Romualdo Pessoa Campos Filho

Ótima entrevista do Jornal Opção com o professor Altair Sales Barbosa (edição 2112). Mas o título [“O São Francisco já não é mais um rio. E a transposição vai decretar seu fim definitivo”] me parece desproporcional com o conteúdo abrangido. Creio que em 70% da entrevista, ele trata dos problemas relacionados ao Cerrado, com foco principal na confluência dos Estados da Bahia e de Goiás. Aliás, é pelo Cerrado, e principalmente em Minas, que começam os problemas da Bacia do São Francisco, com a destruição de uma quantidade cada vez maior de veredas, fontes por onde brotam as águas que tornaram o Cerrado a “caixa d’água” do Brasil, como dizia Guimarães Rosa.

Claro que o professor aborda com precisão os riscos da transposição. Mas ainda creio que, dadas as circunstâncias do agreste nordestino, as saídas não são muitas. A quantidade de rios que deixaram de ser perenes é impressionante. O que, aliás, já começa a acontecer também em Goiás, campeão de irrigação com pivô central. Aqui ainda há tempo de conter a mesma destruição que gerou o sertão nordestino. Já assisti outras exposições do professor Altair Sales, e ele fala com uma segurança impressionante. Mais impressionante ainda foi a PUC-GO [Pontifícia Universidade Católica de Goiás] ter prescindido dessa experiência que ele tem acumulado.

Romualdo Pessoa Campos Filho é professor do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da UFG.

 

“Fico triste com as previsões sobre o Cerrado”

Luiz Fernando Pegorer

Papai teve um sítio no Cerrado do Triângulo Mineiro e fico triste com as previsões. Existiam lindas palmeiras de buritis por lá e uma biodiversidade maravilhosa. As autoridades não têm um mínimo de respeito pelos profissionais de engenharia e isto tem muito a ver com a falta d’água também, pois o “negócio é levar vantagem em tudo, certo?”. O Rio Bom Jardim passava pelo sítio e a água que nascia lá e corria sob as árvores era leve e gelada. A gente tomava litros de água sem sentir.

Meu pai, muito honesto e idealista, me transmitiu seus valores, mas como todo homem honesto em país de cultura criminosa, não se aguentou e faliu. Teve de vender o sítio. Eu era seu Sancho Pança de todas as horas e trabalhos, e tinha comprado uma égua que se transformou em uma tropa que vivia solta nos 60 alqueires sem cercas internas. Chorei ao dar os cavalos para ele vender, pois eram de estimação. Olhei recentemente o Google e na região consta hoje um algodoeiro.

Luiz Fernando Pegorer é engenheiro civil.

 

“Rica contribuição sobre o drama do Velho Chico”

Donizete Santos

Esta entrevista é mais uma rica contribuição do pesquisador Altair Sales Barbosa e do Jornal Opção, que, em uma linguagem simples e direta, compreensível até a governantes — que alegam sempre nada saber sobre coisa alguma — e a seus defensores, diz o que nos aguarda com a morte anunciada do “Velho Chico”

 

“Trocados que compram Ferraris, mas não a vida”

Mauro Henrique Dias da Cruz

Muito boa matéria. É sabido que a vida sempre acha uma brecha para sobreviver, mas é uma grande perda destruir essa biodiversidade por uns míseros trocados, que compram Ferraris, mas não compram a vida.