Imprensa
O escritor francês Patrick Modiano ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2014. Acessei o Estante Virtual e seus livros estavam sendo vendidos a 4 reais (comprei vários por 150 reais). Mais tarde, voltei ao site e os preços haviam sido alterados. A maioria já valia mais de 50 reais. É a tal lei da oferta e da procura do capitalismo.
O chefão da Amazon, Jeff Bezos, comprou o “Washington Post”, o jornal que provocou a queda do presidente Richard Nixon, por 250 milhões de dólares. Os jornais americanos são regionais. O “Post” e o “New York Times” circulam em todo o país, mas em muitos Estados são menos relevantes do que os jornais locais. É a regra em países gigantes, como Estados Unidos e Brasil. Porém, provando que não está brincando, Bezos assegura que vai aumentar a presença nacional do “Post”, a casa editorial do mítico repórter Bob Woodward, de 71 anos. Bezos disse à “Business Week” (cito a partir do Portal Imprensa) que pretende produzir o “Post” no formato “digital com ajuda da Amazon. A ideia é criar um aplicativo gratuito que poderá ser lançado ainda neste ano no novo tablet da varejista, o Fire HDX 8.9”. Segundo o Portal Imprensa, “o novo serviço deve oferecer uma curadoria de notícias e imagens do jornal em um formato de revista específico para tablets. A publicação informa também que os planos de Bezos incluem lançamento de aplicativos para iPad e tablets Android, que funcionariam por um sistema de assinatura mensal. A ferramenta é desenvolvida por um grupo do jornal que integra o projeto intitulado ‘Rainbow’, comandado pelo ex-editor chefe do site Salon Kerry Lauerman”. O “Pop”, que faz mudanças cosméticas e desconectadas das mudanças globais, deveria mirar-se, guardadas as proporções, no exemplo do “Post”.
A repórter-fotográfica Cristina Cabral deixou o “Pop” na terça-feira, 7. Ela trabalhou quase 27 anos no jornal. “Sentirei muita falta, mas estava na hora de mudar”, escreveu a profissional no seu Facebook. Ela acredita que “sempre” se “tem um novo caminho”. Na semana anterior, a competente Carla Borges, depois de quase 19 anos de “Pop”, pediu demissão. Mais dois repórteres do jornal estão prestes a pedir demissão. Sem que os editores reajam, está se processando um desmanche da redação. Todos sugerem que a empresa paga mal e não investe na qualificação dos repórteres. Outros dizem que a editora-chefe Cileide Alves elegeu os “campeões” — como Fabiana Pulcineli e Márcio Leijoto — e só eles têm um salário um pouco melhor.
O “Pop” publicou uma reportagem para dizer que apenas dois políticos foram eleitos para deputado federal com os próprios votos — o delegado Waldir Soares, do PSDB, e o deputado estadual Daniel Vilela, do PMDB. O que o jornal não diz é que isto ocorre em qualquer lugar do país — e não é nenhuma novidade. O principal objetivo do quociente eleitoral é fortalecer os partidos políticos.
Na quinta-feira, 9, o “Pop” publicou extensa entrevista do vereador Tayrone di Martino, esquecendo-se que uma entrevista idêntica havia sido publicado pelo Jornal Opção Online há mais de uma semana. O jornal da família Câmara adora ser o primeiro a chegar atrasado.
O jornalismo não aprecia o uso de adjetivos e advérbios. Os manuais de redação são “ricos” em orientações para evitá-los. Porém, todos sabemos que a vida seria insossa, sem vida, sem adjetivos e advérbios. Um livro não poderia ser “belo” e “delicioso”, tampouco “muito bom”. Escoimar adjetivos e adjetivos dos textos, para conferir suposta precisão às informações, é como arrancar a carne de um frango e deixar apenas os ossos. Fica tudo muito seco — indolor, incolor e um bolor. Claro que o uso abusivo de adjetivos e advérbios cria exageros, mas a falta deixa artigos e reportagens mais frios e, mesmo, mais tristes.
A assessoria de imprensa da TV Globo nega, mas o sempre bem informado Portal Imprensa sugere que a jornalista Maria Júlia Coutinho, de 36 anos, “poderá ser a primeira apresentadora negra a ocupar a bancada do ‘Jornal Nacional’”. A mudança estaria programada para o próximo ano.
Na TV Cultura, ao lado de Heródoto Barbeiro, Maria Júlia Coutinho apresentou telejornais. Portanto, tem experiência com a apresentação de notícias. A jornalista é tão bonita quanto Patrícia Poeta. Talvez (até) mais.
