“Nós passamos a ver o mundo em positivo e a cores, tal como ele é.” Alice-Maria, um dos principais nomes do jornalismo da Globo, ficou empolgada com a chegada da cor à televisão brasileira. Foi em 19 de fevereiro de 1972 que as imagens a cores da TV entravam nos lares brasileiros. O mundo seria visto como era de fato.

O livro “15 Anos de História” conta a trajetória do “Jornal Nacional”, desde o seu lançamento, em 1969, até 1984, quando comemorava sua festa de debutante, mostra a importância da chegada das cores para a televisão no Brasil. No começo da década de 1970, os satélites no espaço transmitiam ao vivo as imagens e os sons do mundo todo. Com a cor, o aparelho de televisão levaria ao telespectador as notícias do dia, o programa infantil, a novela preferida com mais qualidade. Nesse período, a Globo contratou Hans Donner para cuidar da arte das suas vinhetas. Sem a cor, seria difícil o trabalho dele.

As primeiras imagens a cores vieram do sul. A festa da uva de Caxias do Sul foi palco do primeiro registro colorido na televisão. A cor e o som se entrelaçavam na sala do brasileiro. Essa beleza toda exigiria novos aparelhos de televisão para captar a novidade que chegou ao Brasil em 1972. Pelé fazendo gol, Roberto Carlos cantando “Detalhes”, Richard Nixon enrolado em Watergate. Tudo isso ao vivo e em cores.

As emissoras de TV tiveram que investir pesado nessa nova tecnologia. Milhões de cruzeiros foram pagos para trazer novos equipamentos. A partir de 19 de fevereiro de 1972, o brasileiro veria as cores da buzina do Chacrinha, do vestido da Regina Duarte. O cabelo do Cid Moreira era grisalho na televisão preto e branco continuava grisalho na televisão colorida. O mundo como ele é.