O mundo da música chora a perda de uma verdadeira lenda. Tina Turner (1939 – 2023), a poderosa e carismática cantora americana conhecida como a rainha do rock ‘n’ roll, faleceu no ultimo 24 de maio aos 83 anos. 

Ao longo de sua vida, Tina Turner foi além de uma cantora extraordinária. Ela se tornou uma figura de empoderamento feminino e um ícone de superação. Nascida Anna Mae Bullock em uma família pobre nos Estados Unidos, ela enfrentou o abandono dos pais ainda jovem e buscou sua paixão pela música como uma forma de sustento.

Tina e Ike Turner | Foto: Reprodução

Sua carreira decolou quando ela conheceu Ike Turner e se tornou vocalista da banda The Kings of Rhythm. Juntos, eles dominaram o cenário da música soul nas décadas de 1960 e 1970. No entanto, o casamento com Ike foi marcado por abusos, violência e dependência química. Após 18 anos, Tina finalmente encontrou a coragem de pedir o divórcio, abriu mão de seu patrimônio em troca de manter seu sobrenome artístico. 

“Eu, Tina: A História da Minha Vida”, 1984

Determinada a recomeçar, Tina Turner enfrentou o desafio de reconstruir uma carreira. Ela abriu shows para artistas renomados e adotou o rock como seu gênero musical, inspirada por figuras como David Bowie e Rolling Stones. Com seu álbum “Private Dancer”, lançado em 1984, ela conquistou o mundo com o sucesso estrondoso de “What’s Love Got to Do with It”, vendendo milhões de cópias. 

Sua biografia “Eu, Tina: A História da Minha Vida”, lançada em 1986, revelou as agressões sofridas durante seu casamento abusivo e se tornou um testemunho inspirador para inúmeras pessoas que viviam em situações semelhantes. O livro foi adaptado para o cinema em 1993, com a interpretação marcante de Angela Bassett que assim escreveu a atriz em comunicado à revista “Hollywood Reporter”  ao saber da partida de Tina: 

“Como dizer adeus à mulher que tomou conta de sua dor e trauma e os usou como uma forma de ajudar a mudar o mundo?”

Ao longo dos anos, Tina conquistou inúmeros prêmios e honrarias, deixando um legado indelével na indústria musical.  O legado de Tina Turner transcende a música. Ela se tornou uma inspiração para pessoas ao redor do mundo que buscavam força para superar obstáculos e encontrar sua própria voz. Sua coragem em compartilhar sua história pessoal de abuso e sua jornada de reconstrução tornaram-se um farol de esperança para muitos.

Tina Turner e Beyoncé, 2008 | Foto: Reprodução

Mesmo após sua aposentadoria dos palcos, Tina continuou a ser reconhecida e honrada por suas contribuições à indústria musical. Em 2008, sua apresentação histórica nos 50 anos dos prêmios Grammy foi um marco inesquecível. Ali, ela não apenas encantou a plateia com seus grandes sucessos, mas também emocionou a todos ao fazer um dueto especial com a talentosa Beyoncé.

Tina Turner quebrou barreiras em diversas fases de sua vida. Aos 73 anos, ela se tornou a mulher mais velha a estampar a capa da renomada revista “Vogue”. Esse feito destacou não apenas sua longevidade e beleza atemporal, mas também seu impacto cultural duradouro.

Recentemente, em 2021, um documentário da HBO trouxe uma narrativa detalhada sobre a vida e a carreira de Tina Turner. Esse projeto permitiu que novas gerações conhecessem sua jornada e se inspirassem em sua resiliência e determinação. 

Tina Turner no Maracanã, 1988

No Brasil,  a energia eletrizante de Tina Turner tomou conta do Maracanã em  janeiro de 1988. A plateia estava em êxtase, ansiosa para presenciar a grandiosidade da Rainha do Rock. E ela não decepcionou. 

Com sua presença imponente e uma voz poderosa, Tina Turner dominou o palco e fez história no maior estádio do Brasil. Não apenas isso, ela deixou sua marca no mundo dos recordes ao superar a bilheteria alcançada por Frank Sinatra no mesmo local, entrando para o prestigioso Guinness Book. 

Em seu show de duas horas, Tina presenteou seus fãs brasileiros com uma performance repleta de seus maiores sucessos. “Private Dancer” e “Break Every Rule” ecoavam pelos levou a plateia a uma jornada de emoção e nostalgia. 

Tina Turner fez questão de incorporar o samba em sua apresentação épica. Entrando no palco no alto de um carro alegórico da “Beija-Flor”, uma das mais renomadas escolas de samba do país, ela estava rodeada por quase 200 componentes da escola. A bateria, os passistas e até o icônico “Neguinho da Beija-Flor” acompanharam a diva do rock, criando uma fusão única de ritmos e paixões. 

 Vamos ouvir Tina Turner no épico show de  20 de janeiro 1988 no Rio de Janeiro.

Observe sua voz inigualável e performance eletrizante. 

Descanse em paz, Tina Turner. Sua voz  e coragem ecoarão  para sempre.