Euler de França Belém
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Projeto tecnológico da UFG vai beneficiar pessoas que tiveram a mão amputada

A pesquisa do Núcleo de Tecnologia Assistiva, coordenada por Marcelo Stoppa, também planeja beneficiar os indivíduos que nasceram com má-formação

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Um projeto desenvolvido na Universidade Federal de Goiás, regional Catalão (RC/UFG), beneficiará pacientes que tiveram a mão amputada ou nasceram com má-formação e, por isso, necessitam de algum tipo de prótese. As próteses comerciais chegam a custar 150 mil reais, enquanto as desenvolvidas na pesquisa são produzidas com menos de cinco mil reais a partir de impressoras 3D.

De acordo com coordenador do Núcleo de Tecnologia Assistiva (NENA), Marcelo Stoppa (foto ao lado, do seu Facebook), o projeto começou em 2013 quando se preparava para o pós-doutorado na Universidade Federal de Uberlândia (MG). “A iniciativa desenvolvida na Faculdade de Engenharia Mecânica da (UFU) buscava estudar projetos de próteses biônicas de mão que pudessem ser de baixo custo.”

Segundo Stoppa, a produção começou para dar vazão aos projetos desenvolvidos na universidade. “Muita coisa útil é desenvolvida nas pesquisas das universidades, mas na maioria das vezes a sociedade não fica sabendo. Dessa maneira, a pesquisa termina sendo apenas um estudo, sem o aproveitamento de um produto final.” O coordenador ressalta o apelo social do projeto. “Quero sensibilizar as autoridades, empresas e órgãos sociais mostrando que com esforço conjunto e pouca verba investida é possível ajudar muita gente que precisa.”

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O Núcleo de Tecnologia desenvolve inicialmente três tipos de próteses — uma totalmente mecânica, em que os movimentos de preensão são realizados com movimentos do próprio corpo, como punho ou cotovelo; uma semi eletrônica, onde todos os dedos são acionados simultaneamente por um único motor, e uma biônica completa, com acionamento individual dos dedos e controle eletroeletrônico.

As próteses são fabricadas em plástico (polímeros) extrusado por impressora 3D. “Os filamentos são derretidos e depositados em camadas muito finas (entre 0.1 e 0.5mm) e vão construindo a peça.” São três tipos de filamentos: o ABS, derivado do petróleo, o PLA, biodegradável e derivado do milho, e um mais recente, flexível, que tem uma textura de borracha e vem sendo usado no acoplamento entre a prótese e a pele do usuário.

Até o momento, os testes desenvolvidos foram apenas mecânicos, eletromecânicos e simulação computacional. Entretanto, “brevemente começaremos os testes com voluntários”, informa o pesquisador. Stoppa explica que, “de modo geral, as próteses são indicadas para amputados de mão transradial (abaixo do cotovelo), amputações que preservem o punho (parcial de mão) e casos de má-formação de dedos”. Todavia, cada caso deve ser estudado individualmente. “O nosso maior desejo é que os produtos deste projeto possam ajudar o maior número de pessoas possível.”

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O grupo espera que as próteses estejam em uso em breve e aguarda apoio externo para patrocinar a produção das peças. Segundo o coordenador do projeto, “não há verbas para construir, nem para equipamentos ou recursos humanos que possam atender as pessoas que precisam. Nós desenvolvemos a pesquisa e agora precisamos que os resultados cheguem até quem está necessitando”.

O aluno do mestrado de Modelagem e Otimização da UFG de Catalão Semebber Lino foi a primeira pessoa a testar a nova prótese. “Nós estamos na primeira versão. Posso afirmar que ela facilita o dia a dia. Teremos melhores condições de fazer alguns tipos de movimentos, de pegar objetos, de movê-los.” Semebber possui um distúrbio raro conhecido como Síndrome de Moebius, que, além de comprometer a expressão facial e a fala, causa deficiências nas mãos e pés. Para ele, iniciativas como essa são necessárias. “Vejo uma grande importância social e ecológica, pois buscam facilitar a vida de pessoas que precisam dessa ajuda.”

Uma grande dificuldade dentro do projeto, segundo Stoppa, é o número de pessoas envolvidas. “Por enquanto há apenas eu como pesquisador e quatro alunos de mestrado orientados por mim. Mas temos várias frentes de desenvolvimento, com protótipos completamente diferentes, levando em conta ainda que o tempo de impressão é muito grande e o trabalho é praticamente artesanal”.

(A reportagem será publicada, nesta semana, na revista “Medicina em Goiás”)

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