Viviânia Medeiros

Apaixonei-me pela obra de Carlos Sena quando eu ainda era pequena, criança mesmo. Lembro das vernissages no Teatro Goiânia. Aquelas mulheres brancas, com corpos magros e expressões tão marcadas me chamaram muito a atenção. As telas muito coloridas sempre, e cheias de detalhes. Até mesmo um simples papel de parede tomava outra dimensão pelos olhos de Carlos Sena. Anos mais tarde, uma década mais ou menos, meu irmão, Valmer Araujo Medeiros, decidiu fazer Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás (UFG). E eis que fiquei bem mais perto daquela arte que eu conhecera pelas telas de Carlos Sena. Muita luz, tranquilidade e excelente retorno à pátria celeste. Obrigada por tudo.

Viviânia Medeiros é jornalista.

“Muito cedo para morrer uma pessoa de raro talento”

Maria José Silva

Grande perda a morte de Carlos Sena. Apesar de a arte dele manter-se viva, sua presença fará falta pelo educador e artista que foi. Sessenta e dois anos é muito cedo para uma pessoa de raro talento morrer.

Maria José Silva é jornalista.

“Sempre um inovador criativo”

Aunersa Lima

Fui colega de turma de Carlos Sena, de 1978 a 1982, no Instituto de Artes da Universidade Federal de Goiás (UFG), que ficava na Praça Universitária, e de cuja turma saíram grandes artistas plásticos. Tínhamos grandes professores, como Cleia Costa, Maria Guilhermina, Cleber Gouveia, Maria Veiga etc. Carlos sempre foi um criativo inovador. Fará falta.

Aunersa Lima é consultora do Sebrae em marketing e vendas.

“Descanse em paz”

Joca Lima

Fui aluno dele. Graças a seus ensinamentos, em 1998, quando ingressei no curso de Artes da FAV [Faculdade de Artes Visuais da UFG], chegou a dizer que tinha já “estilo” de desenhar. Figuraça com a maiúsculo esse cara! Na defesa de meu trabalho de conclusão de curso (TCC), Sena disse que, “além do belo trabalho pictórico, o seu texto também é belíssimo, revelando o seu lado de jornalista”. Fui à loucura. Descanse em paz, nos esperando no calabouço do tempo.

Joca Lima é jornalista, cantor e compositor.

“O brasileiro tem mania de denegrir suas expressões culturais”

Otavio Henrique Soares Brandão

Lamentável a pintura o que foi feita em um prédio do Centro Cultural Oscar Niemeyer — e põe lamentável nisto. Tive a honra de ser convidado para realizar o concerto de abertura do Qwartz 2009, realizado na emblemática Coupole Niemeyer, em Paris. Verifiquei o respeito e admiração que a cultura francesa tem com o dr. Oscar. Ele é considerado em nível internacional um dos gênios do século 20. Qualquer intervenção em uma obra sua só poderia ter alguma justificativa se fosse realizada por gênios da altura do Niemeyer, como, por exemplo, Picasso [Pablo Picasso, pintor espanhol modernista].
O brasileiro, como afirmava o saudoso Nelson Rodrigues [jornalista e escritor], tem mania de denegrir suas expressões culturais e, no caso, a maior delas, que é o nosso Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho. Em Paris isto seria caso de polícia, seria o mesmo que pichar o Louvre [museu]. E creio que no Brasil também, porque não tenho conhecimento de nenhuma obra de Niemeyer pichada no Brasil. Em todo lugar do mundo as obras do dr. Oscar são consideradas como monumentos.

Otavio Henrique Soares Brandão é maestro.

“B. B. King foi imensurável e incomparável”

Adalberto de Queiroz

“E cada época reinventa o artista, a partir de novos padrões, os do momento, o que não significa um rompimento com a forma original, e sim, às vezes, uma expansão artística (ressalte-se que não há progressão linear na música).” Nada mais acertado como juízo de valor projetado ao futuro do que esse trecho do texto da coluna “Imprensa” sobre B. B. King [Jornal Opção Online, “B. B. King era o Louis Armstrong do blues, um verdadeiro rei, com súditos como Eric Clapton”].

