Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Orientação de Onyx a Bolsonaro sobre COP 25 reforça papel da imprensa de questionar informação oficial

Bastidores costumam ser mais precisos

Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni | Foto: Reprodução/YouTube

Na quarta-feira (28), o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), foi questionado sobre a desistência do Brasil de sediar a próxima Conferência do Clima, mais conhecida como COP 25, no ano que vem.

Ao seu lado, estava o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), que orientou Jair Bolsonaro a responder de uma forma para evitar polêmicas. “Nós não temos nada a ver com isso. É uma decisão do próprio Itamaraty”, disse.

O presidente eleito, contudo, ignorou a sugestão e disse que a desistência partiu dele mesmo. “Houve participação minha nesta decisão”, frisou.

Naturalmente, a declaração não foi vista com bons olhos por quem diz defender o meio ambiente, gerando atrito com o presidente da França, Emmanuel Macron, que ameaçou travar ainda mais as negociações entre Mercosul e União Europeia caso o Acordo de Paris não seja respeitado pelo Brasil.

Informações oficiais

Mas e se Jair Bolsonaro tivesse seguido a orientação de Onyx Lorenzoni? Não saberíamos a verdade naquele momento. E é aí que entra o papel da imprensa de questionar informações oficiais.

Ora, não é porque o próximo presidente, ou qualquer outro político, disse algo que aquilo é verdade. Afinal, políticos costumam desviar o foco do assunto para fugir de polêmicas.

A imprensa, por sua vez, não deve simplesmente reproduzir tudo o que eles dizem como se não houvesse mentiras — as informações de bastidores tendem a ser mais precisas que as divulgadas oficialmente por meio de notas ou redes sociais. É preciso fazer reportagem ao invés de “recortagem”.

Vídeo

Onyx Lorenzoni tentou não ser ouvido, mas o áudio de sua fala foi capturado. Veja:

 

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