Euler de França Belém
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Doutor em História pela USP lança livro sobre Gilberto Freyre em Goiânia

Gustavo Mesquita, formado em História pela UFG, é autor de uma notável e premiada obra sobre o sociólogo pernambucano

O doutor em História pela USP Gustavo Mesquita lança o livro “Gilberto Freyre e o Estado Novo — Região, Nação e Modernidade” (Global, 240 páginas) na terça-feira, 16, em Goiânia. Sua pesquisa ganhou o Concurso Nacional de Ensaios/Prêmio Gilberto Freyre 2016-2017. O livro pode ser encontrado nas livrarias de Goiânia, como a Saraiva, do Flamboyant.

Sinopse da editora: “‘Gilberto Freyre e o Estado Novo — Região, Nação e Modernidade’ é fruto de uma densa pesquisa cujo maior objetivo era entender o impacto do pensamento do sociólogo pernambucano, formado ao longo dos anos 1930 e 40, na construção da nação realizada pelo Estado Novo de Getúlio Vargas.

“O livro analisa” a relação “entre o sociólogo e o regime em torno da união das tradições regionais com a modernidade nacional. Durante a graduação em História, Gustavo leu as biografias ‘Um Vitoriano dos Trópicos’, de Maria Lúcia Pallares-Burke, e ‘Gilberto Freyre — Uma Biografia Cultural’, dos uruguaios Enrique Larreta e Guillermo Giucci e captou uma das lições presentes em ambos os livros: o regionalismo nordestino ainda estava por ser entendido em suas relações com as mudanças urbano-industriais iniciadas em 1930. O historiador decidiu, então, levar adiante essa empreitada no mestrado, lendo as obras de outros especialistas no tema e investigando muitos acervos documentais”.

“‘Gilberto Freyre e o Estado Novo’ é uma reflexão vigorosa e inovadora que aborda com extrema propriedade o entrelaçamento existente entre memória, história e invenção da nação”.

Gustavo Mesquita no lançamento de seu livro na Livraria Martin Fontes, em São Paulo | Foto: Facebook do historiador

Gustavo Mesquita pertence àquela geração de scholars que estuda a fundo a obra de um autor — além de seu tempo (no caso, o Estado Novo varguista, de 1937 a 1945) — e apresenta sua interpretação com o máximo de rigor. Todo estudioso sério força a obra que estuda — com a intenção de iluminar e até ampliar o que diz ou sugere —, mas não a distorce. É o que ocorre com o trabalho do pesquisador. O doutor em história lida de maneira respeitosa mas não subserviente com as teses de Gilberto Freyre.

Gilberto Freyre ficou conhecido por seus livros ditos sociológicos — antropológicos, pode-se dizer (era um pensador da sociedade e da cultura) —, como “Casa Grande & Senzala”, sua obra-prima, e “Sobrados e Mucambos”. Mas até escritores consagrados admitem que sua prosa saborosa e fluente indica que, paralelo ao pesquisador infatigável — perspicaz, com grande senso de observação e, até, intuição (palavra, vá lá, pouco apropriada para o mundo universitário) —, há um escritor nato. Curiosamente, ainda que tendo cuidado em não afastar-se da linguagem acadêmica pois trata-se de uma dissertação de mestrado (rigorosa) — que dialoga de maneira sólida e autônoma com a bibliografia —, Gustavo Mesquita escreve muitíssimo bem. Gilberto Freyre, se vivo, aprovaria.

O livro é resultado da dissertação de mestrado de Gustavo Mesquita, apresentada na Universidade Federal de Goiás. Ele teve como orientador o professor Noé Sandes.

Serviço

O livro será lançado na terça-feira, 16, às 18h30, na Livraria Palavrear, na Rua 232, nº 338, Setor Universitário, em Goiânia.

Leia entrevista de Gustavo Mesquita ao Jornal Opção

“Gilberto Freyre foi central no amplo pacto político feito para modernizar o Brasil”

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