Biografia de Federico — Vale traduzir “Fellini — La Vida y las Obras” (Tusquets Editores, 439 páginas, tradução de Juan Manuel Salmerón), de Tullio Kezich. Martin Scorsese escreveu: “Um olhar apaixonado e espantosamente bem escrito sobre um dos cineastas indispensáveis de nosso tempo”. Trata-se de uma obra exaustiva.

O brilhantíssimo Fellini — sem ele, escreveu Guillermo Cabrera Infante, Woody Allen não existiria — era dado a criar ou a repetir e espalhar mitos sobre si. Tullio Kezich conta que, ao contrário do que escreveram, não nasceu num trem no trajeto entre Viserba e Riccione. Porém, ao desfazer os mitos e apresentar Fellini de corpo inteiro — inclusive com os mitos, que passaram a fazer parte da história verdadeira —, o biógrafo mostra um artista ainda mais rico.

Costuma-se dizer que certas vidas, de tão ricas, dariam um filme. A de Fellini, tão rica quanto mítica, daria vários filmes. Alguns de seus filmes são (e não são) autobiográficos.