Bento Fleury
Bento Fleury

A dor dos escombros em Santa Cruz de Goiás

Não se vive de passado, mas o passado em Santa Cruz de Goiás pode ser marco de um presente e de um futuro

Santa Cruz de Goiás, mergulhada na placenta verde dos morros, adormecida em meio ao abraço vegetal do cerrado goiano, encerra, em si, uma longa trajetória de transição entre um passado marcado por glórias; depois perdas sucessivas no avançar do tempo; o mergulho num marasmo entristecedor do abandono e, ainda, a tentativa de ascensão, entrecortada por fluxos e refluxos de melhorias; perde, porém, numa rápida passagem por ela, os marcos indeléveis de seu passado de glórias, na decadência de seu patrimônio.

Não se vive de passado, mas o passado em Santa Cruz de Goiás pode ser marco de um presente e de um futuro, na projeção turística que terá, doravante. Ela possui tudo que um turista consciente quer: bucolismo, tradição, patrimônio, singeleza, natureza exuberante, gente boa e acolhedora, paz.

E é uma pena, cidade tão amada, berço de meus ascendentes, desde os idos dos setecentos, tem patrimônios públicos e particulares, dignos de nota, mas a maioria deles em pleno abandono, em ruínas e escombros, a apagarem pouco a pouco, as sombras do que foram. Lindas casas a amargarem solidão e tristeza, fechadas e tomadas pelo mato, a gritarem a tristeza inexorável do fim.

Não viver de passado, mas amar o passado em cada pedra representativa, em cada casa velha, em cada janela, em cada quintal florido, em cada porta, a abrir aos novos, os indícios do tempo; tornar isso um marco turístico para o presente, a dizer muito do que a cidade foi, como terra opulenta e rica, em dias pretéritos.

É preciso vender a imagem que Santa Cruz de Goiás tem, como bem o fazem Goiás, Pirenópolis, Corumbá. Todos ganham, até o vendedor de picolés, tem o seu lucro.

Assim, no processo de ocupação econômica das terras do sul de Goiás e construção da riqueza na região a importância da antiga e histórica Santa Cruz de Goiás ganha relevo. A cidade com grande e vital desenvolvimento nos séculos XVIII e XIX estiolou-se no século XX por conta do abandono que sofreu dos eixos econômicos então vigentes. 

Mas, esse marco de traição e de cidade do que foi, precisa ser apagado! Com suas belezas naturais, riquezas arquitetônicas, a grandeza rural, com lindas fazendas; a bela natureza ali presente, são marcas de riqueza do turismo que pode ser inserido como a grandeza do porvir. Não podendo mudar o passado, o trunfo de fazer um novo futuro!

O grande julgado de Santa Cruz tinha dimensões imensas, quase do tamanho de Portugal. As primeiras Sesmarias concedidas nessa região foram marcos importante da penetração dos primeiros desbravadores no Julgado de Santa Cruz, em documentos deixados por Antonio de Pádua Fleury Curado. 

Entre os anos de 1722 a 1735, revelava a necessidade que a Coroa portuguesa sentia de regularizar a exploração das minas e as terras que margeavam o caminho de Goiás, com vistas a combater as tentativas de contrabando e implantar um sistema de fiscalização, por meio da instalação dos registros nos rios com seus funcionários reais.  

Silva e Souza em sua Memória Estatística da Província de Goiás, produzida em princípios do século XIX ao retratar o julgado de Santa Cruz, destacava a presença dos migrantes mineiros, em sua maioria, roceiros e criadores que adentravam com relativa frequência na região, à procura de terras e organizavam seus estabelecimentos. O atual sul de Goiás que até a década de 1880 pertencia à jurisdição do Julgado – depois comarca – de Santa Cruz.

Nos primórdios, a presença do eixo Vila Boa/Santa Cruz de Goiás, era ponto de convergência comercial; fluxo constante de mercadorias, via carros de bois e tropeiros, antes do advento da Estrada de ferro, que estiolou a velha cidade-mãe, que favoreceu a nascente e agora centenária Pires do Rio, mas que, também, num futuro não muito distante, se viu identicamente estiolada com a decadência da Estrada de Ferro Goiás. A cada tempo, os seus reveses.

