As lições do coronavírus para a mobilidade urbana

Tecnologia avançada e novas formas de jornadas de trabalho são usadas pelas maiores metrópoles do mundo para evitar a aglomeração de veículos

Márcio Moraes

Especial para o Jornal Opção

Primeiramente, quem puder, fique em casa. Caso tenha que sair, o goianiense perceberá uma cidade com pouco movimento. Experimente, por exemplo, calcular o quanto está reduzido o tempo para fazer um percurso rotineiro. Perceba a redução no consumo de combustível. Note que seu dia foi menos agitado.

Essa nova realidade traz uma oportunidade única para os gestores municipais: repensar a mobilidade urbana. Em um momento em que poucos carros estão nas ruas, cabe aos responsáveis perceber a eficácia do desenho e horários de trânsito frente aos novos modelos de interação entre pessoas, trabalho e comércio que o isolamento social provocou e que dificilmente será retroagido ao que era antes.

Rua T-12, em abril de 2020: escasso trânsito | Foto: Jornal Opção

A prática profissional à distância, como home office e teletrabalho, além do predomínio de compras por aplicativos serão realidades permanentes de agora para frente e não podem ser ignoradas pelas autoridades de trânsito que deverão realizar novos estudos e desenhos para aprimorar o encurtamento das distâncias e tempos de deslocamento.

Novas realidades exigem inovações, especialmente no campo da mobilidade urbana. Sistemas antiquados de fluxo e controle de tráfego baseados exclusivamente em sinaleiros e viadutos, muitas vezes dessincronizados, não correspondem às necessidades atuais do cidadão e isso já tem sido revisto no mundo inteiro.

Uma medida comum nas metrópoles é uma ampla diversificação de expedientes, começando às 6 horas da manhã e estendendo-se até as 23 horas. Goiânia já deveria ter feito isso, mas ainda não existe previsão para tanto.

O uso intenso de tecnologia associado às novas formas e jornadas de trabalho, dividindo os períodos de deslocamento de pessoas e automóveis, são alguns dos elementos fundamentais utilizados pelas maiores metrópoles do mundo, evitando a aglomeração de veículos. Gestão de vagas públicas por papel também não se sustenta. É necessário adotar sistema automatizado por aplicativo em todas as áreas comerciais da cidade, uma espécie de parquímetro digital, como já utilizado ao redor do planeta. A prefeitura aprimora a mobilidade, racionaliza a ocupação das vagas e ainda aumenta a receita a ser investida em mobilidade.

Em breve voltaremos à normalidade, sem isolamento social forçado e os deslocamentos por veículos aumentarão. Todos nós, especialmente os atuais e futuros administradores públicos, devemos aprender com as mudanças provocadas pela pandemia e planejarmos o futuro das cidades, começando pela mobilidade urbana, se quisermos que nosso direito de ir e vir seja efetivo.

Márcio Moraes é advogado especialista em Direito Urbanístico.

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