um eco poderoso de conquistas e paixões. Em 2 de dezembro de 1804, esse fascínio atingiu seu auge quando Napoleão foi auto coroado Imperador dos Franceses. A grandiosidade dessa cerimônia, meticulosamente planejada para reforçar a ideia de que seu título era conquistado por mérito próprio, é agora reimaginado no filme “Napoleão”,  com três indicações para o Oscar: Direção de Arte, Efeitos Especiais e Figurino.

Central para a experiência cinematográfica é a música original que permeia a coroação de Napoleão. A trilha sonora, uma criação indicado ao Emmy Martin Phipps, transporta os espectadores para Notre Dame de Paris em 1804, onde o napolitano Giovanni Paisiello, um dos compositores mais influentes da época, compôs a Missa da Coroação. Uma peça musical majestosa que culmina no “Domine salvum fac imperatorem Napoleonem” – “Deus salve o nosso imperador Napoleão”.

A música é uma peça fundamental que amplifica a grandiosidade e a singularidade desse momento histórico. Composta por quatro partes, desde a Marche, marcando a entrada solene na catedral, até o moteto “Tu es Petrus”, a trilha sonora transcende o mero acompanhamento e se torna uma narrativa sonora da ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder.

Giovanni Paisiello (1740-1816) | Foto: Reprodução

A cerimônia de coroação contou com a presença do Papa Piu VII. No entanto, o papa não corou Napoleão, como era a tradição nas cerimônias de coroação. Napoleão Bonaparte coroou a si mesmo, em uma demonstração de que ele não se subordinaria à Igreja Católica. Depois de coroar-se, coroou a sua esposa, Josefina, e fez um juramento em nome do Evangelho e dos princípios da Revolução Francesa.

Dirigido por Ridley Scott, o filme oferece uma visão original  da ascendência de Napoleão.  Interpretado magistralmente por Joaquin Phoenix, destacando seu relacionamento complexo com Josephine, interpretada por Vanessa Kirby. Enquanto o enredo se desenrola nas paisagens históricas desde a coroação até a derrota e exílio, a música se torna o fio condutor emocional que conecta o espectador às emoções de Napoleão.

O filme, contudo, não é apenas uma obra de ficção histórica. Ele resgata eventos marcantes, desde a decapitação de Maria Antonieta até a Batalha de Waterloo, proporcionando um mergulho nos meandros da história europeia. No entanto, a veracidade da narrativa, como apontado pelo historiador Dan Snow, pode gerar controvérsias. Maria Antonieta estava de cabelos curtos e não como é apresentado no longa. A presença de Napoleão no histórico momento da decapitação da Rainha também faz parte da “licença poética” do filme. 

A produção de “Napoleão” também evoca a sombra de um projeto cinematográfico anterior, nunca realizado, de Stanley Kubrick. O diretor Ridley Scott revelou ter tido acesso ao roteiro de Kubrick, mas considerou-o decepcionante por abranger toda a vida de Napoleão. Scott enfatiza que o foco em batalhas, liderança e construção de impérios eram os elementos mais dignos de serem retratados.

O fascínio contínuo por Napoleão é evidenciado por obras como a biografia de Andrew Roberts, baseada em cartas do próprio Napoleão. As cartas de amor do líder militar, leiloadas em 2019, ainda geram interesse, demonstrando que o apelo desse personagem histórico se mantem vivo até os dias de hoje.

À medida que Ridley Scott traz sua leitura daquele interlúdio da história para as telas, a música, original da coroação de Napoleão,  emerge como uma personagem crucial. Ela dá vida à grandiosidade e complexidade do momento, transformando “Napoleão” em mais do que um simples filme histórico – um verdadeiro  ode do poder e da paixão.

Ouviremos  do compositor italiano Giovanni Paisiello  (1740-1816).  Te Deum pour le couronnement de l’Empereur Napoléon composta em 1804 especialmente para a coroação de Napoleão Bonaparte.

A obra interpretada pelo coro,  orquestra e solistas da Capela de  Saint-Petersbourg sob a regência de VIadisIav  Tchernouchenko. Os desenhos apresentados nesse vídeo são de Gottfried Schadow (1764-1850). – Napoleão,  desenhado de forma realista, fica de costas para um pequeno palco onde é encenada uma peça que simboliza a situação diplomática e militar na Europa de 1813.

Observe a grandiosidade da narrativa sonora  marcando a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder.