O Carnaval dos Animais é peça para dois pianos e orquestra, composta em 1886 quando  o compositor francês passava férias em uma pequena aldeia na Áustria, após ter retornado de uma frustrante turnê na Alemanha.

Camille Saint-Saëns
Caricatura por Manuel Luque (1890

Culto, versátil e refinado, Saint-Saëns escreve o Carnaval dos Animais como uma brincadeira para divertir seus amigos na época do Carnaval e criticar o cenário musical parisiense no fim do século XIX.  Por precaução, não permitiu que a obra fosse publicada, temia que ela arruinasse sua reputação de “compositor sério”. Ironicamente, O Carnaval dos Animais figura, desde sua estreia pública em 1922, um ano após a morte do compositor, entre suas obras mais apreciadas e populares.

Capa da Partitura “O Cisne” de Camille Saint-Saëns

Repleta de referências a outros compositores, a obra foi executada apenas duas vezes antes da morte de Saint-Saëns em 1921. A exceção é – “O Cisne” para piano e violoncelo, sendo essa a peça mais conhecida.

Carnaval dos Animais

O Carnaval dos Animais é uma suíte composta por 14 movimentos, nos quais 13 deles descrevem personagens. I – Introdução e Marcha Real do Leão com tema original de  Saint-Saëns, os dois pianos trinam e arpejam; as cordas abrem a marcha do soberbo animal, imitando os rugidos do Leão; o II movimento descreve as Galinhas e Galos com um breve trecho à moda do compositor francês Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764); o III descreve as Mulas, animais muito velozes, “asnos selvagens” – com tema original de Saint-Saëns, os dois pianos lançam-se em escalas em clima de loucura, e nunca se se alcançam; o IV movimento descreve as Tartarugas, Saint-Saëns faz uma paródia lenta ao afamado Can Can de Offenbach (1818 – 1880); o V descreve O Elefante fazendo uma paródia lenta de “Dança das  Sílfides” de “A Danação de Fausto” do compositor francês Louis-Hector Berlioz (1803 – 1869) com alusão ao “Scherzo” de “Sonho de uma noite de Verão” do alemão Felix Mendelsshon (1809 – 1847); o VI movimento apresenta o Canguru, com tema original do autor, representando os pianistas que “saltitam”, ‘hesitam’ e “param”; o VII descreve o – Aquário com ondas, natação e gotas de água, sendo uma das peças mais criativas do Carnaval, cheia de magia e mistério; o VIII movimento descreve os Personagens de orelhas compridas, os violinos se alternam na imitação do relinchar dos burros; o IX descreve o cuco nas profundezas dos bosques; o X movimento descreve os Pássaros lembrando os passarinhos em revoada; o XI movimento, ironicamente, Saint-Saëns descreve os – Pianistas iniciante que tanto o incomodavam – segundo o compositor, “pianistas iniciantes são verdadeiros animais, e não dos menos barulhentos”, o compositor faz uma alusão aos afamados estudos de Carl Czerny (1791 – 1857); o XII movimento o compositor descreve os Fósseis, representando “as antiguidades”, utilizando de citações de sua “Danse Macabra”, como se os ossos batessem uns nos outros; o XIII é o mais famoso dos movimentos, descreve O Cisne, com um belo tema original de Saint-Saëns que se tornou um hino dos violoncelistas; o XIV – Final é o desfile da bicharada, onde aparecem os principais temas ouvidos durante a obra, inclusive a dos pianistas.

Martha Argerich, Gidon Kremer, Akane sakai, Yuzuko Horigome, Yoshiko Kawamoto, Giedre Dirvanauskaite, Shu Yoshida, Juliette Hurel, Raphael Sévère, Sawako Yasue

Ouviremos Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saëns, em sua íntegra, em gravação no Japão em 2014 com Martha Argerich, Gidon Kremer, Akane sakai, Yuzuko Horigome, Yoshiko Kawamoto, Giedre Dirvanauskaite, Shu Yoshida, Juliette Hurel, Raphael Sévère, Sawako Yasue.

 

Observe a ironia e a beleza do Carnaval dos Animais nesta interpretação memorável.