Concordo com o crítico de “O Globo”, citado pelo jornalista Euler de França Belém, que diz “uma guitarra pungente com vibratos cintilantes e a voz marcante que expressava luxúria, saudade e amor perdido”. A história da música, da música em geral, certamente consagrará B. B. King como um dos grandes. Imensurável, incomparável, B. B. King repouse em paz!

“Cargo comissionado é dinheiro jogado no ralo”

João Paulo Silveira

Sobre a nota “Deputado tucano nomeia cunhada para cargo comissionado de R$ 3 mil” (Jornal Opção Online), assessores e secretários parlamentares são, em sua maioria, sujeitos cuja capacidade técnica é inferior à disposição e paixão política. São militantes profissionais e muitos têm forte aspiração política. Dinheiro do contribuinte jogado no ralo e que só serve para preservar e projetar grupos políticos, chacareiros locais e demais sujeitos que, como essa mulher [Susie Gomes, cunhada do deputado Iso Moreira], querem se manter vinculados ao poder.

E-mail: [email protected]

“Para quem fabrica placa de ‘aluga-se’ não há crise”

Leandro Tex

O editorial “Existe correlação entre arranha-céu e crises econômicas e financeiras?” (Jornal Opção 2080) traz uma tese interessante, uma “metáfora gráfica” dos arranha-céus sugerindo a crise econômica. Não tenho dados atualizados, mas somente em Goiânia, há pouco tempo, 9 mil imóveis esperavam por clientes (aluguel e venda). Uma certeza: para quem fabrica placas de aluga-se e vende-se não há crise.

Leandro Tex é corretor de imóveis.

“Brasil deveria ser um país com lotes maiores”

João Bosco de Carvalho Freire

Eu sou leigo no assunto e aproveito para colocar uma observação um tanto longe, mas que tem algo em comum: o Brasil, em divisão de áreas de loteamentos, seguiu e segue o modelo europeu, ou seja, lotes pequenos (enquanto temos muita terra); já nos Estados Unidos os lotes são grandes, com espaço na frente, laterais e fundo. Como país emergente — e lá atrás, em início de desenvolvimento, pobres —, deveríamos ter áreas maiores que possibilitassem o plantio de hortas que ajudassem na mantença da família.

Com o passar dos séculos e os aglomerados dos centros, criou-se a necessidade de construção de arranha-céus visando à proximidade do comércio. Já hoje temos a descentralização, com a autonomia dos setores e bairros, quase que “diversos centros” nas capitais e cidades grandes. Mesmo assim, continuam a fazer loteamentos com pequenas áreas nas periferias, onde uma horta seria de grande utilidade, além de proporcionar uma qualidade de vida melhor. Na produção de automóveis, foi o inverso, temos carros enormes “tamanho EUA”, digamos. E é raro ver um carrão com mais de um ou dois passageiros.

João Bosco de Carvalho Freire é advogado.

“Se isso não for bolha, não sei como se chama”

Alberto Nery dos Santos

Um ótimo texto que deu um passeio desde a famosa bolha imobiliária até o discutido a respeito do nosso Código de Posturas. Não acredito que haja a maldição dos arranha-céus. O que existe é que os empresários da construção civil foram com muita sede ao pote e valorizaram demasiadamente as obras; o povo não tem dinheiro nem os bancos estão dispostos a emprestar porque ninguém pode ter certeza de que vai cumprir seus compromissos. Mas que a coisa está ficando feia está. Ontem mesmo um corretor me ligou dizendo que o apartamento que ele havia me mostrado há alguns meses por R$ 270 mil agora está valendo R$ 215 mil. Se isso não for bolha imobiliária, não sei como se chama.

E-mail: [email protected]

“Poderemos ter um estoque de apartamentos”

Everaldo Leite

A bolha no Brasil foi de crédito, o que elevou os preços dos imóveis (demanda maior que a oferta). Agora vai cair, pelo menos até um limite. Se não vender, virará um estoque de apartamentos espalhado pelas cidades.

Everaldo Leite é economista e professor.