Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livraria Cultura pede recuperação judicial

“Queremos atuar de forma agressiva nos canais digitais e iremos manter poucas, mas ótimas lojas físicas pelo país”, afirma a empresa da família Herz

Pedro Herz luta para manter a Livraria Cultura de portas abertas

A Livraria Cultura está em crise há meses (ou anos), deixando de pagar as editoras e demais fornecedores. Para tentar reduzir a sangria, que levaria à falência, a rede dirigida pela família Herz recorreu ao recurso dos que querem continuar no mercado, mas exigindo mais tempo para pagar suas dívidas: pediu recuperação judicial na quarta-feira, 24. Para quem não está pagando fornecedores, o comunicado da empresa ao mercado é, por certo, demasiado otimista e irrealista (e não agrada ao mercado). É como se dissesse: “Estamos no fundo do poço, mas está tudo bem. No fundo do poço tem mola”. A crise da Cultura está afetando as editoras do país — grandes, médias e pequenas. A pergunta é: se a rede pede recuperação judicial, para retardar e renegociar pagamentos e evitar pressões dos bancos e fornecedores, quais são as editoras (e outras empresas) que vão continuar fornecendo produtos? Curiosamente, há lançamentos que são vendidos pela internet mas não são expostos nas redes físicas? A rede estaria comprando à vista determinados lançamentos? Não se fala disso na rede de livrarias.

A repórter Maria Fernanda Rodrigues, de “O Estado de S. Paulo”, assinala que, “nos últimos meses, a empresa deixou de pagar seus fornecedores, ou atrasar os pagamentos. Quando conseguia negociar prazos maiores com as editoras, não podia cumprir os acordos. Comenta-se que recentemente a empresa chegou a oferecer eletrônicos vendidos na loja como forma de pagamento. Algumas editoras chegaram a suspender o fornecimento de livros para a Cultura para evitar prejuízos maiores”.

A Livraria Cultura recebeu dinheiro para liquidar a Fnac no Brasil e fechou todas as livrarias da rede — a última foi a de Goiânia. Há quem avalie que o papel de “liquidante” da Fnac, que poderia ser um atenuante para a Cultura (entrou dinheiro no caixa), aumentou seus problemas com ações trabalhistas e devolução complicada de imóveis. Sobre uma possível venda da rede — por exemplo, para a Amazon —, não há nada de concreto, pois a família Herz sugere que vai continuar no mercado e aposta na possibilidade de recuperação da empresa.

Recentemente, um repórter do Jornal Opção percebeu que uma jovem estava medindo a loja Fnac do shopping Flamboyant (já está fechada), em Goiânia. Ela não quis falar qual era o objetivo da “medição”. Mas a solitária caixa da loja informou que a Cultura iria assumir, com o próprio nome, a loja. Depois, os Herz informaram que vão mesmo abrir uma unidade em Goiânia, no primeiro semestre de 2019. A recuperação judicial pode ser um empecilho.

Comunicado da Livraria Cultura ao mercado

As incertezas do cenário econômico brasileiro e, dentro dela, a crise do mercado editorial, que encolheu 40% desde 2014, fez com que a Livraria Cultura passasse a enfrentar dificuldades, também. Infelizmente, após quatro anos de recessão, o cenário geral no país não apresenta sinais claros de melhoria.

Diante disso, a Livraria Cultura iniciou, há três meses, um duro programa de ajustes: eliminamos lojas de baixo resultado; redimensionamos o quadro de funcionários; cortamos despesas de toda ordem; fizemos uma revisão profunda do planejamento de curto e médio prazos.

Optamos também pela recuperação judicial da Livraria Cultura, cujo pedido está sendo apresentado hoje aos órgãos competentes. Com essa medida visamos normalizar, em curto espaço de tempo, compromissos firmados com nossos fornecedores, preservando a saúde da empresa criada por Eva Herz em 1947, a manutenção de empregos e gerando mais estímulo para crescer.

Já somos hoje uma empresa mais enxuta, eficiente e preparada para enfrentar os desafios do varejo na era do e-commerce. Queremos atuar de forma agressiva nos canais digitais e, ao mesmo tempo, iremos manter poucas, mas ótimas lojas físicas pelo país. Estamos 100% sintonizados à ideia de que elas, as nossas lojas, não vendem apenas produtos e serviços. Vendem experiências que transformam a vida do cliente.

Estamos confiantes: acreditamos que a Livraria Cultura deu a largada para os próximos 70 anos.

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