Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Geração de emprego em Goiás é uma das mais fracas da história

Caged mostra que o primeiro quadrimestre foi o terceiro pior desde 2004, superando apenas os mais difíceis anos de crise

Geração de emprego em Goiás

Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pintam um cenário desconfortável em Goiás. Ainda que se possa comemorar o fato de o Estado ter terminado abril com saldo positivo no Caged, a análise histórica demonstra que, na verdade, o fôlego da economia goiana está curto, superando apenas o dos piores momentos da crise econômica de meados da década.

As 6.496 vagas de carteira assinada de saldo em abril, entre admissões e demissões, camuflam um dado preocupante: desde o início da série história do Caged, que começou em maio de 2003, esse foi o quarto pior desempenho para o mês. Mais alarmante: foi o terceiro quadrimestre mais fraco na geração de emprego dos últimos 16 anos.

Abertura de vagas é 25% menor

Primeiro, comparemos abril de 2019 com abril de 2018. No ano passado, nesse mês, o saldo de empregos foi de 8.721. Ou seja: houve uma diminuição de 25,5% no número de postos de trabalho com carteira assinada este ano. Em abril de 2019, a agropecuária e a indústrias de transformação contrataram menos e demitiram mais que no mesmo período do ano passado.

Ampliemos o comparativo para o primeiro quadrimestre do ano. De janeiro a abril deste ano, Goiás teve um saldo positivo, entre admissões e demissões, de 21.576 vagas com carteira assina. Em 2018, no mesmo período, o saldo foi de 27.982. Ou seja: o número de novos postos de trabalho formal foi 22,8% menor em 2019.

Agora, voltemos ainda mais no passado. O Caged disponibiliza a série histórica desde maio de 2003. Portanto, só temos os dados de abril a partir de 2004. São 16 anos para comparativo. A tabela acima demonstra o quanto abril de 2019 foi um mês fraco para o emprego em Goiás. Ele fica à frente apenas do mesmo mês nos anos de 2016, 2015 e 2006 (com esse, há quase um empate).

Isso significa que abril de 2019 só supera os anos mais graves da atual crise econômica – que demonstra resistência, conforme demonstram vários indicadores divulgados até aqui (como o Produto Interno Bruto, atividade industrial, vendas no comércio etc).

Quadrimestre é o terceiro pior da história

Se os dados de abril não são tão animadores, os dados do quadrimestre são ainda mais preocupantes. Além da já citada queda de 22% em relação ao mesmo período de 2018, a série histórica demonstra o quanto os quatro primeiros anos de 2019 foram fracos na geração de emprego em Goiás.

De 2004 para cá, apenas os primeiros quadrimestres de 2015 e 2016 tiveram menos empregos criados em Goiás, segundo o Caged (veja quadro abaixo). O melhor quadrimestre da história foi o de 2012, com mais de 55 mil vagas de trabalho com carteira assinada de saldo. Aliás, entre 2010 e 2013, Goiás viveu o período de ouro do emprego, com número de vagas abertas sempre acima da casa dos 50 mil, no primeiro quadrimestre.

O IBGE mostra outro lado da situação – e o que se revela é dramático. Goiás é o segundo Estado em que a taxa de desemprego mais subiu no primeiro trimestre de 2019 (janeiro, fevereiro e março). A alta foi de 2,5 pontos percentuais, em comparação com o último trimestre de 2018 (outubro, novembro e dezembro). Dessa forma, a taxa subiu de 8,2% para 10,7%.

Isso significa que são 400 mil desempregados em Goiás, ainda que a taxa de desemprego no Estado é muito menor que a do País (12,7%). Desses desempregados, 76 mil procuram emprego há mais de dois anos, conforme noticiou o Jornal O Popular.

O tamanho da encrenca certamente é ainda maior. Além dos desempregados, há os desalentados (aqueles que simplesmente desistiram de procurar trabalho) e os subutilizados (os que desejavam trabalhar mais do que trabalham). 

Conjuntura desafavorável

A verdade é que a conjuntura, tanto nacional quanto local, não é favorável à geração de emprego. Jair Bolsonaro e Paulo Guedes emplacaram projetos de desburocratização que podem dar um alívio para os empreendedores. O Cadastro Positivo é outra medida que pode melhorar o ambiente de negócios.

Porém, o governo federal não consegue avançar em propostas estruturais, como as reformas da Previdência e tributária. Essas, sim, de suma importância para a economia brasileira.

Em Goiás, discute-se a questão dos incentivos fiscais. O governo Caiado busca equalizar incentivo com benefício real. O argumento é que as empresas nadaram no paraíso fiscal goiano e não teriam dado a contrapartida em emprego e investimentos. A revisão dos incentivos pode gerar novas receitas para o governo, mas sempre haverá a sombra da ameaça de deserção de empresas.

Por outro lado, o comprometimento da receita com a folha de pessoal, o custeio, a dívida e os gastos obrigatórios sufocam a capacidade de o governo estadual investir.

Os analistas começam a ser tomados de pessimismo e já há no horizonte a possibilidade de mais um ano perdido na economia. Enquanto o cenário não muda, a geração de emprego seguirá seu voo de galinha.

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