                 O julgado de Santa Cruz de Goiás compreendia o então Sertão da Farinha Podre, hoje Triângulo Mineiro, tal a sua extensão.

Por meio de levantamentos feitos por Raimundo José da Cunha Matos é possível um quantitativo de habitantes do Desemboque, Araxá e Uberaba, os três principais núcleos urbanos da região da Farinha Podre nas primeiras décadas do século XIX, como foi visto constituía parte do território de Santa Cruz de Goiás, léguas distante.

Por esse motivo, a história do Sertão da Farinha Podre coloca em evidência uma profunda crise geográfica desse período, marcada por discussões de toda ordem, demarcações de limites territoriais entre as capitanias/províncias de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A região era de fronteira, disputada por muitos.

O Julgado de Santa Cruz de Goiás alcançava o Desemboque, núcleo formador de toda aquela região, com a sua bela igreja de Nossa Senhora do Desterro, na embocadura das serras de Minas, antes, de Goiás. 

Sobre esse fato destacou o escritor Oscar Virgílio Pereira em seu livro Das sesmarias ao polo urbano, publicado em Uberlândia, em 2010, na página 56 assim ressalta: “O território sob jurisdição do Julgado não abrangia inicialmente apenas o trecho situado entre os rios Grande e Paranaíba. Englobava também uma grande parte do sul de Goiás, até o Rio Dourados, onde estava situado o povoado de Santa Cruz de Goiás”.

Ainda sobre os Julgados, continua o escritor na página 84: “Um mapa oficial goiano, datado de 1778, mostra uma parte do Triângulo ficava situado no Julgado do Rio das Velhas e outra parte, mais a oeste, pertencia ao Julgado de Santa Cruz. Estes dois julgados goianos, mais os Julgados de Meia Ponte, Santa Luzia, Desemboque e São Domingos do Araxá, segundo Aires de Casal, formavam o enorme Distrito do Rio das Velhas”.

Por essas referências é possível consolidar a grande extensão territorial do Julgado de Santa Cruz de Goiás antes de 1816.

Diversos e intrincados fatores políticos concorreram para o povoamento do território do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, isto é, território limitado por dois caudais de grande vulto; o Paranaíba e o Rio Grande, que ao se encontrarem formam o vértice do triângulo. Essa região foi alvo de grandes disputas por causa da fertilidade de suas terras.

Estavam estas cidades no itinerário da picada que partira de São Paulo, a de Anhanguera, e outra que partira de Minas, mas que desembocava no lugar denominado arraial do Rio das Velhas. De Desemboque, partiam outros caminhos para Uberaba, Araxá, para as cabeceiras do São Francisco onde esteve o Anhanguera. Esses caminhos eram carregados de homens ambiciosos por ouro e por riquezas.

A partir da virada dos anos de 1800 grandes epidemias grassaram várias regiões da Capitania. Segundo Zoroastro Artiaga em seu livro História de Goiás, publicado em 1954, página 120, Vila Boa foi flagelada por uma epidemia de varíola, assim como outras vilas e povoados.

No começo do século XIX foi criada a Comarca Eclesiástica do Novo Sul, no Bispado de Goiás, foi para ela nomeado o vigário Hermógenes, provisor, vigário geral, visitador e juiz dos resíduos, e nesses encargos sempre conservado com muitas faculdades prelatícias e episcopais, conforme destacou Antonio Borges Sampaio em seu trabalho publicado na Revista do Arquivo Público Mineiro, no ano de 1896. 

Dentre a economia rural, dos engenhos da Província eram 120 ao todo, 34 em Goiás e 19 em Santa Cruz. Ainda, há destaque para o crescimento demográfico da Província; mostra Santa Cruz em 1804 com 2.904 habitantes e em 1848 com 7.636, uma das regiões mais habitadas na época, perdendo apenas para a sede da Província, Vila Boa.

A devoção a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Julgado e hoje cidade de Santa Cruz de Goiás está presente há séculos na tradição católica. A mais antiga do nosso Estado é a de Santa Cruz, que se estendeu por outras cidades como Jaraguá, Leopoldina (Aruanã), Campininha das Flores (hoje bairro de Goiânia), Campos Belos, Nazário e tantas outras, que se originaram da tradição vinda da cidade de Santa Cruz.