Heraldo Pereira é, até agora, “o único jornalista negro” a apresentar o “Jornal Nacional”. Mas não é o titular. Ele apresenta o “Jornal Nacional” aos sábados e cobre férias dos titulares, como William Bonner. É competente, mas falta-se a segurança de Bonner. Este, mesmo quando está lendo no teleprompter, parece que está comentando a notícia, tal o domínio que tem do meio tevê.
O Portal Imprensa conta que, quando Fátima Bernardes deixou o “Jornal Nacional”, para se dedicar ao mais lucrativo e menos cansativo ramo do entretimento, a Globo cogitou colocar em seu lugar a jornalista Glória Maria. Não é praxe, porém, a Globo colocar jornalistas mais velhos na apresentação de notícias.
Nilo Alves
Na semana passada, vésperas das eleições, passei por momentos de terror, enquanto eu revisava material para a próxima edição do Jornal Página Aberta. Não sei se foi por causa de uma edição grande que soltamos, desmentindo sobre o caso do avião com R$ 500 mil, que começaram uma sucessão pedradas no telhado do jornal por volta de 1h da manhã e sucessivamente ligavam em todos os meus números de telefones me ameaçando de morte e dizendo que iríamos perder as eleições e que, após as eleições, iriam fazer churrasquinho do meu corpo e incendiar o jornal.
Liguei para a polícia, ninguém veio me socorrer, e, enfim, amigos mandaram duas pessoas para passar o resto da noite comigo. Não consegui falar com ninguém da assessoria da campanha de Marcelo Miranda naquela noite, pois, mesmo se eu tentasse ligar, eles não atenderiam ao telefone, pois todos os celulares e computadores da imprensa que acompanhava as eleições de Marcelo Miranda estavam grampeados, era uma dificuldade para comunicarmos uns com os outros — até mesmo através de mensagens tínhamos que economizar palavras. Terrorismo total.
Os milicos da turma do Siqueira e Sandoval botaram quente em nível de perseguição. Eles seguiam a gente nas ruas, filmavam e fotografavam os nossos movimentos. Meu Deus, até parecia que se repetia-se a ditadura militar do golpe de 64. Foi uma guerra psicológica cruel que eles adotaram desta vez, através de meios tecnológicos no Tocantins, principalmente em Palmas.
Às 2h da madrugada passaram numa camionete plotada com cartazes do candidato a governador, Sandoval Cardoso, e jogaram mais pedras e uma garrafa cheia de querosene no telhado do jornal. Foram quebradas 25 telhas, chovia muito e tivemos prejuízos consideráveis naquela noite macabra. Tive medo no início, porém um dia após foi selada a vitória de Marcelo Miranda governador e tudo voltou a normalidade. Será que já está tudo normal, ou eles vão repetir a dose?...
Nilo Alves é músico e jornalista.
Mais uma vez, o Facebook está fora do ar nesta manhã de quarta-feira, 8. Quando o usuário tenta acessar, o Facebook anuncia, sob o título de “O Facebook retornará em breve”: “No momento, o Facebook está fora do ar para uma manutenção obrigatória, mas deve voltar em alguns minutos. Enquanto isso, leia mais sobre o motivo de você estar vendo essa mensagem. Agradecemos sua paciência enquanto melhoramos o site”. Quando o usuário continua em busca de informação, o Facebook acrescenta: “Quando tento entrar, aparece uma mensagem informando que o Facebook retornará em breve. Se você vê essa mensagem ao tentar entrar, geralmente é porque estamos realizando melhorias no banco de dados no qual a sua conta está armazenada. Enquanto fazemos isto, você não poderá acessar sua conta. Sentimos muito por esse transtorno. Lembretes: depois que a manutenção tiver sido concluída, você ainda poderá efetuar login com a mesma senha; sua conta não será afetada pela manutenção; não efetuamos manutenção de site em todas as contas ao mesmo tempo, então é possível que seus amigos tenham acesso ao site enquanto a sua conta está indisponível. Se o erro persistir depois de 24 horas, entre em contato conosco”.
