Feministas, vocês são donas do próprio corpo. Cuidem bem dele e de quem porventura estiver dentro dele, e que não pertence a vocês. Mas não se esqueçam da alma

Edmar Oliveira

Eu iria à palestra da professora Thaís Azevedo na Faculdade de Direito da UFG. Não fui porque estava trabalhando. Não sou feminista e me impressiona a disposição das que estão dispostas a dar a vida – inclusive de fetos – pela causa que julgam libertadora. Não quero nem tenho poder para decidir o que as mulheres devem fazer com seu corpo – a alma parece ter ido pro beleléu há tempos. Gostaria de ouvir a exposição de Thaís sobre o feminismo, contrária ao pensamento reinante entre alunos doutrinados na esquerda por professores que parecem pastores fanáticos, e que tratam Karl Marx, Friedrich Engels e Antonio Gramci como divindades que desceram à Terra para nos salvar. Não lecionam com isenção. Não expõem as idéias de grandes liberais, como Mises, Adam Smith e Thomas Hobbes, por exemplo. E, se o fazem, é para achincalha-los e mostra-los como representantes do mal.

O bem supremo é a “sociedade igualitária”, essa utopia inviável que jamais deu certo e jamais dará em lugar nenhum do mundo (lembrai-vos de Mao, Stalin, Fidel, Chaves e Pol Pot). Os cursos de jornalismo, história, sociologia, antropologia, direito, psicologia e ciências políticas são catalizadores da pregação socialista. De cada cem jornalistas nas redações, é provável que haja cinco liberais. Os demais são militantes sistemáticos da esquerda. Não soltam um pio sobre a corrupção do analfabeto Lula, da “mulher sapiens” Dilma Rousseff, do PT, do PC do B. Assistem, passivos, à corrupção de políticos e partidos de esquerda, pois são representantes do bem contra o mal: os demais.

Nada, absolutamente nada justifica a selvageria ocorrida na Faculdade de Direito da UFG. Thaís Azevedo foi recebida com cartazes provocativos, teve o microfone cortado e saiu sob escolta de amigos e seguranças da universidade para não apanhar. Foi xingada e deixou o local sob gritos de “Fora, fascista!”, proferidos pelos robôs socialistas agressivos, fabricados em série numa instituição que deveria valorizar e respeitar o contribuinte que paga caro para mante-la (a turma precisa aprender lições básicas, como o verdadeiro significado de fascismo). A UFG deveria ser democrática, séria, isenta e dar a chance aos alunos dos cursos de humanas de conhecerem o contrário do socialismo e do comunismo. Mostrar a eles a abissal diferença entre países liberais e democráticos, desenvolvidos e justos, como Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Reino Unido e países escandinavos. Os exemplos de miséria, totalitarismo e escravidão, modelos para mestres e alunos, são Cuba, Venezuela, Bolívia, China, Coreia do Norte.

Li dezenas de comentários nas redes sociais de pessoas que estavam no salão nobre da Faculdade de Direito na hora da vergonha. E assisti a alguns vídeos assustadores que só reforçam a tese de que as tentativas de culpar a moça pelo ocorrido são simplesmente ridículas. Alguns disseram que ela só estava em Goiânia porque responde a uma ação movida por uma feminista. Outros tentaram desqualifica-la dizendo que ela não tem embasamento científico e técnico. Uma professora afirmou que Thaís é apenas uma “rica mimada”. E se for rica, qual é o problema? O que tem isso a ver com a palestra? E qual é o entrave de se ter acertado com antecedência que não haveria abertura para questionamentos ao final da palestra? Já fui a várias palestras assim, sem se poder perguntar. Quem não concordasse com Thaís, que fosse embora. E o que há de científico no feminismo? Como é que um movimento cujas mulheres saem às ruas peladas com frases estúpidas cravadas no próprio corpo pretende ter credibilidade? Mulheres que fazem a tal “marcha das vadias”, desrespeitando a si mesmas (conheço a história, que começou no Canadá, mas não vou falar dela aqui) e provocando religiosos em frente a igrejas, só vão encontrar repulsa.

A verdade é uma só: Thaís Azevedo foi maltratada e expulsa violentamente da Faculdade de Direito da UFG. Não teve direito de falar num local público. E o duro é saber que pagamos caro para manter professores e alunos fanáticos. Feministas, vocês são donas do próprio corpo. Cuidem bem dele e de quem porventura estiver dentro dele, e que não pertence a vocês. Mas não se esqueçam da alma.

Edmar Oliveira, jornalista, foi editor-chefe do jornal “O Hoje”.