Situada à margem da GO-020, (Rodovia JK) a 128 km de Goiânia, está Santa Cruz de Goiás. Tão próxima e tão distante da Capital! Foi considerada uma das primeiras povoações, no início do desenvolvimento de Goiás. a partir das primeiras incursões e divisões de terras no século XVIII.

Também, Jacy Siqueira, na coletânea intitulada Toponímia histórica: Uma abordagem de Goiás, publicado em 1993, com o título de “O fundador de Santa Cruz”, busca elucidar, com detalhes, todo o processo de formação da cidade de Santa Cruz de Goiás, a iniciar pelo nome, numa busca pelo destino do fundador, Manuel Dias de Souza, valendo-se de outros escritores anteriores como Americano do Brasil, Silva e Souza, Pohl, além de Paulo Bertran. 

Ao final, o poeta e pesquisador, destacou sobre o valor de ter realizado a pesquisa: “ Propiciou a oportunidade tão feliz de levantar a poeira acumulada pelos anos sobe a história de Santa Cruz de Goiás, nos seus primórdios, que, mesmo não sendo a nossa terra de berço, nos é tanto e muito cara”.

Durante o Império, muitos filhos de Santa Cruz passaram a ter relevo e destaque em nível administrativo em Goiás como Paulino de Souza Lobo, nomeado em 1867 como comandante das Forças Nacionais da Vila de Formosa da Imperatriz, cargo importante para a época.

Era o destaque dado, principalmente militar, na cidade que, por sua situação geográfica, agregava grande número de autoridades, o que insuflou se a merma o ponto estratégico durante a Guerra do Paraguai.

No contexto histórico provincial, foi grande e essencial o papel exercido pela histórica Santa Cruz de Goiás em tempos de antanho, nos mais variados aspectos da economia e da população goiana, destacando os fatores que incentivaram migração para o sul de Goiás a partir das primeiras entradas que estavam relacionadas à exploração aurífera no século XVIII.

Faz-se importante destacar a compreensão dos fatores que foram determinantes para a intensificação dos fluxos migratórios, no século XIX, quando milhares de mineiros e paulistas se deslocaram de suas regiões e se fixaram na região, ocupando e demarcando terras – sobretudo, por meio da posse. Terra e escravos eram os grandes poderios das cidades, notadamente em Santa cruz de Goiás.

Assim, ocorria, no ano de 1856, com Joaquim Bueno Pitaluga Caiapó, Brigadeiro e chefe do Estado, que faleceu em 1873, descendente de Bartolomeu Bueno em Santa Cruz de Goiás

Esse goiano ilustre, em nome de Nossa Senhora da Conceição de Santa Cruz, libertou diversos escravos seus, como prova de devoção à Virgem. Tal fato aparece estampado no livro Os Anhangueras de Goiás, de Ubirajara Galli, publicado em 2007, página 71.

Humberto Crispim Borges em seu livro História de Silvânia, publicado pela Editora do Cerne em 1981, na página 15, destaca sobre as levas de aventureiros que adentraram no grande sertão do oeste, podendo ser pioneira a gente que veio a ter primeiro em Santa Cruz de Goiás; aquela que tinha sob sua jurisdição o nascente povoado de Bonfim de Goiás.

Tal fluxo, no transcorrer do século XIX, foi intensificado à medida que os meios de comunicação e transportes se desenvolveram integrando de forma mais sistemática Goiás com a região sudeste. 

Santa Cruz de Goiás, nesse sentido, estava mais próxima aos centros adiantados do país, por sua posição geográfica, no “Caminho ou picada de Goiás”. A mudança desses caminhos, no século seguinte foi a prova cabal da decadência a que se viu investida a cidade esquecida. Santa Cruz de Goiás saiu da rota do desenvolvimento; o mesmo ocorrendo com o Arraial de Ouro Fino, nas cercanias da Cidade de Goiás, que, pelo isolamento, desapareceu.

Segundo o grande historiador Antonio Americano do Brasil em seu livro Súmula de História de Goiás, publicação de 1961, na página 115, explicita o poderio econômico de Santa Cruz na segunda metade do século XIX: “Só o município de Santa Cruz de Goiás produziu 333 mil alqueires de milho e o de Bonfim 290. 400; no município de Corumbá havia 10.000 pés de café; o trigo era cultivado em Cavalcanti, Santa Cruz, Santa Luzia, Bonfim, Corumbá e Meia Ponte”.

