Euler de França Belém
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Companhia das Letras tenta retirar biografia de Roberto Marinho das livrarias

Comportando-se como dona Solange dos editores, Luiz Schwartz tenta retirar biografia de Roberto Marinho das livrarias

A Companhia das Letras é uma das melhores editoras do país. Seus livros são bem cuidados (as traduções são, no geral, de primeira linha). O trabalho de Luiz Schwartz e de sua equipe é competente e influencia várias outras editoras. Mas há outras facetas menos divulgadas. Recentemente, na feira de livros de Paraty, no Rio de Janeiro, o editor esmurrou um homem que o agrediu verbalmente. Poderia ter respondido com palavras, mas preferiu esmurrar o indivíduo. Depois, escreveu, e a imprensa deu ampla repercussão às suas palavras, que é deprimido e, por isso, deu-se o direito de bater em seu crítico. A mídia comprou a versão e nem mesmo foi atrás para verificar se houve registro policial e processo judicial.

Agora, a Companhia das Letras tenta retirar do mercado a excelente biografia “Roberto Marinho: O Poder Está no Ar — Do Nascimento ao Jornal Nacional” (Nova Fronteira), do jornalista Leonencio Nossa.

A obra registra a ascensão de um grande empresário, de maneira nuançada e sem preconceito. É o tipo de livro que mostra tudo — e julga quase nada. Pois a Companhia das Letras, alegando que Leonencio Nossa rompeu contrato e não devolveu dinheiro repassado a título de adiantamento, está processando o biógrafo. Um ato de força, por certo.

O advogado do profissional apresentou suas explicações — e uma delas diz respeito à não concordância com o processo de revisão (o revisor quis mudar o resultado da pesquisa — o que, claro, não é missão de revisor). Tudo bem que a editora recorra à Justiça, o foro adequado para se resolver pendengas. Mas retirar o livro das livrarias — tentando impedir que os leitores brasileiros consultem um material que, mais do que biografia de um homem, é uma história indireta do Brasil — é a mais pura censura. Infelizmente, o decentíssimo Luiz Schwartz, um editor admirável, está se comportando como se fosse a Solange Hernandes dos editores (dona Solange era censora durante a ditadura civil-militar).

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