Quando ele nasceu, o Brasil já era pentacampeão mundial. Hoje, o garoto Endrick é a mais nova esperança – literalmente falando ou não – de ressurreição para o futebol que já foi o melhor do mundo, mas que já não brilha mais desde que a geração dos “Rs” – Ronaldo (o Fenômeno), Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos) – deixou os gramados.

Na verdade, o craque nasceu no dia 21 de julho de 2006, na cidade-satélite de Taguatinga (DF), pouco depois do encerramento da Copa do Mundo na Alemanha, que marcou exatamente a despedida desta turma de craques – ainda seria o último Mundial também de Cafu e Adriano Imperador.

Em 2002, com apenas 16 anos, Endrick já havia sido vendido do Palmeiras para o Real Madrid, mas só no meio deste ano vai se apresentar ao clube espanhol – logo após completar 18 anos. Antes disso, porém, já está registrado que ele se tornou o jogador mais jovem da história a fazer gol pelo time principal de sua atual equipe e também o mais jovem a marcar na tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior – competição hoje chamada apenas de Copinha – torneio pelo qual foi campeão em 2022.

Endrick tem tudo para ser maior do que Neymar: parece ser mais disciplinado, é mais artilheiro. Sua dinâmica de jogo envolve inteligência, visão periférica aguçada, explosão muscular, habilidade e precisão. Assim como o hoje polêmico veterano – que ainda é a referência da atual seleção brasileira – foi “fisgado” ainda menor de idade pelo Barcelona, o mesmo se repete, mas com o arquirrival espanhol, onde provavelmente fará parceria de ataque com Vinícius Júnior e Rodrygo, outros dois que foram embora cedo demais do Brasil para Madri.

Não é exagero afirmar que a compleição física de Endrick e a personalidade em campo lembram muito um camisa 10 chamado Pelé, quando garoto. A comparação para por aí – até porque o Rei continua sendo incomparável.

Antes de se tornar a estrela que já é, ficou conhecida a história de que o destino do craque poderia ter sido o São Paulo, que tinha parceria com seu time em Brasil, em um centro de treinamentos avançado do clube. Douglas Sousa, seu pai, disse que aceitaria se mudar para a capital paulista, desde que a proposta do Tricolor incluísse uma moradia para a família ou um emprego para o pai dele. O São Paulo ofereceu apenas uma ajuda de custo de 150 por mês. O pai de Endrick achou a proposta totalmente desproporcional e desistiu da ideia de se mudar para a capital paulista. Aí apareceu o Palmeiras para a conversa e o restante é história.

O que poucos sabem é que o jovem craque quase veio para no Goiás Esporte Clube. Em 2016 e 2017, quando tinha apenas 10 anos, ele disputou a Go Cup em Goiânia pelo Brasília Futebol Academia, que tinha parceria com o São Paulo, o qual monitorava o atacante. O pai de um colega de escolinha de futebol falou de Endrick para o pessoal da base da equipe goiana, que se interessou. Sua equipe jogou contra o Goiás e ele fez o gol da partida. Mas, como estava acima de sua categoria – e, nessa faixa etária, um ano faz muita diferença –, ele não teria se destacado tanto. O placar também não ajudou: o gol do menino Endrick foi o único na goleada sofrida por 10 a 1.

Veja o gol de Endrick, que consta da coletânea de gols dele no torneio daquele ano, postada no canal do pai no YouTube:

No momento, Endrick está servindo à seleção brasileira na disputa do Torneio Pré-Olímpico. É o artilheiro da equipe, com dois dos três gols marcados.