Assim que deixou a Presidência da República em 1961, os apoiadores de Juscelino Kubitschek já lançaram a campanha presidencial pelo seu retorno em 1966. As próximas eleições seriam em outubro de 1965. O poeta Augusto Frederico Schmidt, amigo de Kubitschek e colaborador do seu governo, já tinha um slogan pronto para a campanha: “JK-65: 5 anos de agricultura para 50 anos de fartura”. Num provável segundo mandato de Juscelino Kubitschek, a agricultura seria a área principal de atuação do governo. Se a indústria foi o alvo do primeiro governo, o segundo seria o campo.

Mas não bastava apenas os apoiadores do ex-presidente sair às ruas, organizar comitês ou botons como os da foto deste post que eu tirei no Memorial JK em 2013. Juscelino Kubitschek precisava de espaço no campo político para ficar em evidência e responder às críticas que seus adversários faziam. A solução foi abrir uma vaga no Senado para que o ex-presidente pudesse ser eleito e virar um senador da República. O mineiro de Diamantina foi eleito senador por Goiás, o estado que mais se beneficiou com a construção de Brasília. Kubitschek no Senado estava bom demais até a campanha de 1965.

Mas antes de 1965 tem 1964. O golpe contra João Goulart teve apoio de Juscelino que até votou no Marechal Castello Branco para a Presidência. Os militares saíram dos quartéis e garantiram as eleições presidenciais diretas em 1965. Já tínhamos até candidatos. Além de Juscelino, pelo PSD, Carlos Lacerda era o candidato da UDN. A campanha pegaria fogo. Mas, entre 1964 e 1965 muita coisa mudou. Kubitschek foi cassado, Castello teve o mandato prorrogado e eleições presidenciais de 1965 neca de pitibiriba. Nem adiantou a choradeira de Lacerda.

Os botons com o “JK-65” viraram objetos de colecionador ou exposição no Memorial JK. É a lembrança de uma eleição que não aconteceu e de uma promessa dos militares que não se cumpriu.