O livro “O Serviço Secreto Chinês”, do jornalista francês Roger Faligot, aponta que, da extrema direita, Georges Rémi pode ter se tornado um instrumento político da esquerda da China
Documentos revelam que banqueiros suíços ganharam dinheiro com o tráfico de escravos, diretamente ou financiando expedições para comprá-los. Até a República de Berna aplicou dinheiro em empresa escravista
Iúri Rincon Godinho Especial para o Jornal Opção O fato do “Pop” lançar uma plataforma para dispositivos móveis na sexta-feira, 3, com o nome “Expresso O Popular” (o primeiro bem grande, o segundo pequenininho e apagado), mostra como o jornal parece perdido, quase à deriva. Não há sentido em desprezar uma marca com quase 80 anos, consolidada e forte, para investir num nome novo. A não ser que essa mesma marca tenha envelhecido e se enfraquecido. Há décadas o “Pop”, um jornal sisudo, parece ter perdido o contato com a juventude. Mas isso não é exclusividade só dele, já que os jovens mudaram o modo como consomem informação. Combalido, minguado com meros 33 mil exemplares diários (dados do IVC) para um Estado de mais de 6 milhões de habitantes, com poucos anúncios e um caderno de “Classificados” quase inútil num mundo digital, o “Pop” parece agonizar a cada manhã à mesa de seus poucos anunciantes — se comparada a circulação com a proporção de habitantes. Sem conseguir segurar seus grandes repórteres, a publicação pode estar caindo, mas cai com o nariz empinado. Na campanha eleitoral, um anúncio de 10 centímetros de altura por 10 de largura custava quase 5 mil reais. E o jornal obrigava o candidato a publicar no mínimo três vezes. Ou seja, um investimento de praticamente 15 mil reais. No mesmo dia que anunciou o “Expresso”, tinha apenas seis anunciantes candidatos. Na mesma data circulou um caderno das eleições com 12 páginas e mais oito candidatos anunciantes, menos de um por página. Tirando esses, no primeiro caderno, o mais nobre, apenas dois anúncios da iniciativa privada. Na contramão do mundo digital, o “Pop” na internet cobra para acessar o conteúdo. Quem você conhece, caro leitor, que paga para ler notícia na internet? Ainda mais em Goiás, quando os diários “O Hoje”, “Diário da Manhã” e o semanário Jornal Opção oferecem todas as páginas gratuitamente. E o Jornal Opção Online faz ampla cobertura diária dos fatos. As decisões do Grupo Jaime Câmara para o jornal já parecem bastante ruins mas talvez tenham piorado. A marca do novo produto, o Expresso, é uma óbvia xícara de café, mesmo que o aplicativo não tenha nada a ver com café e a imagem não remeta em momento algum para informação. O nome é comum. Coloque no Google e veja a profusão de publicações chamadas Expresso em todo o mundo. Isso faz com que até o “Pop”, criado em 1938, seja mais criativo do que o nome do aplicativo digital de 2014. Na matéria de apresentação do “Expresso”, ele é chamado de “produto inovador”. Mas onde está a inovação num portal de notícias? Hoje qualquer entidade da iniciativa privada ou órgão público pode ter um portal de notícias “inovador” com suas assessorias de imprensa e um desenvolvedor de software que se encontra aos montes nas empresas digitais. Uma empresa de comunicação tratar como “inovador” notícias gratuitas para internet, o nosso arroz com feijão, só demonstraria o quanto o rumo do Grupo Jaime Câmara ainda terá de caminhar e mudar para ser chamado de realmente inovador. Iúri Rincon Godinho é editor da revista “Marketing em Goiás”.
Em países continentais, como Brasil e Estados Unidos, é muito difícil a existir jornais de fato nacionais. Alguns, como “Folha de S. Paulo”, “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”, tentaram, durante muito tempo, se tornar jornais nacionais, fisicamente, quer dizer, circulando principalmente nas capitais e em cidades maiores dos Estados. Mas nunca conseguiram fazer uma cobertura atenta do país, dadas as dificuldades de se manter sucursais e mesmo correspondentes isolados em todos os Estados. Com a internet, todos os jornais, não apenas os de maior estrutura, puderam chegar a leitores de todo o País. Porém, como bloqueiam o acesso — liberado apenas para assinantes —, deixam de ser lidos nos Estados (e mesmo em suas bases). Mas a assinatura, em geral com custo reduzido, facilita o acesso aos jornais. O problema é que, na internet, as pessoas cobram informação livre, não paga, o que, do ponto de vista comercial, da sustentabilidade dos veículos (com estruturas físicas dispendiosas), é, no momento, impossível. O “Correio Braziliense” tenta, há alguns anos, se tornar um jornal “nacional”, com notícias produzidas em outros Estados. Nem sempre consegue, mas, quando tenta, o faz com competência, publicando reportagens de qualidade. Com a internet, universalizou-se como os demais jornais. O caso do “Pop” é diferente. O jornal goiano, embora produzindo um jornalismo de qualidade, nunca tentou ser nacional e não consegue ser nem mesmo regional. Sua influência não se estende a Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Brasília e Tocantins, espécie de Estado-irmão de Goiás, e sempre circulou mal na sua própria base, dados o tamanho do Estado e à falta de uma política de cobertura daquilo que ocorre nos municípios. Com a internet, o “Pop” poderia ter se tornado um jornal estadual, regional e nacional. Porém, para conquistar (ou manter os atuais) assinantes, notadamente em Goiás, o “Pop” fechou seu site. Se tivesse um portal azeitado, como “O Globo”, “Folha de S. Paulo” (UOL), “O Estado de S. Paulo” e “Correio Braziliense”, o “Pop” poderia ter fechado inteiramente o jornal e os leitores reclamariam menos. Entretanto, sem um portal convidativo e abrindo poucas reportagens, o jornal goiano ficou basicamente circunscrito a Goiânia e alguns municípios. Fica-se com a impressão de que o “Pop” está fora da internet, o que não procede. O jornal está na internet, mas só pode ser acessado por assinantes. Mas como e por que um leitor do Rio de Janeiro ou de Rondônia vai assinar um jornal meramente regional, que não cobre com equipe própria os fatos nacionais — antes, reproduzindo a produção das agências de notícias, que é publicada em todos os jornais do País —, se pode assinar a “Folha de S. Paulo” e “O Globo”, que apresentam uma cobertura “nacional” mais abalizada? O “Pop” está perdendo terreno em Goiás, e vai perder cada vez mais, para jornais com estruturas bem menores.
