Sai livraço de Carlos Vinícius Alves Ribeiro. Leitura imperdível

Não é livro de academicismo de bacharel, mas tese prática, para ser anotado e riscado de caneta, daqueles cuja lombada vai se desfazendo de tanto uso

Marcelo Franco

Tenho alguns critérios para comprar livros. Primeiro, vejo se há “Michel Foucault” na bibliografia — havendo, não aceito nem mesmo de graça (o francês agora tem dado as caras até em livros jurídicos). Outro: sendo livro de autoria ou coordenação do Carlos Vinícius Alves Ribeiro, pago qualquer preço. Pois este livro aí da fotografia preenche esses dois critérios (aliás, eu perdoaria ao Carlos até alguma citação de Foucault, debitando-a em “erro de revisão”).

É um livraço. Sabem aquelas decisões do tipo “os direitos fundamentais não são absolutos, e o réu claramente desbordou da autorização constitucional”? E depois nadica de teoria jurídica para se explicar como houve essa “ultrapassagem” de limites? Pois o homem enfrenta o tema — é preciso uma teoria geral para que haja limitações de modo coerente. Para mim, é o tema do momento. Aquela frase de Sartre, “O Inferno são os autos” (costuma ser citada diferente, “os outros”, mas isso é erro…), perderá força, sempre perde força com livros assim, que guiam a nós, perdidos no “jardim das veredas (jurídicas) que se bifurcam”. Comprem já, meninada, que o livro vai se esgotar logo.

Por ora, como o livro chegou ontem, apenas dei uma bispada, mas já vi que ele cita Joel Feinberg e Jorge Reis Novais. Doeu um pouco aqui, meio de banda: acreditava, vaidoso, que somente eu tinha lido Feinberg e Novais aqui “no” Goiás, e o Carlos Vinicius chega assim, sem cerimônia, estragando minhas poucas ilusões.

Enfim: chegou e já furou a fila de outras leituras. Não é livro de academicismo de bacharel dos anos 20 (o autor nasceu nessa década…), mas tese prática, completa, redonda — é livro para ser anotado e riscado de caneta, daqueles cuja lombada vai se desfazendo de tanto uso.

E não, não empresto o meu exemplar.

Marcelo Franco é crítico.

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