Euler de França Belém
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Jeff Bezos sugere influência da China na compra do Twitter por Elon Musk

O Twitter não está acima das leis e uma enxurrada de ações judiciais certamente não vai agradar o negócio de Musk, fundador da Tesla

Homem mais rico do mundo, Elon Musk comprou o Twitter por 215 bilhões de reais (44 bilhões de dólares) e provoca polêmicas. Uma delas com o segundo empresário mais rico planeta, Jeff Bezos, criador da Amazon e dono do jornal “Washington Post”.

Sem apresentar provas, mas sugerindo conexões, Bezos especula uma possível influência da China na compra do Twitter.

A Tesla, a empresa de Musk que fabrica veículos elétricos, depende de baterias feitas na China. Por sinal, o país de Xi Jinping, só perde para os Estados Unidos em aquisições de veículos elétricos da Tescla.

Elon Musk e Jeff Bezos: guerra comercial-espacial? | Foto: Reprodução

Por outro lado, em 2009, o governo comunista baniu o Twitter da China, exatamente por que a rede social era considerada “livre demais” e ampliava a voz dos críticos do sistema autoritário do país.

Bezos formulou uma pergunta, que tachou de “interessante”: “O governo chinês acaba de ganhar um pouco de influência sobre a praça pública?” Há pouco tempo, Musk havia se referido ao Twitter como uma praça pública.

A resposta de Bezos para sua indagação: “Minha própria resposta a essa pergunta é que provavelmente não. A mais provável consequência nesse sentido é mais complexidade na China para a Tesla do que censura do Twitter. Mas vamos ver. Musk é extremamente bom em navegar nesse tipo de complexidade”.

A técnica de Bezos é similar à dos sofistas, e é hábil e inteligente. Ele sugere a influência da China, que é a ideia chave, e foi enfatizada, e em seguida acrescenta a ressalva que não acredita no que formulou primeiramente.

Mais: Musk é um dos críticos do que aponta como “censura” no Twitter. Quer dizer, a tendência é que, sob seu comando, Twitter seja mais livre? Talvez sim, talvez não. Porque o Twitter não está acima das leis e uma enxurrada de ações judiciais — porque quem publica ataques pessoais e políticos é corresponsável por eles — certamente não vai agradar o negócio de Musk.

Bolsonaristas comemoraram a aquisição do Twitter por Musk, mas talvez tenha sido cedo demais. Porque, certamente, mais liberdade de crítica não significa o mesmo que mais liberdade para ataques gratuitos. O bilionário americano sabe que liberdade de expressão não é o mesmo que liberticídio.

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