Frederico Jotabê
Frederico Jotabê

E o MDB caiu na roda

Para sucessão de 2022, mais se viu o MDB envolto no debate de ter ou não candidato do que em propostas alternativas para o governo do Estado

Para bom boleiro ou apaixonado por futebol, o título acima é quase autoexplicativo. Mas para quem não tem afinidade com o jargão futebolístico, “sigue la pelota” que nas próximas (bem ou mal) traçadas linhas tentarei explicar. 

O MDB ainda é uma das principais forças políticas de Goiás, mesmo com sucessivas derrotas ao governo desde 1998. O resultado das últimas eleições municipais reforça essa posição da legenda. 

O partido conquistou uma avassaladora vitória em Aparecida de Goiânia. Reelegeu Gustavo Mendanha com mais de 95% dos votos válidos e manteve sua hegemonia na segunda maior cidade do estado, que foi iniciada por Maguito Vilela, em 2008. A fatura estava tão liquidada no município que Mendanha ajudou a reforçar a campanha da legenda em Goiânia.

Na capital, o MDB também manteve sua hegemonia, iniciada com Iris Rezende em 2004. O partido venceu a eleição de 2020 em uma situação adversa. O candidato Maguito Vilela foi internado com Covid no início da campanha e grande parte da disputa ficou na UTI, em São Paulo, intubado. 

Mesmo com Iris negando por três vezes – ao menos – apoio a qualquer candidatura, o MDB soube aproveitar seu capital político e venceu a disputa contra um adversário, Vanderlan Cardoso (PSD), que saiu bem votado em 2016 contra Iris Rezende e eleito senador com votação expressiva em 2018. 

Além da força eleitoral, o partido saiu de 2020 com duas lideranças jovens fortalecidas. Gustavo Mendanha, pela votação expressiva em Aparecida, e Daniel Vilela, presidente da legenda, por liderar a campanha vitoriosa do pai em Goiânia. 

De lá pra cá, o rompimento de Daniel com o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) e o consequente desembarque de emedebistas da gestão municipal fizeram o partido entrar em parafuso. 

Para sucessão de 2022, mais se viu os emedebistas serem envoltos no debate sobre se o partido terá candidato ou não no próximo ano do que uma agenda sobre um projeto alternativo ao Palácio das Esmeraldas. 

Alguns fatos corroboram para isso. A visita do governador Caiado a Iris Rezende, da qual gerou a sinalização de uma candidatura do emedebista ao Senado, compondo a chapa do demista na corrida à reeleição. Outro foi o encontro do governador com Agenor Mariano, ex-secretário de Iris e que permaneceu no início da atual de Goiânia a convite de Daniel. O próprio presidente do partido mudou o tom das críticas ao líder do DEM. 

Diante dessas movimentações, as dúvidas sobre os rumos do partido aumentaram ainda mais. Já se fala do distanciamento entre Daniel e Gustavo; da possibilidade de saída do prefeito de Aparecida para outra legenda com o objeto de viabilizar sua candidatura ao governo e, por último, o ingresso do presidente da Assembleia, Lissauer Vieira (PSB), no MDB para ser companheiro de chapa de Caiado em 2022. 

Essa última é um bom exemplo para retornarmos ao título dessa análise. Tem boas chances de não ocorrer. Mas só de ser cogitada e jogada à luz, ilustra bem como o jogo está sendo jogado e para onde o MDB está sendo conduzido. Para o centro da roda e sem a bola.

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