Segundo a Carta da Província de Goyaz, publicada em 1875 e que aparece na página 23 do livro Goyaz, escrito por Alfredo d’Escragnolle Taunay, aparece o grande julgado de Santa Cruz de Goyaz.

Desta forma, se faz lúcido mostrar que os fatores de ordem econômica e política nacional, como o desenvolvimento da economia cafeeira e a interiorização da estrada de ferro – repercutiram negativamente no caso específico de Santa Cruz de Goiás que, ficou relegada a um plano inferior pela política desenvolvimentista dos anos de 1930; daí ser injustamente esquecida no seu grande papel nos séculos anteriores. Essa injustiça agora precisa ser corrigida para as futuras gerações.

Mas, outrora, destaca-se a importância que os carros de bois começaram a ter no final do século XIX e primeiros anos do século XX, como uma alternativa mais viável e barata no transporte de mercadorias para os principais entroncamentos ferroviários localizados no Triângulo Mineiro. Santa Cruz de Goiás se fazia ponto estratégico para tais negociações, ao contrário da capital oficial, Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, perdida entre as cordilheiras.

Na antiga Vila, cabeça de Julgado mais importante da Província de Goiás, havia categorias sociais e econômicas: proprietários de escravos, proprietários de terras, pequenos proprietários, criadores de gado, lavradores agregados e habitantes da vila. 

Era possível observar-se o progresso e desenvolvimento de uma sociedade que se fazia ciente de sua importância numa cidade que ganhava status diante das demais, mesmo a opulenta Meia Ponte que em muitas situações disputava com Vila Boa pela hegemonia do poder.

Tanto se prova tal repercussão e importância na Província de Goiás, é que o primeiro julgamento do Tribunal de Justiça de Goiás foi realizado na então opulenta Santa Cruz, conforme destaca o site da história do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Havia em Santa Cruz de Goiás níveis de riqueza e pobreza a partir do volume crescente e decrescente das reluzentes oitavas de ouro extraídas e enviadas à metrópole. Mesmo com as dificuldades de extração no Morro do Clemente, a cidade teve decisiva participação nas rendas oriundas do ouro na Província de outrora.

 Santa Cruz de Goiás era uma ilha de povoamento do centro minerador e que se localizava em meio a imenso oceano de terras repletas de florestas, animais e índios, além de centenas de escravos, já que os seus limites chegavam à Paracatu, no Sertão da Farinha Podre.

O então Julgado de Santa Cruz de Goiás, que compreendia as terras que correspondem à atual região do sul de Goiás, possuía uma população estimada de 2904 habitantes em 1804. Em 1825, já era a terceira região mais povoada com 5865 habitantes e, em 1832, 7632 habitantes correspondendo a um crescimento demográfico superior a 260%. 

Silva e Souza em sua Memória Estatística da Província de Goiás, produzida em princípios do século XIX ao retratar o julgado de Santa Cruz, destacava a presença dos migrantes mineiros, em sua maioria, roceiros e criadores que adentravam com relativa frequência na região, à procura de terras e organizavam seus estabelecimentos na região.

Outro fator que dificultava a economia goiana era a carência de moedas apresentava-se como um grande empecilho tanto ao desenvolvimento de atividades mais produtivas, quanto ao comércio. 

Também era sempre mencionada a ausência de moedas nos relatórios dos presidentes de Província, ao apontar a sua falta como um fator determinante que impedia o aumento das rendas públicas. 

Diante desta dificuldade em 1837, o então presidente da Província Luiz Gonzaga de Camargo Fleury lamentava a dificuldade de encontrar coletores, pois a maioria acabava pedindo demissão. A base da troca era uma constante, principalmente no Julgado de Santa Cruz de Goiás.

Neste período histórico, muitas cartas de sesmarias foram concedidas no território da Farinha Podre pelos Governadores da Província de Goiás, até 1816, época em que a região foi anexada à Província de Minas Gerais. Em 1840, já existiam no sertão da Farinha Podre as paróquias de Uberaba, Carmo de Morrinhos e Dores do Campo Formoso; também os curatos de Monte Alegre, Tijuco, Patrocínio, Araxá e Desemboque são anteriores a 1807.  

