Minha mãe, Frutuoza Fagundes Belém, Zinha, é integrante de uma família de sete irmãos: Nair (Sinhá; com seu jeitão simples e severo, às vezes seco, era uma grande mulher), Tomás (homem simples, apreciador de bebidas fortes), Josefa (Zefinha, mulher bonita, de porte nobre), Nelito (um homem civilizado, sempre agradável), Antônio (Zico), Anastácio (bonachão, alegre, um aristocrata). Tomás, Sinhá, Zefinha e Anastácio morreram há algum tempo. Antônio Fagundes Furtado, Zico, faleceu na quinta-feira, 11, aos 82 anos. Faria 83 anos na quinta-feira, 18.

Zico tinha problemas renais e fazia hemodiálise, em Goianésia e, depois, em Porangatu; às vezes, vinha para Goiânia, como todos os demais goianos, quando tinha algum problema mais grave, exigindo um especialista que as cidades do interior não têm. Na semana passada, passou mal e a família o levou para Ceres, onde foi internado numa UTI. Com severos problemas cardíacos, morreu. Na sexta-feira, 12, foi enterrado em Porangatu, sua amada cidade, possivelmente ao lado dos pais (Joca e Margarida) e irmãos.

Homem simples, Zico era um homem de olhar triste, escorregadio. Às vezes, dizia mais com os olhos, que pareciam fazer flexões, do que com as palavras. Era reservado, circunspecto, sempre a observar o mundo, sem explicá-lo. Em sua casa, quem fala mais, como se fosse uma porta-voz, é sua mulher, a solidária e dinâmica Maria Pereira. O que fica de Zico? Acima de tudo, era um bom homem, um homem delicado e, ao mesmo tempo, sólido, temperado pelas desventuras da vida. Na vida pública, um cidadão exemplar, decente. Deixa quatro filhos: Tânia, Teves (meu querido amigo de infância, com quem joguei bola no time Porangatu, ao lado de João Roberto Naves e Valdemarzinho), Antônio Euzébio e Luzia Augusta. Todos herdaram a delicadeza do trato, um olhar às vezes de ressaca, como o de Capitu, e a decência (como se fosse uma pele).

A morte de Zico, que não via sempre, deixa o mundo familiar menor e menos rico.

Permanecem vivos minha mãe (a caçula), de 79 anos, e Nelito, de 85 anos, os últimos dos moicanos.