Ser pai, a sensação eterna de insuficência
09 outubro 2026 às 12h52

COMPARTILHAR
O medo de errar, de ser fraco, vulnerável e incapaz. São muitos dos sentimentos que acompanham as transformações da paternidade. Não que essas preocupações não atinjam quem não tem filhos, mas, quando alguém depende (totalmente) de você, é diferente, muito diferente.
Não é mais só sobre você. Um pequeno erro pode ter consequências inimagináveis. Desde as trivialidades do dia a dia até questões mais amplas e filosóficas da vida. Por exemplo, uma tarde sem carregar o celular que coincide com o fim das fraldas pode resultar em momentos de desespero, assim como um comportamento que você talvez nem perceba pode trazer traumas profundos.
Há o medo de ser rígido demais, barraqueiro demais, arrumar confusão à toa e criar uma criança insegura e raivosa. Assim como há o temor de ser um “homem frouxo”, que não briga por seus direitos e acaba criando uma pessoa passiva às agressões da vida. O medo de trabalhar demais e ficar ausente, o medo de trabalhar de menos e não poder dar tudo de que ela precisa. Entre outros receios que se somam às dificuldades comuns da vida.
Por mais contraditório que pareça, é um bebê que chega ao mundo com um pouco mais de três quilos e 40 centímetros que ocupa um espaço imenso na vida, talvez todo ele. Diante disso, recorremos às imagens que temos dos homens inventados, às vezes pela televisão, pelo cinema, às vezes por nós mesmos.
Queremos ser mais do que humanos, verdadeiros super-heróis que não temem nada nem ninguém, que sempre estão 100% certos de suas ações, inabaláveis e intangíveis. Mas não o somos, ninguém o é, e nem seria bom que fôssemos. Somos humanos, frágeis, suscetíveis ao cansaço, à doença e à morte.
O perigo é ensinar aos nossos filhos aquilo que queríamos ser, e não o que de fato somos, pois assim perpetuamos essa sensação de insuficiência, o desejo de alcançar o impossível. Precisamos mostrar a realidade e como lidar com ela. Está tudo bem não saber o que fazer, nem o que vai acontecer, não dar conta da situação e perder as estribeiras.
O que não podemos é desistir por conta disso. É preciso continuar caminhando, ainda que mancos e sem saber ao certo o destino.
Se você, como eu, tem esse medo, não se preocupe. Provavelmente, está fazendo um bom trabalho. Só significa que você está dando o melhor que pode e, sim, às vezes, vai ser insuficiente.
Leia mais: Mais de 33 mil crianças em Goiás foram registradas sem o nome do pai nos últimos seis anos


