Euler de França Belém
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Plinio Martins Filho deixa a direção da Editora da Universidade de São Paulo

“Um projeto editorial não se opera da noite para o dia. Não é uma aventura como deixam entrever as viagens livrescas”, afirma o brilhante editor

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Edusp, a herança de uma geração

Plinio Martins Filho

Há vinte e cinco anos dirijo a Edusp, Editora da Universidade de São Paulo. Posso dizer, nesse sentido, que no espaço de uma geração estive à frente da maior editora universitária do Brasil. Em números, isso representa 1600 publicações e 136 prêmios.

Mas há muito mais a dizer. É preciso olhar para trás e compreender, antes, os diversos tempos de uma editora que nasceu à margem do mercado e da universidade, pois seu papel se restringia à coedição de obras prontas, publicadas por editores particulares.

Na década de 1980, a Edusp protagonizou uma revolução interna apenas comparável à revolução do livro impresso. Para além dos números que ela ostenta, o que encontramos, hoje, é uma editora consolidada, produtiva e reconhecida no Brasil e no mundo.

Um projeto editorial não se opera da noite para o dia. Não é uma aventura como deixam entrever as viagens livrescas.

As transformações pelas quais passou a Edusp merecem uma reflexão à luz de fatores internos e externos que atuaram nesse processo: em primeiro lugar, uma revolução interna que acompanha pari passu as mutações e desenvolvimentos que confirmaram o grau de excelência da Universidade de São Paulo no século XXI, ou seja, a Edusp cresce com a universidade. Ela reflete, outrossim, a produção de seus docentes-pesquisadores. Todavia, uma editora não pode crescer ensimesmada, voltada apenas para o que produzem seus pares.

A editora é expressão da cultura de um tempo, e nossa cultura é a síntese de expressões múltiplas, as quais devem abranger o pensamento brasileiro em diferentes campos do conhecimento e seus pontos de contato com a produção internacional. Acredito que o catálogo da Edusp buscou se afirmar dentro de dois princípios, a saber, o da valorização dos conhecimentos produzidos internamente e o da abertura para as ciências no plano internacional.

Uma editora, portanto, deve ser independente. Ela não se rende às vaidades de uns, nem aos preconceitos de outros; ela não adere cegamente aos modismos; ela não existe para preencher interesses políticos de nenhuma natureza. Seu compromisso é com a qualidade. Seu compromisso é com o leitor.

Escusado dizer, enfim, que a Edusp cresceu com o mercado editorial brasileiro. Hoje ela vem somar esforços para o desenvolvimento da cultura nacional ao lado de outros grandes grupos, como demonstram suas participações nos salões internacionais do livro — Frankfurt é um bom exemplo disso — e nas bienais do Rio e de São Paulo, para ficarmos em apenas alguns casos.

Ao final desses vinte e cinco anos de trabalho concentrado e marcado por grandes vitórias, só posso agradecer aos reitores, autores e funcionários pela confiança em meu trabalho. E, especialmente, à Comissão Editorial que sempre me apoiou. Fiz e promovi livros, esta foi minha principal missão. Deixo a direção de uma grande editora. Evoé jovens editores.

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