casos). Em contrapartida, o número de vítimas mortas (2) e acidentes graves (12) saltou 100% e 33,3%, respectivamente.

Já em 2023, até o mês de junho, foram 19 acidentes, sendo 4 graves, que resultaram em 19 feridos. Nenhuma pessoa morreu. Apenas no mês passado, por exemplo, dois filhotes de tamanduá bandeira foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros em Pirenópolis e Itaberaí. Eles estavam “grudados” nas mães, que foram mortas após serem atropeladas. Os “pequenos” foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).

Seca requer cuidados na pista 

Segundo o inspetor da PRF, Newton Morais, o número de acidentes com animais na pista tende a aumentar entre os meses de junho e outubro, devido às queimadas que assolam o estado com a predominância da seca. Buscando fugir da fumaça e do fogo, os animais costumam buscar abrigo às margens das rodovias ou até mesmo em outras matas, fazendo com que eles precisem cruzar as pistas.

Entre as principais “vítimas selvagens e domesticadas” está o gado, cavalos, cobras, aves de grande porte, tamanduás, primatas, cães, tatus, gambás e até jabutis. 

“O motorista deve ficar atento ao passar por locais de baixa visibilidade, onde há reserva ambiental. À noite, principalmente, deve ser redobrada atenção porque o risco de se envolver em acidentes com animais é maior. Qualquer desvio de um animal ou batida pode provocar o desvio de pista, seguido de capotamento”, explicou Newton. 

O inspetor orienta que, caso o condutor atropele ou veja um animal sendo atropelado, é necessário sinalizar o perímetro para evitar novos acidentes. A sinalização pode ser realizada com galhos ou os próprios acessórios do veículo, como o “triangulo”.

“O Corpo de Bombeiros e a PRF, em caso de rodovias federais, devem ser acionados para prestar o socorro tanto ao animal quanto ao motorista se porventura ele estiver ferido”, concluiu. 

Filhote de tamanduá sendo resgatada após a mãe ser atropelada. (Vídeo: Divulgação/Corpo de Bombeiros)