Euler de França Belém
Euler de França Belém

Lula sugere que, se eleito presidente, vai calar Globo e a imprensa em geral

Petista diz que William Bonner terá de pedir desculpas ao “presidente Lula”, mas esquece de dizer que tem de pedir desculpas ao povo brasileiro

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Quase sempre há uma diferença entre intenção e gesto. Nos governos dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, seus luas vermelhas, supostamente capitaneados pelo jornalista Franklin Martins, tentaram aprovar medidas autoritárias para controlar tanto o Ministério Público quanto a Imprensa. Não conseguiram. Por dois motivos. Primeiro, porque a sociedade reagiu, mostrando-se atenta àquilo que que parecia “pequeno” mas, se adotado, seria o início de um governo autoritário. Segundo, ante a pressão da sociedade, as duas gestões petistas recuaram — o que sinaliza, de alguma maneira, espírito democrático.

Agora, condenado pela Justiça Federal num dos processos da Operação Lava Jato, Lula da Silva, certamente “perdendo” a cabeça e não acatando mais a orientação de advogados, disse que, se for eleito presidente na disputa de 2018, pretende regular a Imprensa. O petista está deixando de se ver como um indivíduo, sujeito às leis como quaisquer outros cidadãos, para se apresentar como uma verdadeira instituição do país — portanto, intocável. Noutras palavras, ao sugerir que vai “controlar” a Imprensa, o ex-presidente está sugerindo o que irá fazer, se eleito, para se “proteger” das críticas.

No sábado, 12, no Rio de Janeiro, Lula da Silva disse, irado, falando na terceira pessoa (como se fosse uma instituição, como o Legislativo, o Judiciário e o Executivo): “Não vejo mais TV e nem os jornais porque todo dia é uma desgraceira contra o Lula. Querem criar animosidade e que a sociedade esqueça que Lula existiu. Que um metalúrgico sem diploma pode fazer mais que muito doutor. Não tenho orgulho de não ter diploma, mas tenho diploma de conhecer o coração do povo”. Nada disse da “desgraceira” contra o povo promovida, de maneira sistêmica, por vários políticos, como o próprio petista.

Lula da Silva, em tom de ameaça — bravatas, diria Sigmund Freud, não são meras bravatas —, frisou que, se eleito presidente, vai trabalhar para submeter a imprensa. “Quero ver o William Bonner pedindo desculpas ao presidente Lula”, disse o petista. O ataque não é apenas à TV Globo, mas a Imprensa em geral. Trata-se de um ataque à liberdade.

Dificilmente, dados aos processos judiciais, Lula da Silva será candidato a presidente. Entretanto, se for e se for eleito, não terá como fazer o que disse. Por um simples motivo: o Brasil é uma democracia e, portanto, as leis e as instituições são respeitadas.

Uma coisa é certa: está passando da hora de Lula da Silva pedir desculpas ao povo brasileiro.

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