Mais que escolher um candidato, é preciso escolher que país queremos
07 outubro 2026 às 12h31

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Daqui a duas semanas, os brasileiros voltarão às urnas para definir quem estará à frente do país pelos próximos quatro anos. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro, Flávio Bolsonaro (PL). Mais do que escolher um nome, o momento exige que cada eleitor pense no Brasil que deseja construir.
Ainda há tempo para ler os planos de governo, conhecer as propostas e avaliar as declarações dos candidatos. O voto não deveria ser resultado de uma postagem nas redes sociais, de uma corrente de WhatsApp ou de um discurso inflamado. Deveria ser consequência de informação e reflexão.
O que não podemos continuar aceitando é a abstenção acompanhada do velho discurso de que “eu não gosto de política”. Política está na fila do hospital, na escola dos nossos filhos, na segurança das ruas, no preço dos alimentos e nas oportunidades de trabalho. Gostando ou não, as decisões políticas interferem diretamente na vida de todos nós.
Voto consciente também significa olhar para além dos interesses individuais. É pensar em um governo que defenda uma saúde pública de qualidade, incentive a pesquisa, valorize a educação, proteja as mulheres e transforme discursos em políticas públicas concretas. Também precisamos ter cuidado quando a religião é usada como instrumento de disputa política. A fé de cada cidadão merece respeito, mas o Estado precisa ser capaz de garantir direitos a todos, independentemente de sua crença.
Talvez por isso que duas músicas me venham à minha cabeça quando penso neste momento. “Guerra por Paz”, do NX Zero, carrega justamente esse contraste que tantas vezes vemos na política: discursos que dizem buscar a paz enquanto alimentam conflitos. E, em meio a tanta polarização, “Dias Melhores”, do Jota Quest, nos lembra, em sua própria mensagem de esperança, que acreditar em um futuro diferente também é uma escolha.
Não precisamos concordar em tudo. Aliás, democracia pressupõe justamente o direito de discordar. O que não podemos é transformar a divergência em ódio, o adversário em inimigo e a política em uma guerra permanente.
No fim, o voto é individual. Mas suas consequências não são. Por isso, antes de apertar o botão “confirma”, talvez valha uma última pergunta: que Brasil queremos encontrar no dia seguinte à eleição?
É essa resposta, mais do que qualquer briga nas redes sociais, que deveria orientar o nosso voto.
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