O presidente Juscelino Kubitschek morreu em 1976, aos 73 anos, num suposto acidente automobilístico, na Via Dutra. Junto, faleceu seu motorista, Geraldo Ribeiro.

Cinquenta anos depois, a história foi, por assim dizer, “reaberta” pela Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. A conclusão de seu relatório é que Juscelino Kubitschek foi “assassinado” pela ditadura civil-militar.

Com centenas de páginas, com variados documentos, a Comissão é incisiva: JK teria sido “assassinado”. Até agora, salvo engano, pesquisadores gabaritados do período, até por ainda não terem lido o relatório, não endossaram a conclusão.

O opala em que morreu Juscelino Kubitschek e seu motorista, Geraldo Ribeiro, ficou destruído | Foto: Reprodução

Organizar um “acidente” da dimensão do que aconteceu com Juscelino Kubitschek certamente não é fácil. Mas também não é impossível. Vale sublinhar que, em 1976, a linha dura permanecia atuando e, sim, matando. Ainda assim, o relatório precisa ser esmiuçado por historiadores e outros especialistas (como peritos) para checar a veracidade da “nova” versão.

Não se trata de duvidar da versão de que houve um “assassinato”, e sim de sugerir que as provas precisam ser contundentes. Até para não serem “desmentidas” ou “contestadas” amanhã.

“Em 2026, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu que o óbito de JK não pode ser tratado como um acidente comum, classificando-o como morte violenta ligada à perseguição política promovida pela ditadura militar. Em ‘O Código 12’, Alex Solnik apresenta um laudo inédito mostrando a farsa da narrativa oficial de 1976”

O historiador consciencioso sempre tem receio de enfatizar determinadas questões não devidamente provadas (às vezes confunde-se “vontade”, até das mais nobres, e “realidade”). Por isso, quando há dúvidas, apresenta-se nuances a respeito do fato.

Alex Solnik: autor de livros sobre os anos de chumbo | Foto: Reprodução

O jornalista Alex Solnik, autor de vários livros, leu o relatório e lança, este mês, um livro-reportagem a respeito: “O Código 12 — As Surpreendentes Revelações Sobre o Assassinato de JK Pela Ditadura Militar” (Matrix, 160 páginas).

Na ditadura civil-militar, o Código 12 era uma espécie de “licença” para assassinar adversários simulando morte por acidente.

Sinopse da Editora Matrix

“Durante anos, o Brasil acreditou saber a verdade sobre a morte de Juscelino Kubitschek.

“Criador de Brasília, nome símbolo do desenvolvimento nacional e um dos políticos mais populares da história brasileira, JK permanecia como uma figura de enorme prestígio junto à população mesmo após anos de perseguição e sua cassação pela ditadura militar.

“Sua volta à cena política era vista por muitos como uma possibilidade real, e a versão oficial do que levou à sua morte era simples: um trágico acidente de trânsito na Via Dutra em 22 de agosto de 1976. Acidente?

Alex Solnik capa de O Código 12 sobre JK ok4

“Novas investigações, laudos periciais, depoimentos e documentos reunidos ao longo de décadas revelaram inconsistências, contradições e fatos que nunca foram satisfatoriamente explicados.

“Em 2026, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu que o óbito de JK não pode ser tratado como um acidente comum, classificando-o como morte violenta ligada à perseguição política promovida pela ditadura militar.

“Em ‘O Código 12’, Alex Solnik apresenta um laudo inédito mostrando a farsa da narrativa oficial de 1976, reconstitui os últimos, dias de Juscelino, a partir de fatos, documentos e testemunhos, e lança nova luz sobre um dos maiores mistérios políticos da história brasileira.”