“Com o desaparecimento de Monteiro Lobato do número dos vivos, perde São Paulo, perde o Brasil uma das personalidades mais vigorosas da geração que se educou e formou em plena República. Escritor, depois de ter sido fazendeiro, editor depois de ter sido escritor, agitador de iniciativas práticas, oposicionista ferrenho da ditadura getuliana, a ponto de incorrer nas iras do Catete, indo pagar no cárcere o crime de ter ideias próprias e expendê-las com desassombro, Lobato marcou toda uma existência numa linha reta que vai do berço ao túmulo.”

Esse é um trecho do texto que o jornal “Correio Paulistano” publicou em homenagem a Monteiro Lobato. O escritor morreu em 4 de junho de 1948 marcando seu nome em nossa cultura. Lobato foi pioneiro na literatura infantil despertando na mente das crianças o amor aos livros e aguçando a imaginação por meio das aventuras de Emília, Visconde de Sabugosa, Dona Benta entre outros personagens que habitavam o Sítio do Pica-Pau Amarelo. A Rede Globo, quando ainda tinha programação infantil, encenou o sítio na década de 1970 e no começo dos anos 2000.

Como consta no texto publicado no dia seguinte à morte de Lobato, ele lutou contra a ditadura do Estado Novo. O escritor escreveu uma carta ao ditador Getúlio Vargas com críticas ao governo sobre a exploração do petróleo. Monteiro Lobato foi preso porque sua carta foi considerada subversiva. Semanas depois, ele foi solto.

Francisco Patti, integrante da Academia Paulista de Letras, escreveu sobre Lobato: “Tantas coisas lhes ensinastes, Monteiro Lobato, mas de uma te esquecestes. Não lhes dissestes nunca o que poderia acontecer no dia em que desaparecestes, isto é, no dia em que aquele Sítio e aqueles irrequietos calungas viessem a perder-te”.