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Zezé e Zilu : parece que os dois estão se divertindo na rede social? | Fotos: Divulgação[/caption]
O cantor e compositor Zezé Di Camargo, sua namorada, Graciele Lacerda, sua ex-mulher, Zilu Godói, e o cantor Gian, da dupla com Giovani, trocam palavras ferinas pelas redes sociais e, depois, todos ficam se recriminando — em busca de um bode expiatório.
Gian chegou a sugerir que teve um AVC ao ler críticas de Zezé Di Camargo à sua mulher — o que não parece crível. O AVC foi mesmo comprovado por médicos do Hospital Albert Einstein, mas a causa possivelmente não tem a ver com os petardos do artista goiano.
Zezé Di Camargo alfinetou Zilu Godói, sugerindo que estaria tentando atrapalhar seu relacionamento com Graciele Lacerda. Esta sugeriu que a ex do cantor estaria com dor de cotovelo. Em seguida, o artista e a empresária apareceram abraçados, sugerindo que a crise estava “resolvida”. Até a próxima crise “artificial”, é claro.
Todos reclamam da fofoca estampada pelos jornais, mas se esquecem que eles próprios são responsáveis por gerar as “informações” nas redes sociais, que, obviamente, são fontes “privilegiadas”.
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A pedido da família, magistrado de Aracaju proibiu a circulação do livro “O Mata Sete”, que tem Lampião como protagonista | Foto: Reprodução[/caption]
Saber que Lampião era heterossexual ou homossexual muda sua história? Os historiadores terão de refazer seus livros sobre o rei dos cangaceiros? O bandoleiro continua o mesmo, não muda um centímetro devido à sua sexualidade. Permanece mais estudado, até no exterior — um dos mais importantes historiadores ingleses, Eric Hobsbawm, se interessou por suas ações, apresentando-o como uma espécie de “bandido social” —, do que muitos políticos brasileiros.
A pedido da família, um magistrado de Aracaju proibiu a circulação do livro “O Mata Sete”, do juiz aposentado Pedro de Morais. A obra, censurada há três anos, foi liberada pelo Tribunal de Justiça de Sergipe. Morais sustenta que Lampião era homossexual.
O relator do processo, o desembargador Cezário Siqueira Neto, escreveu: “Não é demais repetir que, se a autora da ação sentiu-se ‘ofendida’ com o conteúdo do livro, pode-se valer dos meios legais cabíveis. Porém, querer impedir o direito de livre expressão do autor da obra, no caso concreto, caracterizaria patente medida de censura, vedada” pela Constituição.
Siqueira Neto frisou que não cabe ao Judiciário restringir a liberdade de expressão. “Cabe, sim, impor indenizações compatíveis com ofensa decorrente de uma divulgação ofensiva. As pessoas públicas, por se submeterem voluntariamente à exposição pública, abrem mão de uma parcela de sua privacidade, sendo menor a intensidade de proteção”, destacou o desembargador.
O advogado Wilson Winne de Oliva, que representa duas netas de Lampião, diz que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal, onde dificilmente terá condições de derrubar a decisão da Justiça de Sergipe.
Pedro de Morais, que tem mil exemplares em sua casa e uma encomenda de mais de 10 mil exemplares, não decidiu se vai pôr a biografia nas livrarias. Ele vai conversar com seu advogado, pois teme novas ações.

