Euler de França Belém
Euler de França Belém

Revista “Veja” perde um grande articulista ao afastar Rodrigo Constantino

Mas é provável que, com mais tempo para refletir, o pensamento do jovem economista se torne mais pujante

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Com ou sem crise, jornais e revistas cortam colaboradores com certa frequência. Por variados motivos — às vezes para promover “rodízio”, não raro porque avaliam que custam muito. Nesta semana, a “Veja” cortou o blog do economista Rodrigo Constantino. Por quê?

Quanto às ideias, ao menos no básico, não há discordâncias entre a linha editorial da revista “Veja” e o pensamento do economista Rodrigo Constantino. O jovem intelectual, que integra uma brilhante geração que não reza pela cartilha da esquerda, comunga das ideias da publicação da Editora Abril — que, de tão liberal, passou a escrever a palavra “Estado” com letra minúscula.

O verdadeiro dirigente da revista, José Roberto Guzzo, chegou a resenhar o livro “Esquerda Caviar”, de Rodrigo Constantino, elogiosamente. Ressaltou apenas que, por ser brilhante, o economista não precisava “exagerar” nas críticas. Não precisava “gritar”.

Durante dois anos, Rodrigo Constantino conquistou uma legião de admiradores e uma legião de críticos. Seus leitores não ficam indiferentes às suas ideias — sempre expostas com clareza e sem tergiversações. Diferentemente do ótimo Demétrio Magnoli, que, embora esteja próximo dos liberais, permanece posando de intelectual de esquerda.

esquerda caviar download

Ao revelar que a Editora Abril rompeu a parceria, Rodrigo Constantino disse aos seus leitores: “Sei que muitos de vocês levaram um susto e um baque com a notícia de hoje, de minha saída da ‘Veja’. Confesso que eu também! Mas é da vida. Não foi decisão minha, e respeito a decisão da empresa. Ela deve ter seus motivos”. Os motivos não foram explicados nem pela revista nem pelo economista. Estaria “desmotivado” e “desconectado” com a linha radicalizada da publicação, ao contrário de Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo? Não parece. O que se sabe é que Rodrigo Constantino escrevia numa linha às vezes mais moderada do que Nunes e Azevedo. Numa linha, digamos, mais filosófica.

Rodrigo Constantino, que não é um blogueiro de ocasião, garante que sua “batalha árdua por mais liberdade” não cessará. Manterá o debate nas redes sociais, no Instituto Liberal e em “O Globo”. “Mas não é hora de desespero, de jogar a toalha, de abandonar o barco.”

O economista afirma que é “um soldado incansável na luta pela liberdade”. Paga um preço alto por sua independência, mas não vai recuar. Ele quer apoio dos internautas para não deixar o Instituto Liberal morrer. “Sei que a cultura da internet, do ‘tudo grátis’, não ajuda. A crise econômica tampouco. Só que não basta curtir, elogiar, dar tapa nas costas e desejar sucesso, para depois lamentar a perda dos soldados da causa. É necessário investir, apostar, contribuir!”

Intelectuais públicos, posicionados, são raros e, por isso, são necessários, até imprescindíveis. Mas produção excessiva às vezes resulta em qualidade de menos. É provável que um intelectual refinado como Rodrigo Constantino, que pensa e escreve bem, ganhará com mais tempo para reflexão. O cérebro precisa, por assim dizer, “respirar”. Mas “Veja” perdeu um de seus mais qualificados articulistas.

 

25 respostas para “Revista “Veja” perde um grande articulista ao afastar Rodrigo Constantino”

  1. Letícia Castelli disse:

    Chamar Constantino de “jovem intelectual” é piada. O autor deveria chama-lo de “jovem blogueiro” então, caso contrário está rebaixando a si mesmo por considerar um colunista qualquer como intelectual.

  2. Rodrigo disse:

    Belo texto. A histeria da escória mostra o quão importante o Rodrigo Constantino é para a difusão das ideias liberais.

  3. Paulo Soares Oliveira disse:

    O homem passa ,mas suas idéias ficam.O Rodrigo Constantino já é uma marca registrada na luta pela liberdade !!

  4. Aluisio disse:

    Rodrigo é Economista e tambem tem posição politica e quase todas as suas avaliações economicas estavam certas,co contrario, de diversos economistas esquerdistas que levaram o Brasil a esta situação que até as contras do governo foram rejeitas.Quanto ao farsante do Guilherme Boulos,não passa de um Fura-Filas de Moradis Populares,querendo ser o esperto e deixar milhares de pessoas inscritas nos planos habitação para tras.É apenas um aproveitar.

  5. Gerhard Erich Boehme disse:

    Rodrigo é jovem e estudioso. É um tipo especial de pessoa que muda o mundo pelas ideias e propostas e mis importante: É o intelectual que, como poucos, dá a devida importância ao princípio da subsidiariedade, fundamental para se ter dignidade.

  6. Adib Murad disse:

    O fãs do Constantã, sofisticados como ele, não entendem ironia.

  7. Simon Salama disse:

    Veja perdendo substância. Repensando minha assinatura

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