Euler de França Belém
Euler de França Belém

Segundo volume dos diários de Fernando Henrique Cardoso reabre discussão da compra da reeleição

46165314A Companhia das Letras lança “Diários da Presidência — 1997-1998” (volume 2, 1000 páginas), do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. O primeiro volume incomodou políticos, empresários e jornalistas (eternos servos do poder). O segundo, quem sabe, poderá incomodar muito mais.

O lançamento do primeiro volume das memórias de Fernando Henrique provocou debates, no geral passionais e pouco circunstanciados. O segundo por certo tenta explicar como conseguiu aprovar o projeto de reeleição. Parece que está provado que alguém “comprou” a reeleição (há até perícia de Ricardo Molina, da Unicamp, a respeito). O ex-presidente afirma que não participou do processo. Resta culpar o falecido Sérgio Motta, o faz-tudo de seu governo? É o que fica implícito, quiçá explícito.

Há três tipos básicos de leitores para os diários de Fernando Henrique: o comum, que vai às livrarias em busca de um livro que julga interessante, ou que alguém lhe disse que vale a pena ler; o jornalista, que busca assunto para transformar numa manchete; e o historiador.
O historiador será, por certo, aquele que vai tirar maior proveito da leitura dos diários de Fernando Henrique. Porque, como não precisa fazer uma leitura apressada, poderá examiná-los cuidadosamente, confrontando-os com documentos históricos e depoimentos equilibrados e amplos. Pode-se dizer, portanto, que os diários são um maná mais para o pesquisador de mais fôlego do que para leitores circunstanciais.

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