Euler de França Belém
Euler de França Belém

CNN Brasil chega para enfrentar a experiência e a qualidade da Globo News

A rede irá ao ar com jornalistas de prestígio, como William Waack, Daniela Lima, Thaís Herédia e Evaristo Costa 

Daniela Lima, jornalista da CNN Brasil: brilhou na “Folha de S. Paulo” e no “Roda Viva”, da TV Cultura | Foto: Reprodução

A CNN Brasil (canal 577) estreia no domingo, 15, com um time jornalístico de primeira linha — como William Waack, Monalisa Perrone, Fernando Nakagawa (vai dirigir a CNN Brasil Business), Evaristo Costa, Phelipe Siani, Reinaldo Gottino, Diego Rezende, Luciana Barreto, Daniela Lima, Taís Lopes, Thais Herédia.  Como se sabe, é uma grande equipe que faz jornalismo de qualidade. Mas uma estrutura adequada é vital para que o jornalismo se firme.

Além do noticiário jornalístico — o cerne da programação —, a CNN vai exibir documentários, que serão apresentados por Evaristo Costa. E, diferenciando-se dos concorrentes, vai investir, de maneira pesada, em notícias focadas no mercado de investimentos e finanças, macroeconomia e negócios. A cobertura de economia e finanças é um dos pontos fracos da Globo News, às vezes soando (mas não é) mais como “publicidade” indireta — sobretudo de fundos de investimentos — do que como informação de interesse efetivamente público.

Evaristo Costa e William Waack, jornalistas experimentados que trabalharam na TV Globo por vários anos | Foto: Reprodução

Os principais concorrentes da CNN Brasil não serão, por certo, a TV Globo, a TV Record e o SBT, e sim a Globo News, a Band News e a Record News. Porque o foco da CNN é jornalismo, e não o mix de entretenimento e jornalismo, como é o caso das redes abertas. A tendência é que, de cara, se torne a segunda, atrás da Globo News? Ainda não dá para saber, porque a rede está indo ao ar agora. Apesar de contar com jornalistas experientes e influentes, a tendência é que demore um pouco a se firmar, a chamar a atenção de um público mais amplo. Será preciso “segurar” o público depois do impacto inicial, o de lançamento. (As redes de televisão estão com audiência baixa, e não por causa da concorrência entre elas, e sim porque há coisas demais para os telespectadores assistirem em vários canais privados, além de se divertirem e dialogarem com amigos nas redes sociais.)

Mas procede que, dependendo do impacto de seu jornalismo, se superar a Globo News — com reportagens exclusivas, que ponham jornais e outras redes para correrem atrás do que divulgar —, vai incomodar também a TV Globo, sobretudo o “Jornal Hoje” e o “Jornal Nacional”, que terão de ficar mais dinâmicos. Porque, se não ficarem, correrão o risco de chegarem velhos aos telespectadores — o que tenderá a afastá-los (ainda mais). Em termos de jornalismo, apesar do valor dos trabalhos da Record, a Globo nunca teve um competidor de peso, nos seus vários horários (eventualmente, com determinados programas, a Record sai na frente, às vezes com bom jornalismo).

Douglas Tavolaro (CEO da CNN Brasil) e a jornalista Monalisa Perrone. Ela foi apresentadora da TV Globo | Foto: Divulgação

Se o jornalismo da CNN Brasil for de qualidade, e não mais do mesmo, a tendência é que contribua para que o jornalismo de outras redes melhore. As redes “nacionais” circunscrevem, no geral, seu jornalismo a São Paulo e Rio de Janeiro — os demais Estados aparecem mais quando ocorrem tragédias em seus municípios. Se a CNN conseguir fazer um jornalismo mais integrado, que redescubra o Brasil, pode, enfim, estabelecer um jornalismo, de fato, nacional. O que pode levar ao aumento de audiência. A América do Sul também é mal divulgada pelas tevês patropis.

Tendo em vista a chegada da CNN Brasil, o Globo News está ampliando sua cobertura jornalística. O “Em Pauta”, um modelo que funciona e com boa audiência, foi ampliado. Agora, começa às 20 horas e termina às 22 horas. Uma das principais críticas à Globo News é que repete as notícias em demasia, às vezes tentando apresentá-las como se fossem novas.

Thais Herédia, ex-GloboNews: expert em economia | Foto: Reprodução

Área comercial

Mostrando que não está para brincadeira, a CNN Brasil contratou, para o departamento comercial, Edilson Buda, que trabalhou na TV Globo por 36 anos.

Entre os principais anunciantes está o Banco Santander. “É gratificante saber que uma das maiores empresas do mundo acredita e investe em bom jornalismo, na imprensa plural, na liberdade de expressão e, por consequência, na democracia do Brasil. A CNN garante a entrega de conteúdo de qualidade para o público e para os nossos anunciantes”, diz o CEO da rede, Douglas Tavolaro, egresso da TV Record.

“Estamos em plena era da informação, o que aumenta a importância das empresas que fazem a gestão de conteúdo e dados, hoje os ativos mais preciosos de uma sociedade. Por isso, consideramos extremamente positivo para o nosso país contar com mais um veículo de notícias dessa envergadura”, afirma o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial.

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