Márcio M. Cunha
Márcio M. Cunha

O que os candidatos leem?

Uma leitura cursória de alguns livros poderia fazer toda diferença

Como posso votar em um candidato que sequer ao menos sei quais suas fontes e fundamentos, seus pilares fundamentais para vida em cidadania, sequer ao menos sei da sua história, trajetória, onde Ele(a) busca inspiração ou quais seus princípios, motivação e desejo de fazer algo novo e inovador pela sociedade?

Será que os futuros prefeitos(as) e vereadores(as) pelo menos já leram alguma vez alguma obra de Guimarães Rosa, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Euclides da Cunha ou mesmo de pensadores mais modernos como Yuval Harari e seus best sellers “Uma breve história da humanidade, Homo Deus, Uma Breve História do Amanhã e 21 Lições para o Século 21?

Uma leitura cursória de alguns livros poderia fazer toda diferença e não precisa ir longe, poderiam passar algum tempo estudando trabalhos interessantes como de Newton Bignotto (Filisofia e Ciência Política) e de Leonardo Avritzer (A moralidade da democracia),  ambos professores da UFMG. Avritzer fala de “pêndulo democrático,” ou esse movimento indefinido de um projeto sócio-político em construção (fluxos e refluxos). Bignotto examina a evolução do conceito de “democracia” e as formas “travestis” de gestão do bem público em tempos contemporâneos, isso enriqueceria a compreensão que temos da realidade que vivemos; como é o caso da paralisia política e institucional do momento.

Nas últimas eleições gerais para Presidente da República, ficou escancarada a polaridade política representada tanto na corrida eleitoral, quanto no resultado final das eleições: Direita x Esquerda.

Nesse domingo, novamente iremos exercer o poder de nossos votos para a manutenção da democracia, agora, a nível municipal, em eleições para elegermos nossos representantes (prefeito e vereador). Mas, será que devemos olhar para trás e repetir o “erro” de somente escolher um candidato se ele for de direita ou esquerda?

Talvez devêssemos nos desprender mais acerca dessas questões rasas, e dessas perguntas fúteis, quem sabe, se começássemos a perguntar qual a ideologia fundamental de cada candidato(a), ou quais livros ele(a) já leu que o levassem a chegar àquela determinada conclusão, ou se eles expusessem a público suas noções de vida e cidadania, e como se comportariam quando questionados sobre ideias futuras pra uma sociedade melhor.

Contudo, antes de todas essas indagações para com os candidatos a prefeito(a) e vereadores(as), temos de fazer essas perguntas a nós mesmos. Não precisa ler uma biblioteca, apenas buscar informações sobre aquilo em que você acredita, e se o candidato com o qual você irá eleger, se aproxime dos seus valores e ideias fundamentais, e consequentemente tenha a capacidade técnica para exercê-los, não importando o partido, mas sim, se os ideais se condizem com os seus.

Importante tentarmos deixar a dualidade extrema nessas eleições, e nas próximas, e cada um encontrar o seu “próprio” terceiro caminho, um que seja diferente de direita ou de esquerda, diferente de uma ideologia partidária cega que reprime os que pensam diferente, temos que abandonar a ideia de “ou concorda comigo ou será crucificado”, caso contrário, não deveríamos viver numa democracia.

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