Márcio M. Cunha
Márcio M. Cunha

Votação sobre convênio com Agatra mostra divisão na OAB-GO

Numa semana movimentada para a diretoria da OAB-GO, que se iniciou com manifesto contrário às ações e comportamento dos presidentes da Ordem e da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag), houve na quarta-feira, 19, a votação, o Conselho Seccional para a renovação do convênio com a Associação Goiana dos Advogados Trabalhistas (Agatra).

Embora a maioria dos conselheiros tenha assinado manifesto a favor da diretoria da seccional e da Casag, na prática isso não se convalidou. Em jogo estava a proposta, apoiada pela diretoria da Ordem, de se renovar mensalmente o convênio com a Agatra, o que na prática significaria a necessidade de a associação ter de obter mensalmente a aprovação da OAB, ficando assim subjugada ao crivo e aos anseios da diretoria. Contrário a essa submissão, que geraria uma dependência da associação, a conselheira Marlene Moreira Farinha Lemos divergiu e propôs a renovação e aprovação dos pagamentos devidos de forma anual, o que dá independência e segurança necessária aos advogados trabalhistas associados à Agatra de que o convênio não será interrompido pela vontade uma parte logo no mês seguinte.

Em verdade, isso mostra que há conselheiros independentes e que votam de acordo com seu livre convencimento, independentemente de quem seja a proposta, pois, esses que assim agem pensam unicamente no bem-estar dos advogados goianos e deixam a política classista em segundo plano, com fidelidade a seus princípios e pensamentos.

O manifesto contrário às ações dos presidentes da OAB-GO e Casag fundamenta-se nos seguintes pontos: centralização das decisões administrativas pelo presidente da OAB-GO; ilegalidade e imoralidade na gestão; imoralidade e pessoalidade nas contratações da OAB-GO; imoralidade e pessoalidade nas contratações da Casag; afronta à política de austeridade nas contas; violação do Estatuto da Casag; passividade do presidente da OAB-GO; descumprimento do regimento interno da OAB-GO; descumprimento do regimento interno da Casag; desvalorização da classe dos advogados; alinhamento da OAB-GO ao governo do Estado; passionalidade dos atos do presidente, que toma decisões institucionais com influência de questões pessoais e particulares, muito embora existam diversas outras desvirtuações segundo o manifesto.

Já o manifesto em prol da diretoria da Ordem, que contou com a assinatura de 60 conselheiros, afirma principalmente que “a atual gestão tem a confiança e irrestrito apoio dos conselheiros. O manifesto é prova disso”, que não concorda com a atuação de um segmento minoritário (“as opiniões divergentes são aceitas e bem-vindas, mas fazer oposição interna apenas para desgastar a gestão é inaceitável”); que houve a difusão de inverdades para a sociedade (“tentam construir uma versão de que Lúcio perdeu a governabilidade da instituição, que usa a OAB de maneira indevida e está em descumprimento de proposta de campanha. Mas isso não é verdade”); que os ataques inverídicos atingem a universalidade da gestão (“antes havia seleção, guiada por critérios políticos para se investir no interior. Agora é investimento sem bandeira. O interior precisava disso”). Procurada, a diretoria da OAB-GO respondeu que “não cabe à instituição, por um princípio de isenção, comentar as movimentações da política classista”.

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