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Augusto Diniz

Associação Médica Americana só recomenda hidroxicloroquina em mentira de Facebook

Informações falsas na rede social anunciam falsa autorização da AMA para uso do medicamento para malária, artrite reumatoide e lúpus no tratamento da Covid-19

Se você só se informa por prints e links em redes sociais e aplicativos de mensagem, tenho uma notícia muito ruim a lhe dar sobre os dados divulgados sobre a hidroxicloroquina. 44 estudos no mundo apontam que o medicamento eficaz no tratamento de malária, artrite reumatoide e lúpus não serve no tratamento da Covid-19.

O Brasil é um dos poucos países que ainda insistem em acreditar nas mentiras sobre a eficiência do remédio fabricado pelo Exército por determinação do presidente da República sem qualquer comprovação da relevância no combate à doença que já vitimou mais de 190 mil pessoas no País e 1,7 milhões em todo o planeta.

Uma das novas mentiras sobre a hidroxicloroquina está presente no Facebook, rede social que tem dificuldade em verificar a circulação de informações falsas sobre a pandemia, tratamentos, vacinas e realidade da doença. A publicação e os prints mostram o que seriam notícias que anunciariam a retirada da restrição do medicamento no uso contra a Covid-19 pela Associação Médica dos Estados Unidos, a American Medical Association (AMA).

Checagens

Com base em duas checagens, uma da Agência Lupa e outra da Aos Fatos, a mentira sobre a autorização da hidroxicloroquina contra a Covid-19 nos Estados Unidos voltou a informação falsa ao seu devido lugar, de um boato desmentido. Na matéria de Samuel Costa, da Lupa, consta que “a Associação Médica Americana (AMA) não aprovou resolução que altera seu posicionamento sobre o uso de hidroxicloroquina no tratamento de Covid-19”.

Pelo contrário. A entidade usou sua conta oficial no Twitter para informar que a resolução da AMA segue a mesma desde março, quando a associação alertou sobre os riscos indevido do uso do medicamento para uma doença contra a qual a hidroxicloroquina não tem eficácia. “A associação ressaltou ainda que as suas decisões seguem as evidências científicas”, destaca a checagem da Lupa.

A mentira também foi verificada nos Estados Unidos pela PolitiFact, Lead Stories e Polynter em dezembro. “As organizações se opõem fortemente a essas ações que podem levar a interrupções no fornecimento de pacientes que precisam desses medicamentos (cloroquina e hidroxicloroquina) para doenças crônicas (malária, lúpus e artrite reumatoide)”, informa a nota técnica da AMA de 25 de março de 2020, assinada em conjunto com a Associação Americana de Farmacêuticos (APhA) e a Sociedade Americana de Farmacêuticos do Sistema de Saúde (ASHP).

Reunião em novembro

O texto escrito por Amanda Ribeiro, da Aos Fatos, descreve que a Associação Médica Americana se reuniu em novembro para avaliar um pedido de revogar o posicionamento da entidade publicado em março. “As requisições, no entanto, não foram aprovadas”, explica a matéria. De acordo com documentos da própria AMA, a solicitação foi rejeitada pela associação.

Em junho, a agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, U.S. Food and Drug Administration (FDA) retirou a autorização de uso emergencial da hidroxicloroquina que tinha dado em março no país por falta de comprovação em estudos dos benefícios da utilização do medicamento no tratamento da Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) seguiu a decisão da FDA e determinou o fim dos testes clínicos com hidroxicloroquina pela ineficácia do remédio contra a doença causada pelo vírus Sars-CoV-2.

A checagem da Agência Lupa explica onde a mentira surgiu: “O boato surgiu após o radialista conservador norte-americano Rush Limbaugh ler ao vivo um texto do Published Reporter, site conservador dos EUA. O documento usado como fonte para o texto, contudo, não é uma resolução aprovada pela AMA, mas um texto submetido em outubro à avaliação do colegiado da associação”.

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