Iúri Rincon Godinho

Especial para o Jornal Opção

O Brasil veste contra a Croácia uma combinação de uniforme inédita. Não gosto disso. É assim que as maldições começam. “Brasil nunca mais usará esta combinação porque com ela fomos eliminados na Copa de 2022.” Tenho 58 anos e 58 mil superstições. Isso só no futebol.

Croácia feliz e o Brasil triste: não dá para ser alegre o tempo todo | Foto: Reprodução

Lula da Silva parece querer ser esquecido, anunciando ministros faltando uma hora pro jogo. Como todos sabem, Copa é mais importante do que política, religião e sexo somados. Definiu cinco ministros importantes. Todos para brancos. Mas faltam uns 250 ministérios, dá para contemplar a diversidade brasileira. (Mas, pensando bem, no lugar de comentar a derrota, eu deveria falar do ministério.)

Começou o jogo. O país a gente deixa pra depois. Bora, Brasil.

Rodrygo: por que deixaram o menino bater o primeiro pênalti? | Foto: Reprodução

Dez minutos e a Croácia mostra que não é as babas que pegamos até aqui. Viril, bem armada. E eles tem o zagueiro número 20 que joga de máscara. Ou seja, o Batman é do time deles. Por um momento, cheguei a pensar que o time da Croácia era o Brasil disfarçado, pois colocaram a seleção do Tite na roda.

Nitidamente provocam os brasileiros. Pelo tanto que a TV mostra o técnico croata, o Tite não deve ter ido ao jogo. E notaram o tanto que o auxiliar dele lembra o Janones? Até cheguei a confundir o Tite com o Haddad.

Cleber Xavier e Tite: pelo menos o auxiliar parece o Janones | Foto: Reprodução

Termina o primeiro tempo. Placar moral: Croácia 1 (teve mais vontade) X Brasil 0.

Voltamos melhor, levamos relativo perigo ao gol. O Brasil não joga mal. A Croácia é boa. Nossa seleção não é 1970, 1982, mas bom time, assustamos e quase chegamos ao gol no início do segundo tempo.

Placar moral Croácia 1 X Brasil 3.

Neymar: experiente, deveria ter batido o primeiro pênalti | Foto: Reprodução

A prorrogação vinha morna e o Brasil fez o que já fez tantas vezes, o tal talento individual. Neymar atravessa no meio um adversário, dribla o goleiro provando que em seu peito bate uma pedra. Gol. Neymar é nosso Romário, que no sonolento time de 1994 ia lá e metia a bicuda, resolvendo a parada.

As ruas acordam. Até os postes soltam foguetes. A prorrogação segue em banho-maria.

Um passe para o meio da área brasileira, o joelho do Marquinhos. Gol comum da Croácia.

Pênaltis. A única imagem na minha cabeça é o Zico errando o penal contra a França e eliminando o Brasil em 1986. O Zico, entenderam? O Zico errando pênalti.

Rodrigo e Marquinhos são os nossos Zicos. Cara, como têm coragem de colocar um menino de 21 anos para bater o primeiro pênalti! Por que Neymar e Casemiro se omitiram? Cadê a liderança? Não tem, estava de férias.

Vamos cuidar da vida. Falar mal dos políticos.

Acabou.

2026 tem mais. Meninos, não chorem.