Euler de França Belém
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James Salter diz que o Grande Romance Americano é Huckleberry Finn, de Mark Twain

Salter_6.jpg Producción ABC.

A repórter Inés Martín Rodrigo, do jornal “ABC”, de Madri, entrevistou longamente o escritor americano James Salter. A entrevista, com 17.112 caracteres (o que prova que os espanhóis valorizam o texto de qualidade), saiu na edição de 3 de março deste ano. Quem quiser lê-la integralmente deve recorrer ao link http://www.abc.es/cultura/cultural/20140303/abci-cultural-libros-entrevista-james-201403031211.html. A entrevista foi feita a propósito do novo livro de Salter, “Todo lo que hay”. Depois de longo inverno, ele diz que está de volta ao batente – tanto que o título da entrevista é: “Tenho 88 anos e estou pronto para começar de novo”. (A fotografia acima é de Corina Arranz.)

De Salter as editoras brasileiras publicaram “Última Noite e Outros Contos” (Companhia das Letras, tradução de Samuel Titan Júnior), “Um Esporte e um Passatempo” (Imago) e “Dias Intensos – Reminiscências” (Imago). São livros de alta qualidade; Salter merece ser mais conhecido e editado no Brasil.

Trechos da entrevista:

Inés Martín Rodrigo – De volta ao mundo anglo-saxão: por que há tanta obsessão com a ideia do Grande Romance Americano?

James Salter – Não sei quem formulou essa frase pela primeira vez, mas os escritores que surgiram depois da Guerra [Segunda Guerra Mundial, 1939-1945], ao menos a minha geração (Saul Bellow e Philip Roth, entre outros), tinha a ideia de que o Grande Romance Americano ainda estava por escrever e um deles poderia escrevê-lo. A ideia persiste, mas não sei se existe tal coisa. O Grande Romance Espanhol é provavelmente “Dom Quixote” [Salter diz “O Quixote”, de Miguel de Cervantes] e se há um Grande Romance Americano é “Huckleberry Finn” [de Mark Twain]. Não sei, mas a gente sente que ainda pode escrevê-lo [ou alcançá-lo, o que confere um sentido mais dúbio à fala de Salter. Convém ressaltar que, na tradução, uso “é”, mas, na verdade, o escritor prefere “seria”].

Inés Martín Rodrigo – Quando Jonathan Franzen lançou “Liberdade”, a revista “Time” publicou o título: “O grande romancista americano”.

James Salter – Bom, é demasiado cedo para julgá-lo. Não o li.

 

Livros de James Salter em português

De Salter as editoras brasileiras publicaram “Última Noite e Outros Contos” (Companhia das Letras, tradução de Samuel Titan Júnior), “Um Esporte e um Passatempo” (Imago) e “Dias Intensos – Reminiscências” (Imago).

 

Mulher de presidente quis escrever o Grande Romance Americano

“Como tanta gente, eu sonhava em escrever o Grande Romance Americano”.

Quem disse isto? Norman Mailer, Truman Capote, John Updike? Nada disso. A frase é de Jacqueline Kennedy. A história está contada na página 30 do livro “Jackie Editora – A Vida Literária de Jacqueline Kennedy Onassis” (Record, 432 páginas, tradução de Clóvis Marques), de Greg Lawrence.

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