O exílio é doloroso. Ter que deixar o país que nasceu e ir embora por razões políticas é muito triste. Não se sabe quando volta. Dom Pedro II foi exilado logo após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. Ele não reagiu, não convocou as tropas leais, não organizou levantes para conter os militares republicanos. Talvez o cansaço e a enfermidade consumiram a energia para alguma reação.

Dois dias depois da Proclamação, Dom Pedro II e sua família embarcaram no vapor Alagoas em direção à Europa. Talvez o agora ex-imperador olhou pela última vez para o Brasil com um sentimento de pesar ou recordando os rostos daqueles que beijavam sua mão todo santo dia e agora estavam comemorando a República. Dom Pedro II se estabeleceu em Paris. A cidade luz que tanto visitou e teve o prazer de conhecer Victor Hugo. O escritor ficou impressionado com a cultura do nosso imperador.

Do exílio, Pedro II recebia notícias do Brasil. A República ia de mal a pior. Deodoro da Fonseca querendo mais poderes, batendo de frente com o Congresso. Exército e Marinha disputando espaço no governo. Rui Barbosa teve tempo de se desculpar com o imperador.

Dom Pedro passou os últimos meses de vida morando no Hotel Bedford e costumava fazer caminhadas ao lado do Rio Sena. Certa vez, ao voltar para o hotel, ele se sentiu mal. O que era um simples resfriado se agravou para uma pneumonia. Dom Pedro II não resistiu e morreu na madrugada do dia 5 de dezembro de 1891. Os franceses prepararam um grande funeral e os restos mortais de Dom Pedro II foram trasladados para Lisboa, onde foi depositado no Panteão dos Bragança.

Enquanto isso, o governo republicano não emitiu nenhuma manifestação oficial. Quando a notícia da morte se espalhou, o povo prestou homenagens, recomendou missas pela alma do imperador. O corpo de Dom Pedro II só voltou para o Brasil em 1921, quase trinta anos depois da morte. A República da espada não tinha condições de prestar homenagem porque não estava a altura de Dom Pedro II.