No julgado de Santa Cruz de Goiás havia centenas de fazendas em que era criado o gado curraleiro, o mais tradicional em nosso Estado. No sul de Goiás refletiram-se as transformações da economia mineira. Primeiramente, com uma produção voltada para o mercado interno.

A cidade viveu dias de glória e desencanto. Passou por humilhações e diminuições, tanto que, nos anos de 1930, perdeu sua autonomia política. Naquele período triste da história de Santa Cruz de Goiás, época de humilhação, de deboche praticada contra uma cidade eminentemente tradicional, ela passou a ser simples distrito, subordinada a Pires do Rio. Na voragem do tempo, que corre célere, tem-se certeza de que um dia a história apontará o nome dos traidores à execração pública. 

Mas, tudo passou e a cidade voltou com sua autonomia e muito se fez para que continuasse sua saga no tempo.

O que dói em Santa Cruz de Goiás é ver seu patrimônio a diluir-se na vista de todos. O prédio da Casa de Câmara e Cadeia, de 1880, segue no seu destino, guardado por pessoas que amam sua história; não possui, porém, a técnica específica do arquivamento de seus valiosos documentos, os que sobraram. 

Casas públicas e particulares desfazem, sem um levantamento iconográfico, histórico, social e cultural desse legado. As pessoas, ávidas pela história que lá chegam, não possuem informações sobre seu patrimônio, a não ser por abnegadas pessoas como Fátima Paraguassu, Luiz Fernando e Antonio, com os quais eu pude entrar em contato. Se outros existem, eu não conheço.

Pontos turísticos da tradição rural e ecológica, tão visíveis e procurados, ainda não estão catalogados ou acessíveis a todos. Só pude ir no “Pesque –pague do Irmão”, tão lindo e singelo, caseiro e evocativo, mas sem uma divulgação das belezas que encerra. Onde a placa da “cachoeira do Ló?”? Até o nome dos lugares, tão lindos e telúricos, não estão divulgados!

Cada casa velha, cada pedra de escombro, carregada pelos escravos, junto ao coração, tem a sua beleza. Tudo ali é produto turístico a ser vendido. O que falta é informação, placa indicativa, guia para conduzir (nem que seja um!); local disponível para essas informações; levantamento das casas, muros de pedras, alicerces feitos por escravos; indicações de rios, fazendas e cachoeiras tão disputadas em outras cidades e que, ali, estão invisíveis aos olhos de quem passa por perto. Tudo isso geraria divisas, dinheiro e fixação do homem ao seu local!

Eu vejo Santa Cruz de Goiás pelos olhos do meu coração. Queria que todos a vissem da mesma forma. E a redescobrissem também. Ali é um pequeno presépio da história de Goiás, pela emoção.

Quando passo ali, penso nos meus ancestrais que, há mais de 200 anos pisaram o cansaço daquele lindo pedaço de chão!

Os escombros de pedras e aroeiras doem em Santa Cruz, como feriam as pedras, há mais de dois séculos, o coração dos escravos que as carregavam bem junto ao coração.

Seja sempre coberta de luz, a querida Santa Cruz!

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Linda casa, abandonada, cujo capim nasceu na porta. Doloroso cenário de abandono.

O silêncio triste e comovido das casas fechadas a ruírem pouco a pouco, no desespero das horas finais!

Uma resposta para “A dor dos escombros em Santa Cruz de Goiás”

  1. Avatar Hamilton Afonso de Oliveira disse:

    Muito interessante e preocupante a situação de Santa Cruz. Mas não deixa de ser o reflexo do Brasil, especialmente do Estado de Goiás, de não valorização da História e tradições. Reflexo da inexistência de planos de desenvolvimento regional do turismo e de valorização e preservação da cultura material e imaterial, que poderia ambranger o circuito das águas termais de Caldas Novas e Rio Quente. É possível viver do passado, mas é preciso valorizá-lo e ter a consciência que, também, é patrimônio e que pode gerar novas oportunidades de emprego e renda, a exemplo, de muitos países países europeus, com França, Ingaterra, Espanha, Itália, Portugal etc. que, atualmente, tem no património histórico e suas tradições culturais, fontes importantes de geração de riquezas e oportunidades.

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