Euler de França Belém
Euler de França Belém

Não entendo por que aprecio Vargas Llosa mas sou atraído por García Márquez

O escritor peruano e Nobel de Literatura, de 79 anos, lança o romance  “Cinco Esquinas”

Mario Vargas Llosa capa de romance 46133641

Entre minhas contradições está o fato de que aprecio Mario Vargas Llosa, o pensador, o prosador e o crítico, mas sinto-me profundamente atraído pela literatura de García Márquez. Por que, exatamente, não sei. Estou tentando descobrir.

Vargas Llosa, que lançou recentemente o romance “Cinco Esquinas” (ainda não li), é um escritor poderoso e, ao mesmo tempo, escreve muito bem sobre literatura (seu livro sobre Flaubert, “Orgia Perpétua”, é uma obra-prima). Comungo parte de suas posições políticas liberais. Mas, como disse, a prosa de García Márquez me atrai, me convoca.

Críticos adeptos da literatura experimentalista, ou aqueles que detestam sua aliança política com Fidel Castro — uma relação de subordinação —, tendem a colocar García Márquez de lado.

Mas, como o escritor colombiano morreu, quem sabe poderá ser lido de maneira rigorosa, mas menos exigente. Sobretudo, sua literatura deverá ser avaliada pelo que diz, pelo que representa na história da literatura, e não por suas posições políticas.

García Márquez era, por certo, um canalhinha político, mas como o diabo escrevia bem! “Cem Anos de Solidão”, “O Outono do Patriarca” (sua resposta à literatura modernista de James Joyce e William Faulkner), “Ninguém Escreve ao Coronel” e “O Amor Nos Tempos do Cólera” são livros que tendem à permanência.

Mario Vargas Llosa (1)

Por vezes, a excelente prosa de Vargas Llosa é examinada a partir de suas posições políticas e, por isso, é execrada. Vale ler sua obra como se, digamos, o autor não existisse? É provável que sim, mas não tenho certeza.

Há poucos romances tão bons e tão bem escritos quanto “Conversa no Catedral”, de Vargas Llosa. Ler a prosa deste homem, de 79 anos, lúcido e escrevendo literatura e crítica de qualidade, é um dos prazeres deste tempo tão conturbado. É uma catarse de primeira.

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